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sábado, 28 de agosto de 2010

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Há dias em que os pensamentos se perdem e eu me perco neles, ou com eles, não sei bem. Dias em que tudo dentro de mim grita tão alto que não me consigo ouvir. Dias em que as ideias em desalinho me desalinham todos os pensamentos. Dias em que gostava de ter o poder de fazer o tempo andar para trás e mudar um instante apenas. É engraçado o poder de um instante. Um breve instante. Um momento que não volta mais, que perdemos, que passou. Um momento que nos torna prisioneiros de si próprio. Um momento que deixamos ser condicionado pela razão. Entre a razão e o coração, que vença a razão! O coração é um tonto, impulsivo, cego, surdo aos ensinamentos do passado. De cicatriz em cicatriz ele esquece-se de tudo. Memória de elefante para umas coisas, memória de recém-nascido para outras. Quando bate, não se lembra de mais nada, apenas bate. Como gosto de ti, coração! Mas, porque tento ignorar-te tanto, dando a mão à razão? Se ao menos esta me fizesse feliz!! A razão é dona do conhecimento, sábia e racional. Tem mais do que memória de elefante, tem também o seu peso, o peso de cem elefantes. E é assim que consegue enterrar bem fundo o coração. Cem elefantes pesam muito!

Por vezes penso que sou a pessoa menos amiga de mim própria que conheço. Como se me recusasse a ser completamente feliz, a fazer as coisas bem. Deixar de ser "eu", este "eu" que se resguarda de qualquer sentimento que possa fazer despertar o outro eu, aquele que mandei de férias há muito tempo, que guardei bem no fundo do baú e fechei com um código ultra-secreto, tão secreto que logo me esqueci dele. O "eu" que tem como missão deixar o outro eu num sítio perfeito, seguro, num mundo só meu, que guardo como se fosse um reino intocável. A mente é dona de estranhos caminhos e armadilhas. Armadilhas poderosas que nos mantêm ali. Nada aparece do acaso, e elas também não, mas como explicar aquilo que só nós compreendemos? Tornam-se inúteis as palavras. Não há palavras que possam fazer compreender. Nem as escritas. Escrevo porque preciso de escrever, sem saber o rumo das minhas palavras. Simplesmente escrevo. Escrevo porque há dias em que o coração grita tão alto que não me consigo ouvir. Nem a ti, razão. E nesses dias, em que não te consigo ouvir, fico perdida, perdida nos pensamentos. Nesses dias o "eu" fica contigo e não o ouço também. Nesses dias apetece-me deixá-lo aí, contigo, onde não o ouça mais.

terça-feira, 27 de julho de 2010

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Há alturas na vida, momentos, fases, que são determinantes, que alteram de forma inequívoca o que acontece depois. Seja em termos profissionais, seja em termos pessoais, há momentos que funcionam como um marco entre o antes e o depois.  Esses momentos são, habitualmente, momentos fortes, que nos abalaram, que chocaram com a nossa concepção da vida, do mundo. Nem sempre são momentos maus, por vezes são coisas boas que acontecem. Tenho a impressão que quando são coisas boas não pensamos tanto nelas. Porque o faríamos? Se estamos bem, estamos bem, apenas disfrutamos e não pensamos muito nisso. Quando são coisas más, não. Aí temos de assimilar, gerir, e aprender a seguir em frente. A tristeza, o desgosto, a frustração, o ruir dos sonhos têm um efeito maior, porque implicam geralmente um fim, uma perda, e o luto nunca é fácil. Do esquecer ao estar esquecido vai uma grande distância, geralmente proporcional à importância do que se perdeu.
O antes e o depois nem sempre convivem pacificamente. Muitas vezes mudamos, mesmo sem nos apercebermos. Não falo dos "nunca mais eu vou fazer isto ou aquilo...". Dizemos isto e sentimo-lo até, geralmente na fase de revolta, mas a maior parte das mudanças instalam-se lentamente, vão-se tornando partes de nós. E nem sempre mudamos para melhor. Muitas vezes essas mudanças implicam deixarmos de lado coisas em que acreditávamos, coisas que nos faziam felizes. O depois avança e o antes fica para trás. Somos felizes, à nossa maneira.

Olhando para trás, sei perfeitamente onde está o meu antes e o meu depois. Cresci, mas não me tornei melhor para mim própria,  excluindo constantemente da minha vida qualquer sentimento que hipoteticamente pudesse levar-me de volta ao que era antes. Estava muito confortavelmente instalada no meu depois. Mas a vida surpreende-nos quando menos esperamos, e acontece o que não esperamos, nem queríamos. E, pela primeira vez, não me apetece continuar neste depois que escolhi. Se, quando acontece algo mau pensamos, repensamos e mudamos a nossa percepção do mundo e das pessoas, talvez quando o que acontece não é o que esperavamos, não seja má ideia fazer o mesmo. 

sábado, 17 de julho de 2010

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Às vezes apetece mesmo, mesmo... Apetece tirar os travões,  ignorar os sensores, desligar os sinais de alerta, esquecer as dúvidas, as cautelas, as inseguranças, e arriscar. Até agir contra as probabilidades. Aceitar a probabilidade de cair, descarrilar, esfolar os joelhos, cair de cara no chão.

