quarta-feira, 31 de março de 2010

Conchas e Caracóis


Não somos muito diferentes dos caracóis*. Não, não estou a falar da lentidão ou do facto de terem antenas, mas sim da sua reacção ao perigo. Os caracóis, quando se sentem ameaçados ou quando se sentem magoados, recolhem-se na sua concha. Tornam-se invisíveis (acham eles). Exibem a sua carapaça e julgam estar muito seguros. Nós, quando nos magoamos, recolhemo-nos em nós e, na ausência de uma carapaça física, construímos a nossa, muitas vezes imperceptível aos outros, mas perfeitamente visível para nós, porque a sentimos. Decidimos colocar-nos à margem, até porque não nos queremos magoar novamente. 

Tal como o caracol, que acha que a sua concha é muito forte, capaz de o proteger de qualquer perigo, também nós temos essa ilusão. Achamos também que, com o tempo, essa concha se vai tornando cada vez mais  dura, mais resistente. Mas afinal, todos sabemos como é frágil a concha do caracol e com que facilidade pode ser esmagada. 

* Ou seja, sou um caracol!

Como nasce um boato

Uma imagem vale mais que palavras:


terça-feira, 30 de março de 2010

By The Way LXVI


Don't be afraid
Open your mouth and say
Say what your soul sings to you 
..........................
And so make your choice joy
The joy belongs to you
And when you do
You'll find the one you love is you
You'll find you
Love you
..................................

segunda-feira, 29 de março de 2010

Porque não é todos os dias...


Um dos meus defeitos é gostar de ter razão. Quando não tenho, reconheço, não sou inflexível, nem teimo quando vejo que estou errada, mas muitas vezes custa-me admitir, até mais para mim do que para os outros, que estou errada.

Por isso, numa altura em que tantos valores são postos em causa,  desacreditados, sendo tantas vezes questionada a sua veracidade, fico muito feliz por ter razão. Por ter razão em achar e acreditar que é possível existir amizade verdadeira, daquela que torna a nossa vida mais simples, mais rica, mais bela. Sim, é muito bom ter razão!!

Apesar de ser uma palavra, a Amizade dificilmente se consegue traduzir em palavras. Eu vejo a amizade como se fosse uma flor ao contrário. Existe o centro, que é aquele sentimento de empatia, de afinidade, que temos por alguém, à volta do qual vamos colocando as pétalas, que são os momentos partilhados, os pequenos gestos, os risos, as lágrimas, o sentimento de bem-querer, de preocupação, de carinho, e tantos outros que vamos construíndo no dia a dia. As pétalas tornam essa flor mais bonita, e ao mesmo tempo protegem o centro, permitindo que esse sentimento inicial de empatia cresça e se transforme num sentimento maior, de irmandade. Deste centro vai sair o caule, que vai fazer com que essa amizade possa crescer e elevar-se acima da banalidade e do vulgar conhecimento. Finalmente, em cada momento de formação de qualquer parte da flor, vai nascendo um pequeno ramo da raíz, que vai permitir a essa flor encontrar o seu próprio lugar, o seu próprio solo, onde pode criar e assentar as suas raízes, sem medo de as partir. 

E, de vez em quando, cruzam a nossa vida pessoas que são verdadeiramente especiais. Que nos fazem acreditar que realmente existem sentimentos sinceros e desinteressados. Que nos aceitam como somos, que gostam de nós mesmo como somos. Que nos fazem sorrir e acreditar em coisas boas. Pessoas que são seres humanos lindos. Que nos fazem sentir um bocadinho mais "normais" porque tal como nós, também acreditam nas coisas simples da vida. Também acreditam na Amizade. Pessoas que trazem cor à nossa vida. Apesar de falar no plural, não são assim tantas essas pessoas. Também não precisam de ser muitas, precisam apenas de ser verdadeiras. Por isso, Maria Invisível, obrigada por seres uma dessas pessoas.

domingo, 28 de março de 2010

A caminho do Nacional


Sei que sou uma mãe babada até mais não, e ontem, mais uma vez, fiquei muito orgulhosa do meu filhote. O objectivo era ser apurado para o campeonato nacional de karaté. Ia ser difícil para ele se não fosse apurado, depois de treinar tanto. Mas, não só foi apurado, como ficou em primeiro lugar, sendo o novo campeão regional Norte no escalão Infantil. 

