sexta-feira, 30 de abril de 2010

Intervalo


Por vezes preciso de um intervalo. Preciso de parar, ficar só comigo. De me encontrar. É tão fácil perder-me neste mar que é o mundo! Perder-me no meio das pessoas, das palavras, dos dias, das noites, de mim. Esquecer-me, viver os dias como quem apenas passa por eles. Sobreviver.  
 
Por vezes, no meio de todo o rebuliço que são os dias apenas anseio por um momento em que possa fechar os olhos. Conto o tempo que falta até esse momento, em que posso ter um pouco de paz. Em que posso fechar os olhos, não pestanejar, mas fechá-los mesmo, por um minuto que seja. Fechar os olhos e respirar, calmamente, concentrando-me apenas nos movimentos que respirar implica. Fechar os olhos e, por momentos, esquecer o que se espera de mim e lembrar-me do que eu espero e quero.  Fechar os olhos e tentar perceber o que está a acontecer. Por vezes, esses pequenos instantes fazem toda a diferença. A diferença entre ser e não ser, entre estar e não estar, entre ficar ou partir. Por vezes, nesses instantes em que fecho e abro os olhos, tudo fica diferente. Por vezes, tudo fica claro, na obscuridade com que o cerrar das pálpebras me presenteia, outras vezes tudo permanece escuro. Por vezes descubro o caminho que não vislumbrava, outras vezes dá-me vontade de correr bem depressa e fugir. Por vezes não penso em nada, deixo que o nada pense em mim, outras vezes penso em mil coisas ao mesmo tempo, como se fossem uma só. Por vezes sonho, outras vezes regresso à realidade. Por vezes, bastam uns segundos, outras vezes todo o tempo do mundo me parece pouco. Mas nunca, nunca o antes é igual ao depois, depois desses instantes em que fecho os olhos, apenas por uns instantes. 

By The Way LXXIX

Que mania de andar a cantar o que se ouve de manhã no rádio! Hoje calminha, calminha!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Vento, ventinho, podes mudar de caminho?


Certo dia estava um senhor sentado debaixo de uma árvore, aproveitando a sua sombra, enquanto ia pensando como arranjar um dinheirito extra para consertar o telhado, cujas telhas tinham sido arrancadas pelo vento. Algum tempo depois passa a voar à sua frente uma nota de 500 euros. Ele nem se mexeu. O vizinho, que se aproximava para lhe fazer companhia, pergunta-lhe: "Ó homem, então tu não apanhas a nota?" A resposta veio prontamente: "Estou à espera que o vento mude." (adaptado de uma anedota que ouvi em tempos).

E, se o vento não mudar e lhe vier pôr a nota no colo, a culpa vai ser do vento, esse desgraçado que só soprou na direcção contrária!! Vai andar uns tempos a amaldiçoá-lo, principalmente quando apanhar com a chuva na cabeça por causa dos buracos no telhado. Não lhe ocorrerá que, se tivesse esticado o braço, ou se tivesse corrido um bocadinho, teria apanhado a nota que a providência colocara no seu caminho. A culpa não será dele, por não se ter mexido, mas sim do vento.

Talvez lhe ocorresse que era sorte a mais e o mais certo era a nota ser falsa. Supôs. Supôs que fosse falsa, mas não verificou. Supôs que fosse sorte a mais, mas porque é tão fácil aceitar o azar e tão difícil aceitar que as coisas podem correr bem? Supõe que os outros têm sorte, mesmo os que correram atrás das notas.

Não generalizando, até porque por vezes fartamo-nos de correr mas o vento sopra sempre mais veloz que o ritmo da nossa melhor corrida, acho que cada vez mais as pessoas se esquecem que será melhor esforçarem-se um bocadinho quando querem alguma coisa, que as coisas não nos caem no colo (pelo menos na maioria dos casos), que por vezes essas coisas não virem até elas se deve ao facto de não as procurarem, que a culpa não é da má sorte, do acaso, do destino, da vida. 

E, se por acaso há pessoas a quem acontecem esses golpes de sorte, a quem tudo cai no colo, vale a pena pensar em três coisas.  Primeiro,  se elas são sortudas, sorte a delas. Se eu preciso fazer por isso, é melhor que o faça em vez de ficar a olhar para a sorte dos outros, a admirá-la ou a invejá-la. Talvez não seja má ideia olhar para a minha vida, em vez de olhar para a dos outros. Segundo, por vezes, as pessoas não andam a apregoar aos quatro ventos o quanto se esforçam para obter as coisas, o que não significa que não se esforçam. Apenas encaram esse facto como algo normal e natural e não como uma missão ou um fardo pesadíssimo. Terceiro, há também, a tendência reconfortante, porque apazigua a culpa, de só ver a sorte dos outros e nunca a própria.

O vento vai existir sempre, as oportunidades, por vezes, também.  O vento vai continuar o seu caminho, indiferente. Entre ficar à espera que ele mude de direcção, enfrentá-lo ou tentar mudá-lo, a decisão é de cada um, e os únicos responsáveis pelas nossas decisões somos nós.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Crepúsculo