Os travões são o medo e a sensação de conforto da segurança. A segurança, ou a ideia da mesma, é confortável na sua constância. Mas o preço da segurança pode ser a perda da liberdade, de explorar novos territórios desconhecidos, e a própria vida, com as suas infinitas escolhas. Evitar certos riscos, aceitar as coisas como são, conformarmo-nos, não  sonhar sequer. A segurança, de certa forma, seduz-nos também. Ela anda de mão dada com o equilíbrio. Criamos o nosso espaço, içamos as nossas barreiras, construimos o muro que nos resguarda, e sentimo-nos seguros dentro dele. Não há oscilações, não há altos e baixos, não há desilusões.

O medo... Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar? Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta dos nossos sonhos? Mas afinal o que é esse medo que tantas vezes nos limita? Existe realmente? Existir, existe. Até tem um nome, por isso existe. Existe dentro de nós. Criado por nós, auto-imposto por nós. E é incrível a capacidade que tantas vezes temos de o alimentar. Se por um lado nos queremos livrar dele, por outro, guardamo-lo, estimamo-lo até e usamo-lo quando nos dá jeito. Usamo-lo como desculpa para justificar o posterior arrependimento. Porque nos arrependemos sempre do que não fazemos. Fica sempre o eterno se a zumbir dentro de nós. Temos medo. Muitas vezes somos nós que criamos os nossos maiores obstáculos, estrategicamente colocados no caminho para justificar a nossa incapacidade de arriscar. Arriscar implica não conhecer todas as variáveis, implica não ser dono de todo o conhecimento, não ser uma relação causa-efeito, mas uma relação com demasiadas variáveis que não controlamos. Pode trazer desilusão, frustração, sofrimento até. O melhor é ficar quietinha no meu canto, na minha segurança. Posso até ficar contente com a minha prudência.  Desculpas que por vezes funcionam, e que, juntamente com o medo e a segurança formam um trio que anda sempre de mão dada.

Mas, por vezes, apetece... Apetece mesmo mandar os travões passearem sozinhos, agir contra as probabilidades, agir a meu favor, querer mais. Acreditar mais. Em mim.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Chuva miudinha...



Em qualquer relação há uma dose de encanto. Em qualquer pessoa que  nos seja mais próxima, há algo que nos encanta. Talvez encanto possa parecer uma palavra algo exagerada (a mim não parece), principalmente ao fim de algum tempo. Talvez lhe comecemos a dar outros nomes, talvez nos habituemos tanto a essa(s) característica(s) que nos encantaram que não pensemos nelas sequer.

A mim, há coisas que me encantam nos meus familiares, nos meus amigos. Encanta-me a ingenuidade da minha tia A., encanta-me a determinação da minha Mãe, encanta-me tudo no meu Prozac, encanta-me a maneira se ser linda do J., a postura protectora do R., a sinceridade e a "loucura" da I.,  a alegria da A., e tantas outras coisas. Assim como me encantaram pessoas que deixaram de o fazer. Claro que qualquer relação tem sempre dois lados, não há só um e, tal como aconteceu comigo, também com toda a certeza já sentiram o mesmo em relação a mim.

Nem sempre o desencanto vem de uma vez só. Por vezes, vai-se instalando aos poucos. Mas esse primeiro momento de desencanto é crucial. Como um despertar. Começamos a olhar com outros olhos, e nunca mais nada é como era. É esse o momento que não gosto. Como se algo se quebrasse. Algo que era precioso para nós. Não verga, não dobra, não torce. Quebra-se e não há cola capaz de o emendar. Mesmo que nos esforcemos por tratar essa quebra, a sua marca fica sempre lá. E mesmo vendo a pessoa sem essa cor encantada com que a víamos, quando essa pessoa foi importante para nós, fica um vazio, uma parte da nossa vida que se quebra também. 

Arrisco-me a pensar que prefiro o desencanto que vem de uma vez só, como um banho de água fria em pleno Dezembro, do que a chuva miudinha que acompanha este desencanto que se instala lentamente. Este, deixa um vazio maior, um desalento, uma tristeza misturada com pena,  até com um certo conformismo, à medida que todo o encanto se vai desvanecendo.