Uma manhã de stress para a mãe. Além de saber que eles estão nervosos, o que muitas vezes faz com que se atrapalhem, basta um pequeno desequilíbrio, uma hesitação, para serem eliminados. Os elementos do júri também têm muitas vezes preferência por este ou aquele estilo de karaté, e entre duas exibições equilibradas, dão preferência a esse estilo. Oito pools. Ganhar a pool dele, depois as eliminatórias com as outras pools.

Mais do que ter ganho, fiquei orgulhosa por ver a evolução dele. Desde que começou a ir aos torneios, há cerca de um ano e meio, "cresceu" imenso. A postura, a atitude, o empenho, a técnica. Não sendo uma criança muito grande, em termos físicos - é quase sempre o mais pequeno - ele cresce em atitude quando entra na pool. Começa a levar aquilo um pouco a sério demais.  Nos intervalos já não brinca, treina. Arrisca katas mais difíceis. A expectativa cresce. Agora sonha em ganhar o Nacional, em Abril.  Não vai ser fácil. Lá vão estar os primeiros classificados dos Regionais, ou seja, os melhores.  Mas, quem sabe?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Caminhos errados



É assim tão difícil aceitar que viver é constantemente construir, e não derrubar? Que esse caminho prolongado implica cometer erros e que não ver esses erros,  camuflá-los e distorcê-los é o pior erro que se pode cometer? Que para que o restante da construção não seja ameaçado é necessário corrigi-lo e eliminá-lo?

Reconstruir pode ser doloroso. É necessário aceitar novas verdades, equacionar  novos valores e conceitos, e principalmente, admitirmos que estávamos errados. Mas errar não é o erro. O erro é não ver que se errou. O erro é cometer sempre o mesmo erro.  Não vale a pena  reconstruir usando o material que estava danificado recoberto por uma nova capa.

Construir o nosso caminho não implica derrubar o do vizinho. Os caminhos correm paralelos, cruzam-se, mas cada um tem o seu. Um caminho constrói-se dia a dia, e quem cruza o nosso caminho e nos vai conhecendo, sabe como ele é, se é feito a direito ou com curvas sinuosas. Cada um tem o seu estilo particular, as suas características, qual arquitecto que assina a sua obra.  Querer limpar o nosso caminho sujando o dos outros é uma ilusão temporária, porque esse outro caminho tem há muito a assinatura do seu autor. Preocuparmo-nos com o caminho dos outros, vota o nosso ao abandono. Tentar sujar o caminho do outro, retirar-lhe a beleza, sofrerá um dia o efeito do vento, que devolverá o seu a seu dono.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Desafio Global

O desafio foi-me transmitido pelo TT do blogue Non-Sense.

Apelar a todos que espalhem este DESAFIO GLOBAL. Colocar o "banner" do EARTH HOUR no blogue e juntarmo-nos a um movimento global que diz respeito a todos. Esta é das maiores iniciativas mundiais e vai ocorrer Sábado às 20.30. 

A ideia é passar a palavra, e, através de um desafio global, inundar a blogosfera com a mensagem. 


Adiantará alguma coisa se o fizer? Talvez sim, talvez não.
Adiantará alguma coisa se não o fizer? Com toda a certeza que não.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Afinal não está doente!!

 
 
Há algum tempo que ando para levar o carro à oficina. Achava que ele devia estar com um problema gravíssimo que incluía a dilatação e aumento do tamanho do depósito. De semana para semana estava mais comilão, mais euritos eram precisos para encher o depósito. 

Será que está com a mania das grandezas e agora pensa que é um Cayenne?
Será que é um camião que apanhou demasiada chuva e mingou, mantendo a mesma fome?
Será que está gravemente doente e precisa de uma cirurgia tipo banda-depósito?

Felizmente para o carro e infelizmente para mim, nada disto se passava. De facto, o que se passa é isto:



Não, não tenho alternativa de transportes públicos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Gestão ou Desumanização?



Há coisas que me custam a perceber. Não percebo nada de gestão, absolutamente nada. Pergunto-me apenas se as pesssoas que são colocadas em lugares de chefia, com funções de gestão, não deveriam estar vocacionadas também para olhar para o lado humano.

A E. foi uma senhora (na verdade tem só mais cinco anos que eu) que cruzou a minha vida há cerca de dois anos. A E. trabalha no  CRPCP - Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral do Porto há muitos anos. Por ela, tive contacto com esta realidade, que não conhecia.  Celebraram o ano passado o 30º aniversário, com pessoas que trabalham lá desde o primeiro dia. E "miúdos" que estão lá há muitos, muitos anos.  Além do trabalho diário, de reabilitação, era evidente o carinho e a cumplicidade entre profissionais e doentes, desenvolvida ao longo de anos. Fiquei maravilhada com o trabalho por eles desenvolvido e comecei a ir a alguns eventos do Centro, nomeadamente exposições de trabalhos, eventos desportivos, apresentações de música e dança para o público. 