Volto à minha praia, onde tantos momentos passei, sozinha. Como sentia falta de estar assim, na minha companhia, sem horas, sem prazos, sem um freio nos pensamentos. Eu, o mar, a areia, o silêncio apenas interrompido pelo som das ondas. Tiro as sandálias e sento-me bem perto do mar. Não tardará muito até que ele venha ao meu encontro e sinta de novo o seu suave afago nos meus pés. Sorrio, ao antecipar esse momento, enquanto coloco os braços em volta das pernas e apoio o queixo nos joelhos, olhando o horizonte. Aquele momento em que o sol está prestes a despedir-se. Ocaso, crepúsculo, anoitecer, tanto faz o nome que lhe damos, é um momento mágico. 
Deixo-me ficar assim, e penso neste momento, nesta ilusão de tempo. A quem pertence o crepúsculo? Ao dia que se despede, ou à noite que se anuncia? De ilusão em ilusão, não é difícil chegar a ti. Somos como este dia e esta noite. Encontramo-nos, mas não nos encontramos, vemo-nos, mas não nos vemos, sentimo-nos, mas não nos sentimos, tocamo-nos, mas não nos tocamos. Somos a noite e o dia, a lua e o sol, ansiando um pelo outro, esperando um pelo outro, sendo um pelo outro, sem nunca se encontrarem.
Será que existimos? Talvez. Talvez não. Uma ilusão apenas. Tal como o crepúsculo é uma ilusão. Mas, alguém negará o crepúsculo? Não sei. Eu não o posso negar. Como o posso fazer, se estou a presenciá-lo agora, neste momento? O dia não nega a noite, nem a noite nega o dia. Não existem um sem o outro, mas não podem existir um com o outro, ao mesmo tempo. Sempre juntos. Sempre separados. Sempre unidos, num momento.

Obrigada, Vida!


Alguns dos melhores momentos do meu dia são proporcionados pelo meu filho. Não me esqueço nunca que sou mãe e de lhe transmitir noções de responsabilidade e estabilidade. No entanto, acho que isso não é incompatível com brincar com o dia a dia, e até fazer algumas coisas menos convencionais. O facto de a mãe, juntamente com uma amiga, serem as únicas a descer uma rampa enorme dum insuflável, sob o olhar algo espantado dos outros adultos, ou de pôr música e dançar em casa, não significa que ele me respeite menos por isso. Mas por vezes coloca-lhe dúvidas quando eu digo uma ou outra brincadeira. Sendo ele uma criança extremamente expressiva, gosto imenso da expressão de dúvida que se espelha naquela carinha enquanto olha para mim a pensar se estou a brincar ou não. 
Há dias, andava um pouco preocupado porque tinha de cortar o cabelo até ao torneio. Habitualmente, as meninas vão muito bem arranjadas, com o cabelo preso e os meninos com gel. A apresentação também conta, nestas coisas. O cabelo dele estava num tamanho que não dava para usar gel.
- Deixa lá, P, fazemos umas trancinhas.
- Ohhh!! Nem penses!
- A sério, fazemos trancinhas pequeninas, com gel, e depois ficam assim todas no ar.
- Oh, Mamã, não achas que para quem tem a tua idade tens umas ideias um bocado malucas? 
- Acho que ias ficar muito giro! :)
- Ohhhh! Estás a brincar, não estás?

Hoje, a caminho da escola, depois de alguma luta para não ouvir pela 351ª vez os Black Eyed Peas, que ele adora, deu esta. Um atraso de dez minutos a sair de casa implica filas e filas de trânsito. Parados há algum tempo sem andar um centímetro, lá íamos cantando a música e fazendo umas coreografias com os braços. 
- Estamos parados há tanto tempo que quase podíamos sair e dançar isto lá fora, filhote.
- Ohhh.... - diz ele, enquanto olha para o espelho retrovisor com aquela expressão de dúvida - estás a brincar, não estás? 

São pequenas coisas, é certo, mas pequenas coisas que me fazem começar o dia a sorrir, a agradecer a minha vida, a agradecer o facto de o ter na minha vida. Obrigada, filho, obrigada por encheres os meus dias de alegria :).

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Preguiça e facebook


Acho que as coisas devem acontecer na altura certa, e estar doente é no Inverno. Une-se o não-agradável ao útil, fica-se em casa uns dias e até não é assim tão mau andar a tossir e com dores de garganta. Mas quando começa o sol, é maldade! 
Continuo extremamente irritada com quem me roubou as minhas ricas amígdalas, quando ainda não tinha voz activa nem idade para dar o meu consentimento.  Claro que dizerem-me que depois ia poder comer os gelados que quisesse me fez ir contente e feliz para a sala de operações. Agora, todos os anos é a mesma coisa, duas ou três vezes por ano lá vêm as meninas laringites e faringites, o que me dá muita "irritatite". Acho que ainda não se fazem implantes de amígdalas, ou seria a primeira da lista. 

A verdade é que sinto um cansaço fora do habitual. Geralmente perguntam-me que tipo de gasolina bebo de manhã, mas hoje bebi mesmo preguicite super  e sonolência sem aditivos. Não gosto de trazer trabalho para casa. Prefiro ficar mais uma ou duas horas no trabalho e deixar em Roma o que é de Roma, mas hoje só queria vir para casa. Com o sr. Prozac em estágio para o torneio do fim de semana em Espanha, tinha a tarde toda livre para pôr o trabalho em dia. Instalada no sofá, com uns relatórios na mão, durou pouco o trabalho. Decidi dedicar-me à nova modalidade de facebook: 


 E os relatórios continuam por ler. Bem podiam inventar relatórios de auto-leitura ou qualquer coisa assim!

domingo, 25 de abril de 2010

Olhar



Tive um colega que era incapaz de olhar nos olhos dos outros quando falava. Nunca. Olhava para qualquer ponto algures, atrás do ombro, a parede ao lado, o cabelo, mas nunca para os olhos. Aquilo fazia-me uma confusão danada. Várias vezes ia-me movendo conforme o olhar dele, para ver se conseguia olhar mesmo nos olhos, mas nunca tive grande sucesso, excepto os risos dos outros pelas minhas coreografias. 