PS1 - Maria Invisível, a I és tu! ;)
PS2 - Onde se lê nós, leia-se eu.

domingo, 4 de julho de 2010

Danone, Mimosa, Adágio ou simplesmente Criança? Está difícil!!


Por mais que pense, não me consigo decidir que marca usar. Pensando bem, acho que terei de inventar uma marca nova, e registar a patente. Afigura-se-me complicada esta tarefa, porque terei de incorporar vários prazos de validade... pelos vistos, há um prazo limite para tudo. Que todos nós temos um prazo de validade já eu sabia. Apesar de ter visto os filmes com o Christopher Lambert sobre os Imortais, sei que aquilo é filme e não realidade, logo, um dia, a validade acabará.  Que havia prazos ou sub-prazos para tudo é que eu não sabia, muito menos que esses prazos rondam os 30 anos. Sei que há coisas que, passando determinada idade, não são, de todo, normais, principalmente se feitas com um carácter repetitivo. Brincar aos Pokémons com o meu filho  de vez em quando, porque ele me pede, não é anormal, digo eu, ou andar a jogar futebol no parque. Claro que viver no mundo das crianças não é o mesmo que viver o mundo das crianças, nem ser criança. Mas isso sou eu que digo, e pode muito bem ser uma desculpa que me dá jeito. 

Ouvir dizer "já não tens idade para isso", faz-me um bocadinho de comichão.  Talvez seja o meu medo inconsciente de envelhecer muito (podes ficar descansado, Freud, que não vou psicanalizar!). Por vezes sinto-me como um iogurte fora de prazo. Por mais que tenha procurado, não encontrei tatuados números com datas no meu corpo. Olhando atentamente ao espelho, esperava ver começar a correrem números na testa ou nos olhos, como acontece nos desenhos animados. Mas não vi nada disso. Isto de me compararem a produtos de super-mercado mexe-me um bocado com os nervos! Se me apetece dançar, danço. Se me apetece cantar, canto. Se me apetece fazer uma corrida com o sr Prozac digo "P, vamos ver quem chega primeiro?". Claro que não vou dançar no trabalho ou cantar a altos berros na rua. Apesar de muitas vezes brincar, nem tudo é uma brincadeira para mim. O que é sério, é sério, mas não acho que o facto de a vida ser como é me obrigue a andar sisuda todo o dia,  não acho que ser adulta implique perder toda essa alegria que temos em crianças. Se isto é ser criança, então, prefiro ser assim. Continuar a fazer coisas apenas e só porque me fazem rir. Pelo menos, poupa-me o trabalho de escolher uma só marca de iogurtes... se bem que lembrando-me de alguns anúncios da Adágio, confesso que a tentação de escolher esta marca é grande...


Privar-me das coisas que eu quero, posso e gosto de fazer na vida por  causa da idade, de parecer mal, seria uma forma de me penitenciar por uma coisa que não é um crime, mas um facto natural da vida. 
Ir a correr ao shopping ver se consigo arranjar seriedade suficiente para andar sempre elegantemente de cabeça erguida, sem dar um passo em falso, nem trocar os pés também nãome parece que vá resultar. Ah! E não esquecer também as outras coisas que, com esta idade, também já deveria ter, como relação estável e estabilizada, etc, etc, etc. Lembro que se calhar também já devia ter o meu Audi A5, mas ninguém se chega à frente!!!

Sou criança? Paciência! Vou continuar a querer que a vida tenha alguma cor além do cinzento, que o meu sorriso apareça, que seja verdadeiro e surja por motivos que aparentemente não interessam, mas que são especiais para mim. Vou continuar a ter vontade de dançar, cantar, saltar e correr. Vou continuar a ter vontade de viver como sei viver!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O desencanto mora sozinho


As pessoas entram na nossa vida, ocupam um determinado lugar, e, por vezes,  deixam-no desocupado. Por motivos vários. Porque sim. A vida, o destino, une e separa as pessoas. Pessoas que nos fizeram muito felizes também podem sair da nossa vida. Quem, por algum motivo, um dia nos fez feliz, geralmente não é esquecido. Nem a pessoa, nem a a felicidade que nos proporcionou. Há pessoas que guardamos sempre no coração, com um carinho muito especial. São pessoas especiais para nós. São pessoas que sempre foram verdadeiras, que nos encantaram, que nos fizeram querer cantar, querer amar, querer viver. Com quem rimos. Por vezes também nos tiraram a vontade de cantar, também nos fizeram ter momentos menos bons. Mas são pessoas que têm sempre aquele encanto. Que, mesmo tendo seguido caminhos separados, nos despertam sempre sentimentos de carinho, em quem pensamos com um sorriso, um misto de saudade, de nostalgia, de recordações boas. Pessoas cuja passagem na nossa vida trouxe algo de tão bom, tão especial, que queremos mantê-las perto de nós, nem que seja nas recordações. Não significa que fiquemos agarrados a essas recordações, mas são recordações que guardamos porque significaram algo especial.