No ano passado tiveram, na minha opinião (desde que os conheço) um dos melhores momentos com a apresentação dum espectáculo extraordinário na Casa da Música, protagonizado por pessoas com paralisia cerebral e outros utentes do Centro, juntamente com músicos e bailarinos profissionais. Um  trabalho fascinante, englobando música, teatro e dança. Tanto empenho, tanta força de vontade, passando o testemunho de pessoas com necessidades especiais dispostas a viver com arte e alegria. Depois do espectáculo fiquei sentada no lugar, à espera da E., e encantada com o brilho nos olhos, o ar de felicidade daqueles "pequenos" grandes artistas. Meses e meses e meses de preparação, de dedicação de parte a parte.

O CRPCP é frequentemente visitado por profissionais estrangeiros para estágios. Um local de referência. Laços e trabalho desenvolvido ao longo de anos. Profissionais que conhecem como ninguém as pessoas que dia após dia fazem daquela a sua casa. Em que estes as conhecem também e esboçam um sorriso ou estendem os braços quando os vêem. Um projecto válido, importante, que funciona.

Por isso é que não entendo PORQUE TEM DE SE ESTRAGAR O QUE FUNCIONA BEM? O esquema administrativo mudou, as chefias mudaram. E pessoas que trabalhavam ali há anos foram transferidas para outros locais, outros serviços, sendo substituídas por novos profissionais. Deixaram projectos a meio, deixaram pessoas a meio. Sem opção. Vão para outros locais trabalhar, sem a mínima motivação, revoltadas por virarem costas a anos de trabalho e sentimentos. E os "miúdos" têm de se adaptar a novas caras, a quem não os conhece, a quem não sabe quem eles são.

Dos profissionais "antigos" restam dois. Um deles é a E., que se sente perdida e ao mesmo tempo com o receio diário de a mandarem para outro local de trabalho.

Gestão? Renovação? Inovação? Inovação era praticada diariamente. Mas será que se trata de gerir super-mercados em que se mudam as prateleiras de sítio? Ou apenas uma total insensibilidade? Fico-me pela última hipótese. E é triste!

segunda-feira, 22 de março de 2010

By The Way LXV - Começar bem


Dizem que o que começa bem tem maior probabilidade de acabar bem. Não sei se será bem assim, mas parece-me um bom princípio e tentar não custa. Começar a semana cansada, depois de um fim de semana em que descanso foi palavra inexistente, adivinhando mais uma semana em que o trabalho vai ocupar quase todas as horas dos dias, não é muito animador. Ao contrário desta música, que tem sempre o condão de melhorar a minha disposição e de me fazer sorrir :).

sábado, 20 de março de 2010

Está a chover? Que importa?




Está a chover??  Que importa?

A vida não é esperar que passe a tempestade. A vida é dançar debaixo da chuva!

** BOM FIM DE SEMANA **
E FAÇAM FAVOR DE SER FELIZES!!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Para pessoas inteligentes, pessoas criativas


As pessoas cujo trabalho passa por atender pessoas, nem sempre têm dias fáceis.  Não generalizando (porque, tal como acontece com os bifinhos que vêm da vaquinha uns são tenrinhos, bons, e outros parecem borracha,  funcionários bons e maus há em todo o lado) por vezes têm de ter uma paciência de santo. Há sempre este ou aquele que se acha superior, que acha que tem mais direitos, que acha que deve ter tratamento especial, que não valoriza o trabalho de quem está do lado de lá do balcão, a dar o seu melhor. E principalmente que não faz uso da boa educação. Falta de educação é daquelas coisas que me conseguem irritar. Assim como arrogância e "reis na barriga".