Faz-me imensa confusão as pessoas que não olham nos olhos das outras quando falam. Não que tenhamos que estar sempre de olhos arregalados, fixos, como que hipnotizados. Podemos até falar sem olhar para a pessoa, transmitir informações, pedir algo, enfim, muitas coisas. Mas os olhos continuam a ser o espelho da alma.  O olhar está para além do simples encontro anatómico da visão.  O simples facto de conseguir ou não encarar uma pessoa, olhá-la nos olhos já diz muito. Os olhos não conseguem mentir com a mesma facilidade que as palavras. O olhar permite entender o que é visível e o que está para além do palpável. 

Os olhos falam. Muitas vezes falam até sem que o seu dono queira. Ganham vida própria. Sorriem quando a boca continua séria, choram quando esta esboça um sorriso, irradiam luz ou escurecem de forma assustadora. Um olhar pode poupar mil palavras. Às vezes basta um simples olhar. Para ganhar ou perder, para ficar ou partir. Às vezes um simples olhar prende-nos como  se de um íman se tratasse.  Um olhar sincero e simples, humilde, terno, meigo, apaixonado, caloroso, ou de dúvida, de desprezo, de indiferença, de raiva, de ódio. Uma visão para lá dos olhos. Ver a vida num olhar,  dar  a vida num olhar, dar vida à alma num olhar, perdermo-nos num olhar...

Os olhos que não encontram os olhos... talvez olhos cansados de pouco ver, que não sabem que é preciso olhar para aprender a ver.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Magnum-Terapia


O melhor tratamento para quem está adoentado?

Fazer alguma coisa que goste. Não cura a doença, é certo, mas também é cada vez mais certo, segundo os entendidos, que o factor psicológico tem influência no evoluir das doenças, nomeadamente na cura. Interfere com vários factores, incluindo as defesas do organismo, etc, etc.

Então, vinha eu do trabalho, cansadita, ainda meia doente, muito calor pela estrada fora, quando tive de parar na estação de serviço. Decidi fazer a vontade a um lindo Magnum que não parava de olhar para mim, como quem diz "tira-me daqui!" Ninguém resiste a um pedido destes, pois não?

Nota: já estou um bocadinho melhor! Magum-terapia!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Teorias # 3: Umbigos e Pupilas


O umbigo é, sem dúvida alguma, importantíssimo. Não fosse o cordãozinho que aí se insere e que nos alimenta enquanto não temos meios de o fazermos por nós e morreríamos antes de nascer. Pergunto-me se será por isso que algumas pessoas mantêm uma relação de autêntica adoração pelo mesmo, chegando  a serem incapazes de ver alguma coisa mais que o seu próprio umbigo. Sendo importantíssimo até ao nascimento, depois torna-se apenas uma pequena cicatriz, sem utilidade nenhuma, excepto algum rendimento para os donos das lojas de piercings.

Há umbigos muito diferentes, é verdade, mas a maioria são redondinhos, circulares, tal como as pupilas. Pergunto-me se não haverá aqui alguma  relação, alguma explicação para o facto de se verem as coisas pela perspectiva do próprio umbigo.

Será que, se as pupilas tivessem outra forma, como por exemplo, um singelo coração, seríamos capazes de ver o mundo e os outros com um pouco mais de amor e de altruísmo?


PS - Último registo do termómetro: 38,3ºC. Tenho desculpa para estas palavras sem sentido, estou com febre!

Mimos


Tenho uns agradecimentos em atraso. Mimos que me deram e que ,de dia para dia, vou deixando para amanhã. Hoje é o dia de pôr isso em ordem!

Obrigada, Enfant Terrible. O Terrible ofereceu-me este mimo espectacular! Mas não é assim à balda, não senhor. Faz parte das regras enumerar três sonhos e 3 pecados/tentações.
Três sonhos:
- Ter sempre motivos ser feliz.
- Tirar um ano de férias.
- Uma casa à beira-mar.
Três pecados/tentações:
- Gelados, gelados, gelados.
- Dar respostas irónicas, sem pensar, quando me chateiam.
- Ultrapassar os limites de velocidade.
 



Obrigada, Cinderela. A Cinderela brindou-me com este mimo.


"O Prémio Dardos visa reconhecer o mérito dos blogueiros que se empenham em transmitir valores culturais, éticos e pessoais, através das palavras e da arte demonstrada em seus trabalhos, transformadas num pensamento vivo. "
As regras incluem  aceitar e publicar o prémio, juntamente com o nome e o link de quem me indicou, oferecer o prémio a 15 blogs e comunicá-los da indicação. Ofereço a todos os que sigo.


Obrigada, Girl in The Clouds e Cinderela por este mimo mágico.


Este mimo traz consigo o desafio de completar a frase "A magia é..."  
Festejar o nascer do dia, contagiar-me com as suas possibilidades, 
Viver cada dia como um milagre, colher cada sorriso como uma dádiva, 
Sentir o calor do sol na pele, parar por um minuto e assim ficar,
Fechar os olhos e sentir a música dançar em mim,
Levar a realidade ao encontro da fantasia...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estratégia com pouco resultado


Uma pessoa está doente.
Uma pessoa sabe que está doente: dói-lhe tudo, tem tosse, mal consegue falar, de vez em quando lá consegue ter um pouquinho de voz. O simples acto de falar exige um esforço acrescido. Depois de responder umas dez vezes às perguntas estás doente? estás rouca? com um normal estou, começam a aflorar à cabecinha respostas menos convencionais, tipo não, estou a treinar para substituir o Marlon Brando no Padrinho; não, estou a tentar convencer-te que estás surdo; não, fiz um piercing nas cordas vocais; etc, etc. Mas responder implica falar, e falar custa. 