Nem sempre é assim. Pensava que nada poderia fazer esquecer alguém que um dia nos fez felizes. Muito ou pouco tempo, não interessa. A felicidade não se mede em dias, não se mede só no tempo que dura. Mede-se também no que perdura, no efeito que tem a mais longo prazo, no bem que nos faz e se perpetua, mesmo que a causa acabe. Mas não é verdade. Há algo que pode fazê-lo: o desencanto. O desencanto pode ser recebido também com um sorriso. Um sorriso triste. Um sorriso de tristes constatações que vamos somando, conforme essa pessoa se vai revelando. Oca. Vazia. Cheia de si própria. Tão cheia que não cabe mais nada excepto a própria vaidade, um ego que precisa de ser constantemente alimentado. O desencanto destrona  o carinho, a saudade, a raiva, a tristeza.

Não haverá nada mais triste do que passar pela vida de alguém e não deixar nada. Assim como é triste constatar que, em nós, também nada ficou. O desencanto dá lugar a nada. O desencanto mora sozinho.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

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Sentada na mesa do café, fazendo horas para ser horas de qualquer coisa, evitava adormecer. O sono continua a ser caprichoso e a não aparecer à hora devida. Vem depois, todo contente, bater à porta quando não é benvindo. 

Encontrei o meu caderninho, perdido no fundo da arca sem fundo a que chamo carteira. Há quanto tempo não o abria! Está cheio de frases, pequenos textos, tentativas tímidas de poemas, desenhos, palavras soltas, datas. Folheando-o, cheguei a uma frase que escrevi há algum tempo. Tanto, que parece uma outra vida, mas não foi assim tanto. Um ano, mais coisa, menos coisa. Leio e releio aquela frase. Tenho evitado pensar nisso. Abano a cabeça, como se de uma mosca se tratasse, sempre que aflora ao pensamento. Canto, danço, mergulho na vida, afastando para longe algo que sei que nunca afastarei. Que faz e fará sempre parte de mim. O não ter tentado. E se tivesse? Se tivesse tentado? Se tivesse dito? Se tivesse feito? A frase é simples, um cliché sobejamente conhecido. "Arrepende-te apenas daquilo que fazes". Escrevi-a, como se o acto de a escrever a pudesse transformar no acto que anunciava! Não tentei, não disse, não fiz. Ficou apenas o se. E a recordação. A recordação de algo que não fiz. A recordação do que poderia ter feito, que mais não é do que o reflexo do que perdemos por não tentarmos. O não está garantido à partida. Tentar poderá transformar esse não num talvez. Poderá confirmar o não. Mas valerá mais um não confirmado do que um talvez não tentado.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Intervalo


Por vezes preciso de um intervalo. Preciso de parar, ficar só comigo. De me encontrar. É tão fácil perder-me neste mar que é o mundo! Perder-me no meio das pessoas, das palavras, dos dias, das noites, de mim. Esquecer-me, viver os dias como quem apenas passa por eles. Sobreviver.  
 
Por vezes, no meio de todo o rebuliço que são os dias apenas anseio por um momento em que possa fechar os olhos. Conto o tempo que falta até esse momento, em que posso ter um pouco de paz. Em que posso fechar os olhos, não pestanejar, mas fechá-los mesmo, por um minuto que seja. Fechar os olhos e respirar, calmamente, concentrando-me apenas nos movimentos que respirar implica. Fechar os olhos e, por momentos, esquecer o que se espera de mim e lembrar-me do que eu espero e quero.  Fechar os olhos e tentar perceber o que está a acontecer. Por vezes, esses pequenos instantes fazem toda a diferença. A diferença entre ser e não ser, entre estar e não estar, entre ficar ou partir. Por vezes, nesses instantes em que fecho e abro os olhos, tudo fica diferente. Por vezes, tudo fica claro, na obscuridade com que o cerrar das pálpebras me presenteia, outras vezes tudo permanece escuro. Por vezes descubro o caminho que não vislumbrava, outras vezes dá-me vontade de correr bem depressa e fugir. Por vezes não penso em nada, deixo que o nada pense em mim, outras vezes penso em mil coisas ao mesmo tempo, como se fossem uma só. Por vezes sonho, outras vezes regresso à realidade. Por vezes, bastam uns segundos, outras vezes todo o tempo do mundo me parece pouco. Mas nunca, nunca o antes é igual ao depois, depois desses instantes em que fecho os olhos, apenas por uns instantes. 

sábado, 10 de abril de 2010

Nem mais, nem menos


Sou como sou,
Nem mais, nem menos.
Sou o que sou,
Sou o que sei ser,
Sou o que sei querer, 
Sou o que aprendi a perder,
Sou o que fiz renascer.