Nem sempre há a presença de espírito para responder de modo criativo, sem perder apostura e sem alterar o tom de voz. Não foi o caso desta funcionária da TAP, no aeroporto de Lisboa:

Um voo da TAP foi cancelado. Uma única funcionária estava no balcão de atendimento e tentava resolver o problema com uma longa fila de passageiros à sua frente. De repente, um indivíduo irritado passou por toda a fila, atirou o bilhete para cima do balcão e disse:
- Eu tenho que ir neste voo, e tem que ser em Primeira Classe.
A funcionária respondeu:
- O Sr. desculpe, terei todo o prazer em ajudá-lo, mas tenho que atender estas pessoas primeiro, pois estão pacientemente na fila, há algum tempo. Quando chegar a sua vez, farei tudo para poder atender o seu pedido.
Irredutível, o passageiro disse bem alto para que todos os que estavam na fila o ouvissem:
- Você, por acaso, faz alguma ideia de quem eu sou?
Sem hesitar, a funcionária sorriu, pediu licença, pegou no microfone e anunciou:
- Atenção, atenção, por favor!!!
A sua voz ecoou por todo o terminal, e ela continuou:
- Encontra-se junto deste balcão um passageiro que não sabe quem é, devendo estar perdido! Se alguém for parente, responsável pelo mesmo, ou puder ajudá-lo a descobrir a sua identidade solicitamos que compareça no balcão da TAP. Muito obrigada!
- ...... a resposta do senhor tem muitos #%&@  e @£$%£....

Sim, deveria haver mais funcionários. A funcionária que estava lá a trabalhar, sozinha, com toda a certeza agradeceria alguma ajuda. Sim, o senhor até podia ter assuntos urgentíssimos, estar num stress só, mas se tivesse sido educado e tivesse falado com bons modos, com educação, provavelmente teria encontrado compreensão e um melhor resultado.  

quinta-feira, 18 de março de 2010

Reset vs Delete


O que complica a nossa condição de seres humanos,  é a nossa capacidade de pensar, de sentir, de pensar o sentir e sentir o pensar. Também é isso que nos torna humanos. Pelo menos a alguns de nós. Não agirmos sempre como confirmação do reflexo pavloviano de causa-efeito. Não fosse este pequeno pormenor, e tudo seria mais fácil. 

A informática, por exemplo, é complexa. Não a minha informática, claro, mas a informática dos génios que elaboram os programas e descobrem estas coisas todas que depois nós só usamos. Mas, dizem, é simples. Linguagem matemática. Há duas funções no computador que, embora por vezes tenham o mesmo efeito, são completamente diferentes. Reset e Delete.

Reset implica recomeçar. Quando o computador bloqueia, quando lhe dá um vaipezito, quando tem actualizações a fazer. Por vezes fazemos reset voluntariamente, por vezes não temos opção. Mas fazemo-lo sempre com a esperança que o que fizemos, o que estávamos a fazer, não desapareça da memória do computador. Rezamos aos santinhos todos para que aquele trabalhinho não tenha desaparecido. Enquanto ele recomeça, ficamos de olhos pregados ao écran e suspiramos de alívio quando o trabalho se salvou. Porque, embora tenhamos que recomeçar, queremos guardar o que fizemos.

Delete implica apagar. Fazer desaparecer. Excepto quando carregamos na tecla por engano, é uma acto deliberado. Seleccionamos o que queremos apagar e apagamos. Se foi por engano que o fizemos, vamos à reciclagem. De outra forma, vamos à reciclagem e eliminamo-lo para sempre. Até porque a reciclagem começa a encher, a memória a ficar cheia de informação que não interessa, e o computador a ficar mais lento. 

Se o reset implica esperança, o delete implica perda. Se o reset significa que, embora seja para ficar arquivado, queremos fazê-lo porque queremos guardar na memória aquela página, não queremos perder o seu significado, o delete significa que nada ficou, nem queremos que fique.

Reset? Delete? Hesitamos muitas vezes. Não gosto do delete. Não gosto mesmo nada. Mas se ele existe, é por algum motivo, digo eu. Talvez a vida precise mesmo de um botão Delete.

quarta-feira, 17 de março de 2010

By The Way LXIV - Pearl Jam


I wish i was an alien
at home behind the sun

Capacidade de síntese!



Desço a Rua

I
Desço a rua.
Há um buraco fundo no passeio.
Caio.
Estou perdida... Estou desamparada
A culpa não é minha.
Levo uma eternidade a sair de lá.

II
Desço a mesma rua.
Há um buraco fundo no passeio.
Finjo que não o vejo.
Caio lá outra vez.
Não posso acreditar que estou no mesmo sítio.
Mas a culpa não é minha.
Ainda levo muito tempo a sair.

III
Desço a mesma rua
Há um buraco fundo no passeio.
Vejo que está lá.
Mas ainda caio lá dentro... É um hábito...
Tenho os olhos abertos
Sei onde estou.
A culpa é minha.
Saio imediatamente.

IV
Desço a mesma rua.
Há um buraco fundo no passeio.
Passo ao lado.

V
Desço outra rua.