Uma folha branca onde escreve "Estou rouca, não consigo falar" parece-lhe uma ideia brilhante. Adiciona um smile, para dar uma ar mais bonitinho e põe a folha estratégicamente na secretária, bem à vista. Sorri e pensa estou safa! Pura ilusão! Estás afónica? Ainda não, pensa, mas não falta muito. Faz outra folha onde escreve Estou afónica, com dois smiles. Agora sim, pensa. Nem cinco minutos depois Estás mesmo afónica ou estás a brincar?
Socorro!!

sábado, 17 de abril de 2010

Vazio...


Geralmente a palavra vazio gera uma sensação de desconforto. Não gostamos do vazio. Afinal o que significa o vazio? A não existência, a ausência, o nada. Algo que se perdeu e deixou o seu lugar não preenchido, algo que não foi ainda preenchido, como um puzzle onde falta uma ou mais peças, algo que não sabemos sequer que existe, mas cujo lugar está ali, porque ali pertence.

Poderá o vazio ocupar lugar? Penso que sim. Por vezes ocupa um lugar maior do que ele próprio. Por vezes, ocupa um espaço imenso. Podemos também estar cheios. Cheios de nada, o que nos dá uma falsa ilusão de que o vazio não existe. Mas o vazio é necessário. Por vezes, temos de criar esse vazio, libertar-nos de coisas que nos prendem, que falsamente enchem a nossa vida, para podermos preenchê-lo com novas coisas.

Podemos ver o vazio não como o fim da linha, mas sim como o início, tal como vemos um copo vazio como uma oportunidade para o encher, uma sala vazia como um desafio para a decorar ao nosso gosto, ou uma página em branco como uma amiga que podemos encher com palavras que nunca serão vazias, mas que muitas vezes não conseguem traduzir tudo o que contêm. 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

... Titulo? Sei lá ...



Quantos relacionamentos não se desgastam, não se perdem apenas porque as pessoas não sabem falar umas com as outras. Armam-se com as suas certezas, com a sua intolerância, com a sua auto-suficiência, com a sua capacidade e aptidão inabalável de julgar os outros. Não dialogam, não dão o benefício da dúvida, não ouvem. Mesmo quando parecem estar a ouvir, na verdade não estão. Estão a medir cada palavra pela medida da sua certeza. Outras vezes, nem querem mesmo ouvir. Porque são sábias, tudo sabem, quando na verdade não sabem nada. Fazem desta arrogância a sua defesa, e o seu ataque também. Não se coibem de agredir. Falar, não. Agredir, sim. Esta parte é fácil. Agredir verbalmente o outro, seja por palavras, seja por não lhe permitir expressar-se não é certamente o caminho. E às vezes, bastava ter dito as coisas de forma ligeiramente diferente, sem ferir, sem magoar, pensando que do outro lado está um ser humano, com sentimentos, com emoções, gratuitamente julgado. 
Amordaçar o outro, não lhe dando hipótese de falar, de expôr as suas razões, o seu eu, não é apenas um acto de arrogância, é também um acto de cobardia. Receio de se ver confrontado com a fragilidade das suas pseudo-certezas, com a sua própria fragilidade. E é assim que muitas vezes se perdem pessoas que tanto teriam para dar.

By The Way LXX - Holiday


Estou a precisar urgentemente de férias!!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Porque também se perde...



Não é só vir para aqui babar quando o sr. Prozac ganha. Não. É vir para aqui babar também quando ele não ganha.
Foi um fim de semana de competição. Sábado campeonato nacional e domingo outro torneio. Começa a ficar "pesado". Não ganhou o nacional. Foi pena, porque tinha potencial para isso. Apesar de a minha opinião ser parcial, eu sei, não é só a minha opinião. Algumas peripécias que antecederam o início do campeonato e que não vale a pena mencionar aqui, até porque envolve a irresponsabilidade de pessoas que já tinham idade para serem um bocadinho mais responsáveis, principalmente quando se trata do sonho de um menino, contribuíram para ele estar completamente desconcentrado. Perdeu com um menino que tinha facilmente eliminado no regional. Porquê a baba, então? Nós, mães, não precisamos de motivos para babar!! Depois do 1º lugar ter voado, e de o ter visto tão desolado (na bancada, sem poder ir lá baixo dar-lhe um abraço) pensei "pronto, não vai conseguir fazer mais". Mas conseguiu. Conseguiu concentrar-se e bater-se pelo segundo.
Quando finalmente pude chegar ao pé dele, e depois de um mega-abraço e um parabéns, diz ele, não fosse eu estar  distraída "mamã, eu não ganhei, não fiquei em primeiro". Eu sei que não, mas estou orgulhosa dele na mesma. E estarei sempre. Porque além de ser o meu campeão, é um menino de ouro. Porque, no meio da tristeza dele - e aqueles olhinhos estavam mesmo tristes - me pergunta se eu estou triste.

As palavras dele no fim foram "sabes, mamã, quase ganhar é pior que perder por muitos". Não tive muita sorte em demovê-lo desta ideia, mesmo com exemplos de jogadores que falharam penaltis em finais do campeonato do mundo. Não é fácil não ganhar, mas é algo com que tem de se aprender a lidar. 

Obrigada, Amiga, pela companhia na tarde de sábado, por teres aturado a minha neura, por me teres feito sorrir. 

Fui proibida pelo dono da mesma de colocar aqui a foto da medalha. Nem o facto de no Domingo o torneio lhe ter corrido muito bem o animou. 