Sou como sou,
Nem mais, nem menos.
Sou o que quero ser
E o que não quero também.
Sou pássaro em voo solto
E árvore agarrada ao chão.
Sou nuvem passageira
E carro sem bagageira.
Sou a brisa suave da tarde
E o vento forte da manhã.
Sou coração que dança ao cantar,
Sou mão que dança ao escrever.

Sou como sou,
Nem mais nem menos.
Nem o mais que queriam que fosse
Nem o menos que queriam que não fosse.
Sou, apenas, como sou.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esta Primavera...


Finalmente, parece que a Primavera resolveu dar o ar da sua graça e brindar-nos com um céu azul sem nuvens e um sol que começa a aquecer as nossas almas! Não sei se é só impressão minha, mas acho que as pessoas andam mais bem dispostas com o sol.

Apesar de atrasada, não falta, e cá está ela, com tudo o que implica. A Natureza é sábia, e todos os anos se renova. Ela sabe que nada é eterno, que é necessário renovar, renascer, crescer. Ciclos. Ciclos que se vão desenrolando uns a seguir aos outros, cada um com sua função, mas que se encontram interligados. Um não é possível sem o outro. Não é possível a Primavera, sem o Inverno que a antecede, infiltrando o solo com a água necessária ao posterior crescimento. Das sementes lançadas à terra por mão humana ou por ela própria, começam a nascer as flores, e o ciclo continua. Ela é capaz de levar para o ciclo seguinte apenas aquilo que interessa, deixando o resto para trás. Não se perde, mas transforma-se. 

É como me sinto neste momento. É o que eu quero neste momento. Deixar para trás tudo que não contribui para o meu crescimento, para a minha felicidade, tudo que me arrasta para baixo, num ciclo que se mantém sempre a andar sobre si próprio, onde já não identifico o princípio. Dele, levo o que aprendi, e o que não aprendi também. Porque as coisas só fazem sentido quando têm uma razão de ser, por mais pequena que seja. Porque somos o conjunto de tudo o que vivemos, que aprendemos, e do que, conscientemente, deixamos de viver também. Continuar, com a certeza que muito tenho ainda para aprender, tendo como única bagagem o pouco que já sei.

Hoje, faço minhas as palavras de Kobayashi Issa : Esta Primavera na minha cabana, absolutamente nada, absolutamente tudo.

domingo, 4 de abril de 2010

Obrigada a todos!


Faz hoje um ano que nasceu esta casinha. Não fosse o meu amigo  Cyberider, um dos primeiros a ter paciência para o ler, referir o meu primeiro post num comentário recente, e não me lembraria deste facto. E agora?, perguntava eu, a mim própria, claro. Não sabia muito bem. Apesar de sempre ter gostado de escrever, apenas o fizera para mim. Se havia alturas em que me apetecia escrever, passava alturas sem escrever uma palavra. Agora, fico contente por ter esta minha casa. Foi através dela que fiquei a conhecer outras casas, que fui surpreendida por tantas casas de tanto valor.

Um ano de palavras, de coisas minhas, de pensamentos, de reflexões, de dúvidas, de disparates, de maluquices, de devaneios. Um ano em que, mesmo virtualmente, conheci muita gente fantástica. E é este o facto pelo qual me congratulo por este ano de blogue: pelas pessoas que "conheci". 
Muito obrigada aos que me aturam desde a construção desta casa,  os primeiros que aqui "caíram" e que por cá continuam, Cyberider, Gemini, Mimanora, Pepita, Marquês de Sade, JFDourado, E..., Soraia. 
Muito obrigada a todos que embelezam esta casa, que passaram a fazer parte dela, porque mais importante que a casa em si, é quem faz dela sua também.

Por isso, hoje quero agradecer, 
A todos que têm paciência para "me" ler,
A todos que me fizeram tão bem, por ler as suas palavras, em dias em que precisava mesmo de um pouco de luz,
A todos que me fizeram sorrir, rir, chorar, chorar de rir, e rir de chorar,
A todos que me fizeram pensar,
A todos que, pela sua opinião sincera, me mostraram pontos de vista diferentes,
A todos que me deram força, em alguns momentos menos bons que acabaram por se reflectir aqui,
A todos que me ajudaram a entender o que não entendia, através da sua opinião,
A todos que me demonstraram amizade,
A todos, porque não o posso dizer pessoalmente, vos digo: OBRIGADA!, de coração! :)

A blogosfera pode ser chamada de virtual e é-o, sem dúvida. Mas isso não significa que não seja real. Porque é. Aprendi muito por aqui. E agradeço-vos por isso. Por trás de cada virtualidade está uma realidade, uma pessoa real. Estas pessoas virtuais acabam por fazer parte do nosso mundo, que é real. Algumas acabam por o fazer literalmente, e foste, sem dúvida uma das melhores pessoas que conheci, Maria Invisível!

