terça-feira, 27 de julho de 2010

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Há alturas na vida, momentos, fases, que são determinantes, que alteram de forma inequívoca o que acontece depois. Seja em termos profissionais, seja em termos pessoais, há momentos que funcionam como um marco entre o antes e o depois.  Esses momentos são, habitualmente, momentos fortes, que nos abalaram, que chocaram com a nossa concepção da vida, do mundo. Nem sempre são momentos maus, por vezes são coisas boas que acontecem. Tenho a impressão que quando são coisas boas não pensamos tanto nelas. Porque o faríamos? Se estamos bem, estamos bem, apenas disfrutamos e não pensamos muito nisso. Quando são coisas más, não. Aí temos de assimilar, gerir, e aprender a seguir em frente. A tristeza, o desgosto, a frustração, o ruir dos sonhos têm um efeito maior, porque implicam geralmente um fim, uma perda, e o luto nunca é fácil. Do esquecer ao estar esquecido vai uma grande distância, geralmente proporcional à importância do que se perdeu.
O antes e o depois nem sempre convivem pacificamente. Muitas vezes mudamos, mesmo sem nos apercebermos. Não falo dos "nunca mais eu vou fazer isto ou aquilo...". Dizemos isto e sentimo-lo até, geralmente na fase de revolta, mas a maior parte das mudanças instalam-se lentamente, vão-se tornando partes de nós. E nem sempre mudamos para melhor. Muitas vezes essas mudanças implicam deixarmos de lado coisas em que acreditávamos, coisas que nos faziam felizes. O depois avança e o antes fica para trás. Somos felizes, à nossa maneira.

Olhando para trás, sei perfeitamente onde está o meu antes e o meu depois. Cresci, mas não me tornei melhor para mim própria,  excluindo constantemente da minha vida qualquer sentimento que hipoteticamente pudesse levar-me de volta ao que era antes. Estava muito confortavelmente instalada no meu depois. Mas a vida surpreende-nos quando menos esperamos, e acontece o que não esperamos, nem queríamos. E, pela primeira vez, não me apetece continuar neste depois que escolhi. Se, quando acontece algo mau pensamos, repensamos e mudamos a nossa percepção do mundo e das pessoas, talvez quando o que acontece não é o que esperavamos, não seja má ideia fazer o mesmo. 

13 comentários:

Neisseria Gonorrhoeae disse...

Bom texto.

O antes e o depois não são eternos, o que hoje é depois, amanha será o antes.

Sinceramente, é importante pensar como dizes, mas nunca viver em função, seja do antes, seja do depois.

Jinhos

Menina do Norte disse...

Gostei tanto deste texto e faz tanto sentido para mim, neste momento. :)

Um Beijinho*

Menina do Norte disse...

Gostei tanto deste texto e faz tanto sentido para mim, neste momento. :)

Um Beijinho*

by "A Invisível" disse...

Verdade querida Amiga... Verdade.

Beijinho grande Amiga da minha vida!

P.S. - Amanhã.... ESPLANADA! Assim; em bom e em grande! :))

S. disse...

E tens toda a razão, é válido em qualquer situação e se o depois já não é o depois que devia, é altura de arranjar um novo depois.

Beijinhos grandes

Ana disse...

O importante é conseguirmos ter noção se o "depois" nos faz bem ou mal, e se for o caso, sabermos recuar (ou mudar). Nada tem de ser definitivo.

Eu também sei bem onde está o meu antes e o meu depois. Até que o tempo ou a vida me mostre o contrário, é mesmo neste "depois" que pretendo ficar.

:-)

beijinho

Libelinha☆ disse...

Se o "depois" que estás a viver não é o que idealizas... Muda!...
Arranja uma Libelinha dentro de ti!...
(significado de Libelinha: Mudança... Criação... Seguir um sonho!)

Beijinhos ;P

Canhota! disse...

Se não queres estar no "depois" que escolheste...esquece e larga esse!

Sei que o "depois" é dificil de largar...mas aos poucos vamos sendo fortes e conseguimos...até o hoje/durante é muito melhor, vais ver, que é!

jinhos:)

Esboços disse...

Adorei o texto :) Muitas vezes penso que podíamos no geral tornarmo-nos mais perceptivas à coisas boas, e não só às más. Devíamos valoriza-las ainda mais, pelo menos tentar. Acredito que seriamos mais felizes. Concordo quando referes que o ser humano está em constante mudança. Somos seres mutáveis que se vão limando consoante as nossas vivências, medos, padrões sociais e civilizacionais que vamos integrando ao longo da nossa vida. O que é triste é quando abandonamos os nossos verdadeiros ideais, a nossa essência, passando a ser "mais um" entre tantos outros..
Um beijinho, Esboços ^^

Deia disse...

É bem verdade que temos de pensar no antes e no depois, mas eu prefiro sempre pensar no hoje!
Se ãchas que o teu depois não é bom, tens de mudá-lo hoje para que o amanhã seja melhor e possas olhar para o ontem com um sorriso.
bjs

Mário Rodrigues disse...

Não tenhas a menor dúvida, querida Nirvana...

Um beijo

Mimi disse...

Alguém disse:
"Mesmo que não escrevas livros, és escritor da tua vida. Mesmo que não sejas Van Gogh, podes fazer de tua vida uma obra de arte!"

Não importa o antes e o depois, às vezes somente interessa o agora.

(Gosto do teu novo look! Muito moderno!)

Beijoca!

João Lopes disse...

Antes de mais, desculpa a minha ausência! Tenho acompanhado o que escreves, mas ando sem vontade para escrever... =)

Hoje decidi deixar umas palavrinhas sobre este teu texto.

Fenomenal! Tens toda a razão...
As coisas más fazem-nos pensar, aprender a dar a volta e trazem-nos demasiadas mudanças.
Já acreditei em muitas coisas que, com o dia a dia, vou deixando de parte. A minha base é a mesma, mas com a perda de alguns ideais, algumas verdades que as tínhamos como tal, vão desaparecendo. E essas mudanças podem-nos fazer mal.

Eu raramente faço isso(mudar de ideais). Só em ultimo recurso!
Porque até atingir o limite dos limites, vou empacotando tudo em "sacos" cá dentro do peito! Tento de todas as maneiras levar os problemas sem me mudar a mim próprio. Espero que passe sem que para tal tenha de mudar algo! Sou a mesma pessoa para toda a gente, dou tudo de mim como sempre faço e mantenho todos os meus ideais! Mas cá dentro, existe revolta e se calhar, vontade de mudança... MAS RESISTO!
É difícil querer ultrapassar problemas sem que os outros o saibam e sem deixar alguns dos nossos ideais de parte. É a maneira mais difícil de se ultrapassar situações do dia a dia! Mas, tento levar os meus ideais até ao fim!

Quando chega o limite, NADA A FAZER!
E aí sim. A mudança é me necessária!

Um beijinho e obrigado pela tua presença assídua no Blog Manhoso