By The Way XLXXIX - Closer

Começo-me a perder nesta numeração romana :S.

Muito tempo sem dançar (considerando muito tempo uma semana, mais dia menos dia), e começo a ficar com formigueiros nos pés.

sábado, 10 de abril de 2010

Nem mais, nem menos


Sou como sou,
Nem mais, nem menos.
Sou o que sou,
Sou o que sei ser,
Sou o que sei querer, 
Sou o que aprendi a perder,
Sou o que fiz renascer.

Sou como sou,
Nem mais, nem menos.
Sou o que quero ser
E o que não quero também.
Sou pássaro em voo solto
E árvore agarrada ao chão.
Sou nuvem passageira
E carro sem bagageira.
Sou a brisa suave da tarde
E o vento forte da manhã.
Sou coração que dança ao cantar,
Sou mão que dança ao escrever.

Sou como sou,
Nem mais nem menos.
Nem o mais que queriam que fosse
Nem o menos que queriam que não fosse.
Sou, apenas, como sou.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Parabéns Benfica


Não sou benfiquista (como já devem ter reparado, sou mais amiga dos leões).
Não sou inglesa. Sou Portuguesa.
Os meus vizinhos não são ingleses. Estão lá fora no pátio a cantar e a pular porque o Liverpool ganhou.

Apesar de criticar e brincar com muita coisa que está mal em Portugal, visto a camisola do meu País. Pergunto-me se haveria muitos Ingleses a torcer pelo Benfica. Duvido.

E ainda nos admiramos por não andarmos para a frente?

Parabéns ao Benfica pelo percurso bonito na Liga Europa. 

By The Way LXIX - Slipping Away


Open to everything happy and sad
Seeing the good when it's all going bad
Seeing the sun when I can't really see
Hoping the sun will at least look at me

Focus on everything better today
All that I needed I never could say
Hold on to people they're slipping away
Hold on to this while it's slipping away

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Mansão Jutreiquês - Capítulo 2

 
O post de hoje necessita de uma introdução, e ninguém melhor para o fazer do que o autor da ideia:

"Não posso deixar de recomendar, um livro a estrear muito em breve, redigido por um conjunto de autores nacionais de enorme talento.  Uma obra prima excelente, espelhando as novas tendência neo-ficcionistas, tão presentes em blogs de requintados gostos e apurados sentidos estéticos.
A grande curiosidade deste livro, reside no facto de ter sido desenvolvida por uma tertúlia peculiar, que contribuindo cada qual com o seu capítulo, produziu uma obra única, apelando à imaginação e criatividade inerente a cada um.

Numa mansão de um requinte inigualável, habitam personagens pitorescas de contornos de difícil identificação, cujo objectivo é o respeito pelos valores máximos da liberdade...e o reforço dos elos de amizade que os une.
By Touro Céptico, aqui.

O primeiro capítulo está aqui

A mim, cabe-me o segundo capítulo, por isso, aqui está:



A MANSÃO JUTREIQUÊS - CAPÍTULO 2


Rodeada pelas montanhas, nos confins das Montanhas Jutreicanas, fica a bonita aldeia de Jutreicóis, habitada por pessoas simples, que buscam na meditação a razão da existência. Olhando para o vale, descobrem-se as pequenas casas, feitas de barro, com telhados de colmo, pintadas com cores garridas e pequenas janelas ovais. No centro da aldeia, fica o recinto onde todos se reúnem para a meditação e onde se celebram os acontecimentos da aldeia. Nesse dia, de manhã cedo, apenas uma menina passava por lá, seguida pelas suas 2035 ovelhas. O destino eram as altas pastagens da montanha de Jutreilá. Nirvana era o nome dessa menina. Em Jutriquês, Nirvana significa vento. Durante muito tempo, pensou que lhe tinham dado esse nome por andar sempre com a cabeça no ar, a sonhar, como lhe diziam. Soube, mais tarde, que não nascera na aldeia e o seu nome era atribuído ao facto de ter sido trazida pelo vento. Depressa a sua cabecinha começou a magicar de onde teria vindo. Sempre se achara diferente dos outros aldeões. Não tinha os olhos rasgados como eles, não tinha o cabelo escuro e liso, nem a pele morena, mas nunca tinha valorizado essas diferenças. Aprendera, com os outros, a meditar, a apreciar a beleza da natureza, a viver em comunhão com o mundo e a gostar de tremoços.

Eram estes os pensamentos que a acompanhavam nessa manhã, enquanto guardava as ovelhas, acompanhada do seu fiel cão de guarda chamado Berny, ao som da música da flauta que tinha feito com um ramo de bambu. O suave  e rotineiro decorrer da manhã foi interrompido primeiro pelo levantar de orelhas do Berny e depois pela agitação das ovelhas. Nirvana subiu para a rocha mais alta e viu, ao fundo do caminho, uma movimentação que não consegiu decifrar. Aproximava-se uma fila enorme de burritos e carroças. Parecia não ter fim. Aproximando-se, viu que se tratavam de pessoas. Muitas pessoas. Da segunda carroça emergiu... o que era mesmo? A primeira coisa que viu foi o cabelo, muito bem penteado e ornado com umas pedrinhas brilhantes. Perguntou-lhe onde ficava a aldeia mais próxima. Não se fazendo de rogada, Nirvana guiou-os até à praça central de Jutreicóis e foi chamar o grande mestre. Enquanto aquela distinta senhora falava com o mestre, Nirvana aproveitou para ver o que se passava no resto da caravana. Era o staff (o que é staff? Perguntava de si para si. Eu só conheço stafada, que é como me sinto no fim do dia de pastoreio). Não sabia o que era staff, mas parecia-lhe ser uma coisa muito importante, porque todos, sem excepção, tinham um ar encantador. Ficou a saber quem era o Gaspar (nome que iria ouvir muitas vezes), o Jojo, o Defensor, o Bernardo, o Rafaelo, o Pêpê, e tantos outros. Ficou encantada com o staff. Continuava sem saber o que era, mas gostava.