OBRIGADA A TODOS!

 Não há bolo. Lamento, mas tenho de zelar pela vossa saúde e já devem ter comido amêndoas, pão de ló e doces que chegam para um mês!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um dia...


Um dia fui aquela menina que imaginou milhares de coisas e pensou em tudo o que se poderia tornar um dia.
Um dia, tive a ilusão que tudo era possível.
Um dia, tive o momento em que podia ou não tornar esses sonhos realidade.
Um dia, tomei decisões certas.
Um dia, tomei decisões erradas, umas vezes acreditando que estavam certas, outras em que a única coisa certa era a esperança de não estar errada.
Um dia, vi alguns dos meus sonhos ruírem e nada deles restar, excepto pedaços de vida que acabaram por se perder na memória.
Um dia, quis pedir à lua que brilhasse só para mim. E pedi.
Um dia, quis agarrar a vida, embrulhá-la e guardá-la, de tão perfeita que era, na mais bela caixa, para que nunca se gastasse ou mudasse.
Um dia, descobri que não há problemas sem solução, mas também não há palavras milagrosas para ultrapassar as dificuldades.
Um dia, descobri que apenas eu posso fabricar e usar as chaves que abrem as portas no meu caminho.
Um dia, descobri que a mesma chave não abre duas portas, por mais parecidas que sejam.
Um dia, descobri que o meu caminho depende unicamente do meu esforço e da minha confiança.
Um dia descobri que existe uma grande diferença entre o imaginar e o realizar. Que a imaginação pode ser uma prisão, se me esquecer de realizar.
Um dia, descobri que o importante não é onde estou mas sim como estou. Porque o que verdadeiramente conta é o que temos cá dentro. 
Um dia, descobri que a vida corre depressa demais e que tenho uma dívida para comigo própria: Ser eu em cada instante. VIVER!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

dias e DIAS



Porque também há dias assim. Em que acordamos com a sensação que vale a pena. Que vale a pena o que vamos construindo ao longo da vida.

Às vezes tenho a sensação que a vida tem um estranho sentido de humor. Troca-nos as voltas com a mesma rapidez com que piscamos os olhos, desliza por entre os nossos dedos, sem podermos fazer nada para a apanhar. Não sei bem se é só para se divertir à nossa custa ou se é para não nos queixarmos da monotonia!

A verdade é que vamos construindo o nosso caminho, como se de uma manta de lã se tratasse, feita de fios que vamos tricotando diariamente,. Fios que se aproximam, que se afastam, que se cruzam, que dão laços, que dão nós. Alguns desses laços desfazem-se facilmente, apesar de terem sido feitos com o mesmo cuidado que os outros. Outros permanecem e tornam-se nós, capazes de resistir a tudo. Nós que surgem de vez em quando e que quando por qualquer motivo a manta se desfaz chega ali e pára, porque o nó não a deixa continuar a desfazer-se. Nós que ancoram a vida. Nós que são indestrutíveis. Como aqueles amigos com quem podemos sempre contar. Que nos fazem lembrar de quem somos, quando nos esquecemos.

By the way, não ouvia isto há séculos. Há uns anos cantávamos isto mesmo from the top of our lungs. 

Imagem - Pintura de Isabel Lanho, cuja obra vale a pena conhecer.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dias...



 Há dias assim. Em que me deixo invadir por pensamentos e dúvidas. Em que tenho de falar comigo. Em que não gosto de me ouvir. Em que tenho de olhar para mim e avaliar atitudes. Em que tenho de pôr os pontos nos is.

Há dias assim. Em que tenho saudades de mim. De quem era. De como era. Dos dias em que não via problemas, apenas pequenos contratempos. Dos dias em que tinha todas as certezas sobre mim. E todas as certezas sobre os outros. Dos dias em que rir era tão natural como respirar. Dos dias em que ser eu era fácil. Em que não tinha dúvidas. Em que não pensava tanto. Em que confiava. Em que acreditava.

Há dias assim, em que tenho plena consciência de todos os meus limites. Os limites que nem sempre se mostram mas que estão lá, em qualquer momento da vida. Os limites que existem para serem ultrapassados, em que, quando o pé está do lado de lá me dá a sensação de desequilíbrio, mas quando volta para o lado de cá me dá a sensação angustiante de perda.

Há dias assim, em que penso no que era e no que sou. Em que vejo o que de mim perdi pelo caminho. Em que tento identificar quando isso aconteceu. Em como há coisas que quando se perdem, se perdem para sempre. Que não se conseguem remendar ou recuperar. Em que tenho pena de ter perdido esses pedaços de mim. 

