terça-feira, 6 de abril de 2010

Memórias - O meu melhor amigo


Devia estar a preparar a apresentação que tenho amanhã, mas estou um bocadinho farta de ler e reler. Já sei que não adianta, vou estar nervosa de qualquer maneira. Por mais apresentações que faça, fico sempre nervosa até  começar a falar. Por isso, nada melhor que uma visita aos meus amigos blogosféricos. Ler o post do PB, no Aquele Bagacinho, fez-me pensar num grande amigo meu da infância (não, não foi no bagaço), o Perdido. 

O Perdido era um cãozinho, não sei de que raça, se é que a tinha, castanho-claro, que apareceu lá por casa. Pequenino, cheio de lama, magrinho que metia dó. Eu tinha seis anos e apaixonei-me perdidamente por aquela bolinha de pêlo. Não foi nada difícil convencer o meu Pai a ficar com ele, apesar da relutância da minha Mãe. Banho tomado, parecia outro. O nome não é muito original, mas na altura não me lembrei de outro. Tornamo-nos os melhores amigos. Onde eu ia, lá ia ele. Ele servia de tudo: almofada, cavalinho, companheiro de corridas e ai de quem me levantasse a voz! Ouvia logo um rosnar que começava baixinho e ia aumentando de tom. O meu Pai sorria, a minha Mãe não achava piada nenhuma (talvez porque era habitualmente quem mais rosnadelas ouvia).

Sou do tempo em que poucos escapavam a ficar sem as amígdalas, por isso, aos oito anos, lá tive direito à cirurgia (por acaso, acho que mas deviam devolver porque me fazem falta) e a três dias de ausência de casa.  Como não iam estar muito por casa, os meus Pais decidiram deixá-lo em casa  de uns familiares. Fugiu, e no dia seguinte foram encontrá-lo no quintal de nossa casa. Tinha percorrido os 8 km de regresso a casa. Durante o tempo que não estive em casa, o Perdido não comeu. Acho que foi aí que conseguiu conquistar o coração da minha Mãe. Mesmo sem relógio, ele sabia a que horas eu chegava da escola, e vinha para a porta esperar. Envelheceu mais depressa do que eu, mas mesmo velhinho, velhinho, era a minha mão que ele procurava. Outros cães houve lá por casa, mas nunca nenhum foi como ele. Se calhar, tal como há pessoas especiais, também há cães especiais. Foi, sem dúvida, dos primeiros a mostrar-me  o que é amizade e lealdade, e que os animais podem ser tão ou mais nossos amigos do que as pessoas.

8 comentários:

Cris disse...

Oi o seu post me faz chorar e chorar um bocadinho pois desde ontem minha cadela a Branca sumiu ela saiu para cheirar um pouco a rua e ainda não voltou, como chove e faz um pouco de frio aqui eu espero que ela esteja bem, mas me doi saber que também ela pode não estar bem e eu quero acreditar que é apenas uma rebeldia e que vou chegar em casa e ela estará lá me esperando... quem sabe hoje

*C*inderela disse...

Se são bons amigos ... melhores que muitas pessoas. São muito mais fieis. Tive um labrador quando era pequena, e mal fingia que estava a chorar ele vinha desesperado a ganir para o pé de mim para me lember a cara :) Era uma ternura.

Bjokas ****

Deia disse...

Todo o carinho que lhes damos é sempre retribuído em pequenos gestos que eles têm para connosco. É daquelas amizades verdadeiras, apesar de não falarem são bons ouvintes e estão sempre do nosso lado.

Libelinha☆ disse...

Sou mais de gatos como tu sabes e... A ternura e a lealdade dos animais são coisas realmente extraordinárias!...

Beijinhos ;P

TouroCeptico disse...

Gosto muito de animais e sempre tive cães. Sei bem o amor e afecto que nos são. Hoje em dia tenho um Beagle, que lhe chamo Sir. Manfred Wilson...mas ficou apenas Wilson para os amigos :)))

Os animais...dão-nos pelo prazer de dar...e não apenas pela comida, como muitos pensam.

Beijinhos

Neisseria Gonorrhoeae disse...

Uma lição de vida, de um cão muito menos animal que uns Homens que cá conheço.

Jinhos

Canhota! disse...

Querida Nirvana!

Eu desde muito pequenina que queria ter um cão, mas a minha mãe nunca me deixou ter...mais tarde...um bocadão mais tarde...fezem Setembro 5 anos arranjei uma cadelinha BEAGLE cujo seu nome é Nicki e digo-te é a melhor amiga que eu tenho...é aquela que dá mimos sem querer nada em troca (quer dizer uma bolachinha até que marcha). Quando chego a casa faz-me uma festa ENORME mas tb senão lhe dou as festinhas que ela está habituada não me larga!!! é uma doçura, é meiga, ternurenta e principalmente AMIGA!

olha agora mesmo está aqui deitada ao meu ladono sofá de barriga para cima que mais parece um frango no churrasco!

Mais fiéis que um cão, acho que nos tempos de hoje é muito difícil encontrar tanta fidelidade num ser humano (mas ainda encontramos...).

Como de costume um texto lindo, lindo!

jinhos meus e da Nicki!

Só um aparte ela e a minha mãe hoje são umas excelentes amigas, a minha mãe até fica com ela de vez em quando uma semana!!!

Kika disse...

:)
Essas recordações são tão boas... :)