sábado, 19 de junho de 2010

"A viagem não acaba nunca"


"Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único." José Saramago.

Ainda bem que o fez. Não vou dizer que era dos meus escritores preferidos, para ficar bonito, porque não era. Isso não impede que não reconheça o seu valor. Penso que foi um homem que menteve sempre a coerência dos seus ideais, que pautou a sua vida pelas suas convicções, verdadeiro consigo próprio, sem adoptar a postura de "carneirinho". Foi um homem que elevou o nome de Portugal na literatura mundial. Viu a sua obra reconhecida em vida, coisa rara, habitualmente, para os escritores portugueses. 

Se  houve obras dele que nunca li e que, confesso, coloquei de parte após algumas páginas, outras me encantaram. Em sua memória, deixo as suas próprias palavras: A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

Até sempre!

8 comentários:

siceramente disse...

acordada a esta hora?! ahaha :D

Rita G. disse...

Li algumas obras dele, umas por obrigação, outras porque escolhi fazê-lo. Estou como tu, não era o meu escritor favorito, mas era um grande vulto literário. Viverá através da sua obra, isso é certo:) bj!

JFDourado disse...

Apenas li três livros dele. As Intermitências da Morte, Ensaio Sobre a Cegueira e a Jangada de Pedra. No início custou habituar-me aquela forma de escrever, mas depois de lidas algumas páginas já tinha aprendido a gostar. Acima de tudo admirava a forma imaginativa com que ele nos cantava as suas estórias :)

JFDourado disse...

é contava e não cantava :)

S. disse...

Apesar de achar que é uma enorme perda para todos nós concordo contigo, li alguns livros dele que adorei e li outros que nem por isso mas era sem dúvida um dos melhores escritores de sempre.

Beijinhos grandes

Mariana marciana disse...

Eu gostava- e gosto- muito dos livros dele. Foi uma paixão difícil porque quando andava tudo a dizer que ele era o "rei da cocada preta" eu decidi que não gostava e que não iria ler... levei anos a dar-lhe uma hipótese. Ainda bem que dei :) Não comento a vida pessoal, não conheço nem quero conhecer, pouco me importa que fosse um comunista com um palácio, ou seja lá o que for. Tinha uma mente aguçada, sarcástica (e caustica), era muito divertido e escreveu sobre quase tudo... nobel ou não, perdemos um grande escritor.

mjf disse...

Olá!
Pode-se gostar ou não dele, como Homem de grande personalidade e radicalismo, mas foi o nosso primeiro e até hoje, unico prémio Nobel.=))
~Beijocas

joao disse...

Li quase todos os livros dele, por quem tinha e continuo a ter grande admiração. Ficam as palavras sábias que escreveu.
Até sempre!