Há dias assim, em que penso em quanto tenho ainda de crescer. Em que penso se crescer é o mesmo que endurecer. Se crescer implica realmente trancar em qualquer sítio tudo o que é bonito  e espontâneo. Se crescer significa pesar e medir palavras, sentimentos e gestos. Se crescer significa perder.

Há dias assim. Em que penso em quem sou.  Em que penso para onde vou e para onde quero ir. Em que penso como esses dois caminhos por vezes me parecem tão separados.

Há dias assim, em que queria que fossem outros dias. 
 

É o que dá ficar em casa, com este tempo horroroso, com o menino Prozac ausente. 
É o que dá não ser espanhola e não estar a dormir a sesta!!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Apetecia-me...


 
Apetecia-me fechar os olhos e não pensar
Em mim, em ti, em nós.
Apetecia-me fechar os olhos e dormir
Depressa, sem sonhos, sem mim.
Apetecia-me fechar os olhos e não sentir
A saudade que me invade e não tem para onde ir.
Apetecia-me fechar os olhos e não pensar
Se o amanhã vai chegar e se eu vou lá estar.
Apetecia-me fechar os olhos e não querer
Que o tempo fosse outro, que não passasse a correr.
Apetecia-me fechar os olhos e não sentir
O que sinto, o que me levou a sorrir.
Apetecia-me fechar os olhos e ficar
Naquele tempo em que nos conhecemos,
Naquele tempo em que nos queremos,
Naquele tempo que só nós sabemos,
Onde o tempo não existe,
Onde a tristeza não mora,
Onde ficamos assim, nós.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"I seeeeeeee you"



O sr. Prozac sempre foi assim. Quando ouvia uma palavra ou expressão nova, não descansava enquanto não a aplicasse, nem que fosse para dizer que estava finalmente em terra firme ao sair do banho (já tenho saudades dele assim pequenino).

Hoje, quando chegou, depois daquele abraço, em que ainda salta para o colo, olha bem para mim e diz "Mamã, I see you". Não percebi logo... ainda pensei que ele viesse cheio de vontade de estudar para o teste de inglês de amanhã... mais depressa as galinhas têm dentes... "Não te lembras, do Avatar? I seeeeeeeeeee you! Gosto tanto de ti!" Ahhh!!!

Se eu podia viver sem ele? Poder, podia, mas não era a mesma coisa! Esta frase vem em jeito de desabafo. Agora já não ouço essa frase com tanta frequência, mas ouvi muitas vezes "um filho complica muito as coisas". Não podia estar mais em desacordo. O meu filho proporcionou e continua a proporcionar-me dos melhores momentos da minha vida. Momentos de puro, puro amor, inocência e alegria, que dificilmente teria de outra forma. É o meu sol, todos os dias. É único.

Sim, tomei muitas decisões na minha vida a pensar nele. Sim, sem ele muito provavelmente seriam diferentes. A minha vida teria sido diferente. Provavelmente teria aceite o convite para trabalhar fora do país, quanto mais não seja para mudar de ares e pelo desafio em si, não teria o tempo condicionado por nada nem por ninguém. Mas seria melhor? Tenho a certeza que não. Nem sempre foi fácil, é certo. De nada me adiantou ler tudo quanto havia sobre o sono dos bebés, como os pôr a dormir num instante. Ele contrariava tudo. Parecia que tinha um sensor de altitude. Adormecia muitas vezes ao colo, e bastava eu sentar-me, mesmo com ele ao colo, para ele acordar. Comer era um festival. Isto não é bonito de dizer, mas cheguei, uma vez por outra, a atrasar-me de propósito para não ser eu a dar-lhe a sopa. Acho que não vou esquecer nunca o som do colchão da caminha dele às 4, 5h da manhã. Chegava ao quarto dele e era brindada com um sorriso de orelha a orelha e uma pulga pequena aos saltos!! Depois aprendeu a sair da cama de grades, depois de atirar o cobertor para fora também, aprendeu a andar e nunca mais parou. Muitas vezes desejei que ele tivesse vindo com um comando, para pôr em "pause" de vez em quando.