Portia Nelson, Autobiography in five short chapters

terça-feira, 16 de março de 2010

A realidade do virtual



As melhores coisas são tão simples que não se podem explicar. Como a amizade, por exemplo. Não se explica, simplesmente acontece. Pode acontecer nas situações mais inesperadas. Pode acontecer em qualquer altura e em qualquer lugar. Mesmo neste mundo virtual. Penso que acontece um pouco com todos, habituamo-nos à presença das pessoas neste nosso pequeno mundo. Acabam por se criar laços. Tratamos as pessoas pelo nome, mesmo sendo um nome muitas vezes virtual, aquele nome é aquela pessoa. Aquela pessoa que em cada post seu ou em cada comentário nos acrescenta algo, nos faz sorrir, nos faz reflectir, nos faz sentir carinho e amizade nas suas palavras.

Mas este mundo virtual é apenas a superfície do mundo real. Por trás de cada palavra, de cada post, está uma pessoa. Real. Pessoas pelas quais vamos desenvolvendo respeito, amizade, afinidades, pessoas que, de certa forma, vamos conhecendo, que passam a fazer parte da nossa vida.

Passar do virtual para o real pode parecer estranho. Ou não. Na verdade, não foi nada estranho, pelo contrário, foi o constatar que as afinidades virtuais não são diferentes das reais. A única diferença é que em vez do écran de um computador, existe uma pessoa. Penso que o pior pensamento que nos pode ocorrer é a possibilidade de a pessoa virtual ser muito diferente da pessoa real. Correr o risco ou não é uma opção. Algo me dizia que não me ia desiludir. E foi assim que conheci a Senhorita Invisível, que se revelou uma surpresa muito, muito positiva. Com o sol como companhia, passamos uma tarde em amena conversa, como se nos conhecessemos há muito tempo. A mim, surpreendeu-me a facilidade com que a conversa fluiu. Surpreendi-me a mim própria, porque habitualmente não sou muito faladora enquanto não conheço as pessoas. Descobri uma pessoa fantástica, que encara a vida com um sorriso e uma vontade enorme de ser feliz e levar felicidade aos outros, que valoriza as pequenas coisas da vida, como o valor de um abraço. Descobri uma pessoa que tem perfeita noção do mundo real, e que, tal como eu, gosta de sorrir e de uma boa gargalhada, e de encarar a vida com o que muita gente chama "loucura" mas que eu chamo alegria de viver.

Depois de um final de semana terrível, em que não sei onde arranjei tempo para respirar, terminei o fim de semana com um sorriso e a certeza que esta tarde foi apenas o início de uma amizade real.

Senhorita Invisível, muito obrigada pelas dores de barriga com que fico ao lê-la e a escrever comentários em Jutreiquês, pelas costelitas que me partiu com esse abraço, por me deixar entrar na sua humilde mansão, mas principalmente, querida Amiga, obrigada pelos sorrisos, pela amizade, por aquela força!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um dia...


Um dia fui aquela menina que imaginou milhares de coisas e pensou em tudo o que se poderia tornar um dia.
Um dia, tive a ilusão que tudo era possível.
Um dia, tive o momento em que podia ou não tornar esses sonhos realidade.
Um dia, tomei decisões certas.
Um dia, tomei decisões erradas, umas vezes acreditando que estavam certas, outras em que a única coisa certa era a esperança de não estar errada.
Um dia, vi alguns dos meus sonhos ruírem e nada deles restar, excepto pedaços de vida que acabaram por se perder na memória.
Um dia, quis pedir à lua que brilhasse só para mim. E pedi.
Um dia, quis agarrar a vida, embrulhá-la e guardá-la, de tão perfeita que era, na mais bela caixa, para que nunca se gastasse ou mudasse.
Um dia, descobri que não há problemas sem solução, mas também não há palavras milagrosas para ultrapassar as dificuldades.
Um dia, descobri que apenas eu posso fabricar e usar as chaves que abrem as portas no meu caminho.
Um dia, descobri que a mesma chave não abre duas portas, por mais parecidas que sejam.
Um dia, descobri que o meu caminho depende unicamente do meu esforço e da minha confiança.
Um dia descobri que existe uma grande diferença entre o imaginar e o realizar. Que a imaginação pode ser uma prisão, se me esquecer de realizar.
Um dia, descobri que o importante não é onde estou mas sim como estou. Porque o que verdadeiramente conta é o que temos cá dentro. 
Um dia, descobri que a vida corre depressa demais e que tenho uma dívida para comigo própria: Ser eu em cada instante. VIVER!

quarta-feira, 10 de março de 2010

By The Way LXIII - A Good Day

Muitas vezes transformar um dia que tinha tudo para não ser grande coisa num dia bom, depende só de nós.
Vale a pena ouvir a música.


terça-feira, 9 de março de 2010

Porque a vida acontece



Não sei se já vos aconteceu, mas a mim já. 