Corria pela aldeia o boato que aquela senhora tinha vindo de tão longe para aprender a meditar (uma senhora de outro país até tinha seguido a ideia e escrito um livro chamado comer, orar e amar). Mas esta senhora não queria que soubessem, queria ser Invisível. Queria aprender a meditar e descobrir os segredos dos mestres Jutreiqueses. Ficaram bastante tempo na aldeia. Durante esse tempo, Nirvana acompanhou o desfile de vestidos, perfumes, penteados. Começava mesmo a admirar aquela senhora Invisível, mas a sua admiração aumentou ainda mais um dia em que descobriu tão distinta senhora a afagar um pequeno carneirinho que se perdera da sua mãe, não descansando enquanto não a encontrou. 

No espírito de Nirvana, o sonho de conhecer o mundo além de Jutreicós começou a crescer. Quando o dia em que a caravana iria embora se aproximou, a tristeza instalou-se no seu coração e no seu rosto. Habituara-se demais àquelas pessoas. Essa tirsteza, pouco habitual nela, não passou despercebida ao Grande Mestre. Há muito que ele esperava que ela batesse asas, e foi o que lhe disse nesse fim de tarde "Vai, voa, conhece o mundo, mas não te esqueças nunca do que aprendeste aqui."  Com lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto, Nirvana decidiu partir.  Falou com a Ti Jasmina para lhe fazer uns vestidos, e com o Ti Luis-Bom-Tom para lhe arranjar uns pares de sapatos novos. Arrumou tudo num saquinho de serapilheira e escondeu-se numa das carroças.

Andaram durante muitos e muitos dias, até que o ritmo da caminhada começou a diminuir. Espreitando, comeu uns bons quilos de poeira de tal modo a sua boca se abriu ao ver a casa cujos portões se abriam naquele momento. Uma mansão lindíssima, rodeada dos jardins mais bonitos que alguma vez vira. Não que tivesse visto muitos, verdade seja dita. Começou a duvidar da sanidade mental da senhora Invisível. Com uma casa como aquela, porque andava ela pelas montanhas e a dormir no chão duro? 

Sem ninguém dar conta, fugiu e escondeu-se na casa do jardineiro. Quando este a encontrou zangou-se (levava o seu nome Defensor muito a sério) e levou-a à presença da patroa. Mal se atrevendo a olhar para cima, ouviu a simpática voz da D. Invisível, como ficara conhecida:
- Esta não é a pastora campónia de Jutreicóis?
- Souês simês senhoraês.
- O que faz aqui a menina? Não devia andar a pastar as ovelhas? E fale-me português, que com tantos ês, daqui a pouco fico com as orelhas trocadas.
Nirvana contou-lhe a sua história, em como sonhava conhecer o mundo, e como tinha ficado cativada por ela e pelo seu staff.
- Ora, minha pequena - disse a D. Invisível - vieste ter ao sítio certo! Gaspaaar!! Organiza tudo!! Vamos dar uma grande festa aqui na mansão em honra da pastora! Mas não te posso apresentar como pastora! Raios!!! Vamos chamar-te  cof, cof, cof, Reencarnação. Nome chique tem de ter duas letras seguidas iguais.

Quase por magia, a mansão iluminou-se e num instante estava montado o cenário para uma grande festa! Os convidados começaram a chegar, nos seus lustrosos carros.

No seu novo vestido, muito discreto, demasiado discreto,  feito de flores (de certeza que com um jardim daquele tamanho, não iam dar pela falta de um canteiro), Nirvana foi apreciando quem chegava. Sentada na Cornélia, D. Invisível cumprimentava alegremente quem chegava.

Primeiro chegou um Ferrari amarelo, e de lá saiu um Enfant, com ar de Terrible, uma postura algo peculiar, causada por anos no garimpo, que num instante se atirou aos tremoços (ainda bem que ela guardara alguns nos bolsos).
Logo de seguida, chega uma Gaja, conduzida pelo seu motorista. No seu vestido, laranja e vermelho, tinha bordado um G, maiúsculo, claro está, trazendo debaixo do braço um tabuleiro de xadrês.
De seguida, um grande rebuliço, e toda a gente ficou a saber que se avizinhavam Complicações, Miss, de seu nome, apregoando que apenas tinha 24 horas para a festa.
Nada dada a complicações, chega de seguida a Izzie, logo acalmando o nervoso de toda a gente, dizendo take it easy!
Com ar pouco crédulo, chegou o escritor que dizia ter chegado ali por acaso, Céptico de apelido e Touro de nome. Instalou-se na Cornélia, observando atentamente enquanto escrevinhava num pequeno bloco.
Dos céus chegou uma nave, directamente de Marte, que aterrou após um duplo mortal, ao som de um belo solo de guitarra. Mais parecia a arca de Noé! Do seu interior, deslizando sorridente, desceu a Mariana Marciana.
Num fantástico TomCat, chegou Anira, logo seguida da S*, acabadinha de chegar duma noitada. Muito cansada, dizia ela, mas festas na mansão não se perdem.
De vermelho vestida e com uma carteira em forma de bola de futebol, chegou alguém que num instante se pôs a dançar, mas ao contrário. Canhota era o seu nome.
Com a malinha ao ombro e ar de viajante, chegou a Mjf, com as suas sábias palavras.
Numa bela carruagem, como obrigava o seu título de nobreza, chegou o Marquês de Sade, que logo tratou de rumar ao jardim e instalar a sua aparelhagem de som e pôr música no ar.
Saindo do seu recanto, onde passeiam os Suricates, Mário também não queria perder a festa. Boas conversas, bons temas, amigos e alegria eram motivos mais que suficientes para ser um bom momento. 
No aeródromo particular uma avioneta aterrou, e from the clouds a Girl apareceu.  Apressada, pois claro, pois da festa não queria perder nada.
De longo cabelo loiro e vestido azul turquesa, outra Mariana chegou. Barbie? Perguntou alguém. Barbie is a bitch darling foi a resposta que ouviu. 
Do Norte veio a E., que encontrou a Rita G pelo caminho. Arrastaram a Rainbow e entretiveram-se com Silly Talks.