Um problema, de matemática por exemplo, para resolver. Lemos aquilo mil vezes, tentamos várias soluções, fazemos e desfazemos equações, riscamos, apagamos, tornamos a fazer, tornamos a apagar, mas não encontramos a solução. Teimamos e teimamos. Ficamos ali às voltas. Voltas e mais voltas, até ficarmos zonzos. Acabamos por parar, temporariamente. Deixar aquilo de lado e ir respirar um pouco. Esquecemos, tiramos aquilo do pensamento, por mais ou menos tempo. Depois, quando menos esperamos, quando nem estavamos a pensar nele, eis que, de repente, surge a solução, em segundos, vinda do nada. Por vezes até ficamos admirados com a sua simplicidade. 

Quanto tempo perdemos com questões e problemas cuja solução não encontramos? Centramo-nos nesse problema, somos completamente absorvidos por ele. Queremos e esperamos um resultado. Quanto mais pensamos nele, maior nos parece. Aumenta a sensação de impotência e  a incapacidade para o resolver. Até porque muitas vezes nada podemos fazer para o resolver. Não naquele momento. E se calhar durante algum tempo. E isto ocupa as nossas queridas célulazinhas cinzentas até à exaustão, preocuparmo-nos com coisas acerca das quais nada podemos fazer. A não ser esperar, porque mais cedo ou mais tarde a solução acaba por aparecer. Porque a vida acontece. 

segunda-feira, 8 de março de 2010

Um Brinde a nós. Mulheres


Disse que não gosto muito dos dias de... pela hipocrisia que muitas vezes gera. Celebrar o dia da criança e durante o resto do ano inflingir-lhes maus tratos, etc, etc. Mas eu gosto, todos os dias, de ser mulher!

Hoje é (está a ser) um dia como outro qualquer. Segunda-feira. Dia de trabalho. Pior: dia de trabalho chamado segunda-feira. Nós, Mulheres, neste cantinho à beira-mar plantado, passamos este dia de diferentes formas. Algumas nem se deram conta do dia. Talvez algumas tenham recebido flores. Talvez algumas tenham recebido um presente. Talvez algumas tenham ouvido uma frase, um elogio à sua condição de mulher. Talvez algumas tenham almoçado ou vão jantar com outras mulheres, afastando-se por um dia do fogão. Algumas não ligam a este dia. Algumas acham-no um ultraje, um elemento de discriminação. Algumas celebram-no, ou não fosse o seu dia.  Somos todas diferentes. Mas somos todas Mulheres. Mulheres com opções de escolha. Mulheres que saem de casa de cabeça e cara destapada. Mulheres que podem afirmar a sua opinião. Mulheres que podem argumentar em pé de igualdade com os homens. Mulheres que são respeitadas pelos homens como suas iguais, em termos de direitos e deveres. Mulheres com direitos. Mulheres com direito de dizer sim e não. Em muitos sítios, longe deste cantinho à beira mar plantado, muitas Mulheres não podem fazer nada disto. Não podem falar sequer. São subjugadas todos os dias, não têm opinião, não têm escolha,  não têm direitos, não são iguais. Pudesse este dia fazer alguma diferença nas suas vidas!

Hoje, faço um brinde. Um brinde a todas as Mulheres, com a esperança que todos os dias sejam dias em que nos possamos orgulhar de ser Mulheres.

By The Way - Dia Internacional da Mulher


Não sou propriamente muito fã dos dias disto e daquilo, excepto quando são feriados, principalmente às segundas e sextas feiras. 

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Como todos os dias do ano, pelo menos para mim. Não me lembro de nenhum dia em que tenha sido homem, por isso, são mesmo todos.
Poderia dizer mil e uma coisas sobre ser Mulher, ser Mulher hoje, como a Mulher lutou, o que a Mulher conquistou, encher páginas e páginas. Mas, é segunda feira e preciso mesmo é de acordar!! (Quem diz que dormir muito tira o sono está um pouco equivocado, ou então é só impressão minha.)

domingo, 7 de março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

By The Way LXII


Quando era miúda, diziam-me que, se gostasse muito de uma coisa e pedisse muito, realizava-se. 

I LOVE THE SUN!! I LOVE THE SUN!!  I LOVE THE SUN!!  I LOVE THE SUN!!  Deixa de ser tímido, sim???
E gosto desta música. Lembra FÉRIAS!

Desafio


Como hoje estamos numa onda de coisas só para meninas, aproveito para responder a um desafio que andava por aqui atrasado.

 

1. Qual a sua marca de maquilhagem nacional preferida?
    O bronze no Verão.

2. Qual a sua marca de maquilhagem internacional preferida?
    Guerlain.

3. Qual o seu perfume predileto? 
    Week end e Midnight Rain.

4. Esmalte nude ou colorido?
   Colorido, a maior parte das vezes.

5. A melhor compra de cosméticos/maquilhagem?
   Um bom creme hidratante.

6. Pior compra de cosméticos/maquilhagem?
    Não faço ideia. Talvez a que não é precisa!

Passo o selo aos blogues:
Todos os que leio e passam por aqui.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Post SÓ para meninas. Desafio da Soraia :)


A minha querida Soraia desafiou-me, após um comentário meu. Demorei um pouco a responder ao desafio. Várias coisas se passaram, e foi ficando sempre para amanhã. Mas, o prometido é devido, por isso, e como pela boca morre o peixe, cá está. 

Falávamos de compras e moda. Confesso que adoro umas comprinhas, de comprar uns trapinhos novos e sandálias nem se fala. O Verão então é uma desgraça! Não sou muito fã de saias, mas vestidinhos no Verão já têm o meu voto. 

E por aqui a roupa dura, e dura, e dura. Em cada estação lá passo uma revisão e ponho de lado o que já não uso. Geralmente dou-a, porque está praticamente nova, mas há algumas peças que vou guardando. Até porque isto da moda volta meia volta vai dar ao mesmo sítio. Não tenho um museu em casa, mas tenho algumas peças de roupa com uns anos valentes, que continua perfeitamente "vestível", embora não as use muitas vezes.

As saias não fazem parte das minhas compras preferidas, principalmente as saias mais "direitinhas", que infelizmente tenho de usar de vez em quando para ficar com ar de senhora, por isso, são as que menos se gastam. E esta, que a Soraia me desafiou a mostrar tem mais de, digamos, uma década e meia. Inicialmente era às pregas, depois, e porque as pregas já tinham passado de moda, foi reformulada, um corte mais direito e cintura baixa. Pensando bem, é a única saia direitinha que tenho, por isso, acho que a vou continuar a guardar, porque enquanto esta durar, não tenho de comprar outra.

By The Way LXI - Weekend

I can't wait for the weekend to begin...
Acho que devia haver dois fins de semana em cada semana!

quinta-feira, 4 de março de 2010

.......................



Há quem tenha medo de mergulhar. Perigoso, dizem. Mas não é o mergulho que nos mata, mas sim permanecer debaixo de água. Sem uma botija de oxigénio. Muitas vezes, o mergulho parece-nos irresistível. A água cristalina lá em baixo, convida. O gosto pela aventura também. Cada mergulho é uma aventura! O que encontramos debaixo da superfície azul é sempre diferente, mesmo quando mergulhamos cem vezes no mesmo sítio. Porque o fundo do mar, tal como nós, também muda. E é isso que faz com que o mesmo acto seja sempre diferente.

Tal como quando mergulhamos, a imprudência não é a melhor amiga. Primeiro, há que avaliar o equipamento, ver se está tudo em ordem, para não sermos surpreendidos por situações menos boas. Avaliar se temos tudo o que é preciso. É o que devemos fazer na vida também. A nossa botija, neste caso, está cheia com tudo o que somos, o que aprendemos, o que nos tornamos. É ela que nos vai manter com níveis de oxigénio aceitáveis. Quando este começa a faltar, as ideias começam a ficar confusas, o raciocínio tolda-se e aí temos duas opções: ou nos deixamos ir e acabamos como fósseis ou comida para os peixinhos, ou vimos à superfície. Depois, já com mais um nívelzinho na botija de oxigénio, com mais um saber, decidimos se voltamos ou não a mergulhar.

Nem sempre é seguro, muitas vezes não sabemos o que vamos encontrar e, por muito bom que esteja o equipamento, chegamos à conclusão que  afinal ainda não tinhamos o que era preciso. Mas, se ficarmos na margem, na escarpa, a olhar, apenas podemos imaginar como será. Embora a imaginação seja uma coisa fantástica, nunca será igual à realidade, pois não?
 

quarta-feira, 3 de março de 2010

Imagens que falam por si


Para desanuviar um pouco, e para quem acha que, por cá, não se respeita a natureza! (imagens recebida por e-mail)



Capítulo encerrado


There comes a point in your life when you realize who matters, who never did, who won't anymore, and who always will. So don't worry about people from your past, there's a reason they didn't make it to your future...