Muitos mais convidados se seguiram. Não tivesse Nirvana sido distraída pelo staff e muito mais teria para contar!

Assim, espera ansiosamente que cada um dos convidados diga, de sua justiça, como encontrou a Mansão Jutreiquês!


terça-feira, 6 de abril de 2010

Memórias - O meu melhor amigo


Devia estar a preparar a apresentação que tenho amanhã, mas estou um bocadinho farta de ler e reler. Já sei que não adianta, vou estar nervosa de qualquer maneira. Por mais apresentações que faça, fico sempre nervosa até  começar a falar. Por isso, nada melhor que uma visita aos meus amigos blogosféricos. Ler o post do PB, no Aquele Bagacinho, fez-me pensar num grande amigo meu da infância (não, não foi no bagaço), o Perdido. 

O Perdido era um cãozinho, não sei de que raça, se é que a tinha, castanho-claro, que apareceu lá por casa. Pequenino, cheio de lama, magrinho que metia dó. Eu tinha seis anos e apaixonei-me perdidamente por aquela bolinha de pêlo. Não foi nada difícil convencer o meu Pai a ficar com ele, apesar da relutância da minha Mãe. Banho tomado, parecia outro. O nome não é muito original, mas na altura não me lembrei de outro. Tornamo-nos os melhores amigos. Onde eu ia, lá ia ele. Ele servia de tudo: almofada, cavalinho, companheiro de corridas e ai de quem me levantasse a voz! Ouvia logo um rosnar que começava baixinho e ia aumentando de tom. O meu Pai sorria, a minha Mãe não achava piada nenhuma (talvez porque era habitualmente quem mais rosnadelas ouvia).

Sou do tempo em que poucos escapavam a ficar sem as amígdalas, por isso, aos oito anos, lá tive direito à cirurgia (por acaso, acho que mas deviam devolver porque me fazem falta) e a três dias de ausência de casa.  Como não iam estar muito por casa, os meus Pais decidiram deixá-lo em casa  de uns familiares. Fugiu, e no dia seguinte foram encontrá-lo no quintal de nossa casa. Tinha percorrido os 8 km de regresso a casa. Durante o tempo que não estive em casa, o Perdido não comeu. Acho que foi aí que conseguiu conquistar o coração da minha Mãe. Mesmo sem relógio, ele sabia a que horas eu chegava da escola, e vinha para a porta esperar. Envelheceu mais depressa do que eu, mas mesmo velhinho, velhinho, era a minha mão que ele procurava. Outros cães houve lá por casa, mas nunca nenhum foi como ele. Se calhar, tal como há pessoas especiais, também há cães especiais. Foi, sem dúvida, dos primeiros a mostrar-me  o que é amizade e lealdade, e que os animais podem ser tão ou mais nossos amigos do que as pessoas.

By The Way LXVIII - Something Beautiful

Like a song that stirs in my head...


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esta Primavera...


Finalmente, parece que a Primavera resolveu dar o ar da sua graça e brindar-nos com um céu azul sem nuvens e um sol que começa a aquecer as nossas almas! Não sei se é só impressão minha, mas acho que as pessoas andam mais bem dispostas com o sol.

Apesar de atrasada, não falta, e cá está ela, com tudo o que implica. A Natureza é sábia, e todos os anos se renova. Ela sabe que nada é eterno, que é necessário renovar, renascer, crescer. Ciclos. Ciclos que se vão desenrolando uns a seguir aos outros, cada um com sua função, mas que se encontram interligados. Um não é possível sem o outro. Não é possível a Primavera, sem o Inverno que a antecede, infiltrando o solo com a água necessária ao posterior crescimento. Das sementes lançadas à terra por mão humana ou por ela própria, começam a nascer as flores, e o ciclo continua. Ela é capaz de levar para o ciclo seguinte apenas aquilo que interessa, deixando o resto para trás. Não se perde, mas transforma-se. 

É como me sinto neste momento. É o que eu quero neste momento. Deixar para trás tudo que não contribui para o meu crescimento, para a minha felicidade, tudo que me arrasta para baixo, num ciclo que se mantém sempre a andar sobre si próprio, onde já não identifico o princípio. Dele, levo o que aprendi, e o que não aprendi também. Porque as coisas só fazem sentido quando têm uma razão de ser, por mais pequena que seja. Porque somos o conjunto de tudo o que vivemos, que aprendemos, e do que, conscientemente, deixamos de viver também. Continuar, com a certeza que muito tenho ainda para aprender, tendo como única bagagem o pouco que já sei.

Hoje, faço minhas as palavras de Kobayashi Issa : Esta Primavera na minha cabana, absolutamente nada, absolutamente tudo.