Virar páginas não é fácil, principalmente quando essas páginas foram escritas com amizade e dedicação. Fica a satisfação de terem sido escritas assim. Para mim, páginas que valeram cada letra, cada palavra, cada frase. Que não foram páginas vazias. Aí sim, seria razão para ficar triste. Ter um livro cheio de páginas vazias. As minhas estão cheias de palavras com significado, escritas por mim e escritas por quem cruzou a minha vida. De momentos que valeram a pena, porque todos os momentos valem a pena. Se soubermos como fazê-lo.  Se quisermos. Têm também frases, e páginas inteiras riscadas. Erros. Algumas tiveram direito a adendas, outras não passaram de rascunhos. Mas nenhuma foi arrancada, por vergonha das letras que continha. 

As páginas viram-se, mas não se apagam, e é cada uma dessas páginas que nos define. Não queremos um livro pela capa. Queremos um livro pelo seu conteúdo. De pouco vale uma capa bonita quando o conteúdo é desprovido de sentido. Cada pessoa tem neste livro um lugar especial, um capítulo em aberto, onde vou escrevendo cada dia. Alguns capítulos foram encerrados, por não haver mais nada a acrescentar. Encerro hoje mais um. Provavelmente deveria tê-lo encerrado mais cedo. Haverá quem lhe chame teimosia, quem lhe chame fé, quem lhe chame burrice. Eu chamei-lhe amizade. Não gosto de encerrar capítulos, demoro o meu tempo. Até aquela sensação de que seria possível escrever mais qualquer coisa desaparecer.  

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mãe SOFRE!! Ou talvez não...


Sempre que posso, vou buscá-lo cedo e vamos lanchar. Hoje quis levar a mochila. Estranho!!

- Para que é a mochila P? Só vamos lanchar e vamos embora.
- Tens de assinar os testes, Mamã.
- Tira só os testes, filhote. Carregar com aquela mochila de 3 toneladas é obra!
...........
- Vê, Mamã!!
- Deixa-me só sentar! Ok, então, como correu?
- :D. Vê!! :):):):)
..........
- Parabéns, meu amor!! Tudo MB! Abraço grande, e mais outro e outro e outro...
- Acertei tudo em Estudo do Meio! 
- Tudo certinho! Neste exercício de matemática não leste o problema todo, pois não? Gosta de ser rápido e por vezes lê o início do problema e esquece-se de ler o resto, porque pensa que sabe o que se vai perguntar.
- Não, pensei que era quanto dava tudo e não quanto sobrava. Viste a composição? Escrevi 25 linhas!! Para quem fazia composições com uma linha ou chegava à terceira linha sem personagens é um grande avanço!
- Está muito bem, filho. Muito bem mesmo. Parabéns!

................ Duas dentadas na tosta mista........

- Mamã!
- Diz, filhote.
- Se eu me portar muito bem, levas-me a ver a Hannah Montana?? Levas? :) Aquele sorriso que derrete pedras!

SOCORRO!!!

Bem... nem sempre concordamos sobre o que é portar bem :).

Mimo e Desafio



 
A Lápis, do Blogue de Notas, ofereceu-me este mimo.  Obrigada! Fez-me pensar que há quase um ano comecei a escrever umas coisas por aqui. Quando escrevi o primeiro, nunca pensei que continuasse por muito tempo. A verdade é que se tornou um pouco o meu cantinho, que reflecte um pouco do que sou e sinto. Com altos e baixos, momentos de optimismo e outros menos, alguns  (muitos) disparates também. E música, ou não fosse eu. Descobri blogues e pessoas cujas palavras fazem muito mais sentido do que as minhas. Aprendi muito também.

Junto com este mimo vem a pergunta “você acha que a beleza está nos olhos de quem vê ou isso é só desculpa de gente feia?”

De certa forma, já respondi a essa pergunta aqui.  Como muitas outras coisas, a beleza é subjectiva. Como tal, depende dos olhos de quem vê, de como esses olhos são e o que procuram. Porque não são só as coisas ou pessoas que podem ser "feias", os olhos que vêem podem não ser capazes de ver a beleza.

Este mimo ofereço a todos os blogues que leio, porque em todos eles encontro palavras com sentido. Não fosse assim e dedicava-me ao farmville :), o que nunca fiz.