By The Way LXVII - Do you believe?


Do you believe
In what you see
There doesn't seem to be anybody else who agrees with me
...................................................................

domingo, 4 de abril de 2010

Obrigada a todos!


Faz hoje um ano que nasceu esta casinha. Não fosse o meu amigo  Cyberider, um dos primeiros a ter paciência para o ler, referir o meu primeiro post num comentário recente, e não me lembraria deste facto. E agora?, perguntava eu, a mim própria, claro. Não sabia muito bem. Apesar de sempre ter gostado de escrever, apenas o fizera para mim. Se havia alturas em que me apetecia escrever, passava alturas sem escrever uma palavra. Agora, fico contente por ter esta minha casa. Foi através dela que fiquei a conhecer outras casas, que fui surpreendida por tantas casas de tanto valor.

Um ano de palavras, de coisas minhas, de pensamentos, de reflexões, de dúvidas, de disparates, de maluquices, de devaneios. Um ano em que, mesmo virtualmente, conheci muita gente fantástica. E é este o facto pelo qual me congratulo por este ano de blogue: pelas pessoas que "conheci". 
Muito obrigada aos que me aturam desde a construção desta casa,  os primeiros que aqui "caíram" e que por cá continuam, Cyberider, Gemini, Mimanora, Pepita, Marquês de Sade, JFDourado, E..., Soraia. 
Muito obrigada a todos que embelezam esta casa, que passaram a fazer parte dela, porque mais importante que a casa em si, é quem faz dela sua também.

Por isso, hoje quero agradecer, 
A todos que têm paciência para "me" ler,
A todos que me fizeram tão bem, por ler as suas palavras, em dias em que precisava mesmo de um pouco de luz,
A todos que me fizeram sorrir, rir, chorar, chorar de rir, e rir de chorar,
A todos que me fizeram pensar,
A todos que, pela sua opinião sincera, me mostraram pontos de vista diferentes,
A todos que me deram força, em alguns momentos menos bons que acabaram por se reflectir aqui,
A todos que me ajudaram a entender o que não entendia, através da sua opinião,
A todos que me demonstraram amizade,
A todos, porque não o posso dizer pessoalmente, vos digo: OBRIGADA!, de coração! :)

A blogosfera pode ser chamada de virtual e é-o, sem dúvida. Mas isso não significa que não seja real. Porque é. Aprendi muito por aqui. E agradeço-vos por isso. Por trás de cada virtualidade está uma realidade, uma pessoa real. Estas pessoas virtuais acabam por fazer parte do nosso mundo, que é real. Algumas acabam por o fazer literalmente, e foste, sem dúvida uma das melhores pessoas que conheci, Maria Invisível!

OBRIGADA A TODOS!

 Não há bolo. Lamento, mas tenho de zelar pela vossa saúde e já devem ter comido amêndoas, pão de ló e doces que chegam para um mês!

sábado, 3 de abril de 2010

Amanhã...



     Amanhã...
    Amanhã faço...
    Amanhã vou...
    Amanhã digo...
    Amanhã dou...
    Amanhã decido...
    Amanhã construo...
    Amanhã sonho...
    Amanhã vivo...
    Amanhã!

     E hoje?
    O que fiz hoje?
    Onde fui hoje?
    O que disse hoje?
    O que dei hoje?
    O que decidi hoje?
    O que construí hoje?
    O que sonhei hoje?
    O que vivi hoje? 
    Hoje?

Hoje, apenas pensei no amanhã. Não no amanhã que já é hoje, mas num amanhã. Num amanhã mais ou menos distante, num amanhã que não chegará enquanto não decidir fazer do amanhã, hoje. Porque amanhã é apenas um lugar para onde os pensamentos fogem, onde os medos se refugiam, onde a vida não acontece. Porque a vida, a vida é aquilo que acontece enquanto  fazemos planos. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sem comentários...



- Viste, Mamã, nem teve a racionalidade de dizer obrigada. (O sr. Prozac adora armar-se com palavras "caras")
Isto aconteceu depois de ele ter ficado à espera, a segurar a porta da rua para a minha vizinha simpática, que parece que engoliu um garfo, entrar. Nem obrigada, nem meio obrigada. Nem ao menino, nem a mim, que entretanto segurava a porta do elevador. 

Mas não é caso único. A palavra obrigada(o) está cada vez mais em desuso. Assim como a boa-educação, a delicadeza. Não sei bem porquê, mas a verdade é esta. Quando os próprios adultos dão exemplos destes, não é de estranhar ver crianças a protagonizar situações que, a meu ver, são tristes.

Com este solinho tão bom, nada como ir dar uma volta com o filhote. Passar perto do parque infantil é sinónimo de umas passagens na corda e no escorrega. Ficamos pouco tempo por lá. Estavam lá dois miúdos, um devia ser da idade do Prozac, e outro mais novito. A "conversa" entre eles resumia-se a umas poucas palavras de português, intercaladas com muitas asneiras:

- Anda pá frente com essa m****.
- F***-**, pá, p'éraí!
- Bamos andar naquilo.
- Aonde?
- Anda, ó boi!

As duas senhoras que estavam lá, presumo eu, deviam ser as mães ou pelo menos estavam com os miúdos. Continuaram em amena cavaqueira, como se fosse a coisa mais natural do mundo duas crianças terem esta linguagem e dizerem "anda, ó boi". Fiquei a olhar para aquilo incrédula. Nem tanto pelas crianças, mas por ver os adultos impávidos e serenos sem as chamarem a atenção. Será que sou eu que exagero? Confesso, as palavras este mundo está perdido passaram-me pela cabeça!