A escola também não foi (é) fácil. Sim, ele tem energia para vinte, gosta de estar sempre em evidência. É teimoso, e agora começa cada vez mais a querer impôr a vontade dele que, diga-se de passagem, se resume a não fazer os trabalhos de casa porque não acha justo. Já não mata as personagens todas das composições até à terceira linha para não ter de continuar a história e é capaz de passar uma horitas a ler um livro. Não pode falar comigo sobre certas coisas porque não sei os nomes dos Pokemon todos (é impossível saber, esqueço-me sempre e troco-lhes os nomes), mas quer que eu lhe explique porque é que as meninas são tão complexas. Tem uma memória prodigiosa e é capaz de se lembrar de coisas que lhe disse há séculos para se justificar. "Se não acabares os deveres não vais ao treino." ..."Às vezes não te percebo, mamã! Já me disseste mais de uma vez que o que tu queres é que eu seja feliz. Não sou feliz a fazer os trabalhos de casa". Para a próxima pensa antes de falares, sim, mãe?

É lindo. É meigo. Faz-me rir como ninguém. Muitas vezes diz coisas mais acertadas do que muitos adultos que conheço. Nos momentos maus que tive, foi sempre ele que me fez rir, que me deu força para os ultrapassar, mesmo sem o saber.

Complicado? Seria muito mais sem ele. Se eu podia viver sem ele? Poder, podia, mas definitivamente não era a mesma coisa.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Título? Não sei...


Há quem diga que viver é dançar na corda oscilante do inesperado. Se é verdade que muitas das melhores coisas da nossa vida são inesperadas, até surpreendentes, verdade é também que a vida é feita de escolhas. Há quem dance, há quem fique parado, há quem ande, há quem corra, há quem fixe bem a corda e só quando não oscila se atreve a pôr um pé.

As escolhas... as escolhas da mente e do coração... são elas que ajudam a definir a música. Da música fúnebre do enterro dos nossos sentimentos, sem lhe darmos sequer hipótese de crescerem, mortos mal nascem, por medo que a oscilação seja demasiada, à música alegre, que nos faz dançar, e sorrir. O sorriso fácil que brota sem nele pensarmos sequer, sem aparente razão, sem ser pedido.

Quem nos faz sorrir, quem nos faz rir, oferece-nos qualquer coisa de diferente.  Oferece-nos também o inesperado, o imprevisível.  A possibilidade de nos surpreendermos a nós próprios com a facilidade com que sorrimos.

Aqui, aqui não há livros de instruções - Como andar na corda em dez lições, não há exemplos a seguir, não há rumo definido, não há rede... apenas a vontade de dançar. Não andar; dançar. Andar é sempre igual, mais depressa ou mais devagar, mas é sempre um passo à frente do outro. Acho que quando andamos temos sempre, ou quase sempre, um lugar definido aonde chegar. Dançar não. Quando dançamos apenas dançamos. Como queremos. Como nos apetece. Não dançamos para chegar a algum local. Dançamos pelo simples gosto da dança. Dançar? Dançar é mágico!! 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Uma Noite Colorida


31 de Dezembro! O último dia do ano, que passou a voar! O balanço de 2009 faço rapidamente. Foi um ano muito bom. Com pequenas coisas menos boas pelo meio, senão não tinha piada, mas MUITO positivo, sem dúvida! Amanhã começa o novo ano e hoje, claro há festa!


Esta noite, não há como não pintar o coração de verde, e pedir um novo ano repleto de sucessos, a todos os níveis.

A passagem de ano está cheia de tradições e superstições. Não acredito nestas coisas, mas, tal como nas bruxas, ninguém acredita, mas que as há, há.

As fogueiras que habitualmente se faziam nas aldeias, o barulho, com recurso a tachos e panelas, para afastar os maus espíritos, estrear uma peça de roupa (que muita gente recomenda que sejam cuecas azul-claro), os lençóis da cama novos, as 12 passas durante as 12 badaladas pedindo um desejo por cada uma, subir a uma cadeira com uma moeda na mão, e muitas mais haverá...

Muito importante é a roupa que se veste nesta noite!! Não estou a falar num modelito longo ou curto, justo ou rodado, mas sim na cor da dita roupa, porque dependendo da cor, assim atraíremos uma ou outra coisa no ano seguinte.

Por isso:

- Roupa nova - se a intenção é ter sorte no amor, deve vestir-se uma peça de roupa interior nova, pois assim deixa-se para trás todos os mal entendidos.

- Vermelho - significa, força, amor, paixão, dinamismo - Se quiser muito amor, atrair fortes emoções, paixão e sensualidade.

- Castanho - significa solidez, indica segurança em todos ramos da vida - Se quiser uma melhoria da carreira profissional.

- Amarelo - ilumina traz a coragem para seguir em frente, lembra ouro, dinheiro, riquezas -  Se quiser resolver problemas económicos. Atrai fortuna, sabedoria e estimula a intuição

- Laranja – cor contagiante, transborda irradiação e expansão - atrai o sucesso tanto a nível pessoal como profissional

- Preto - É uma cor sóbria - indica o silêncio.

- Branco - símbolo da paz, representa harmonia, sabedoria e transcendência - se quer paz, luz e prosperidade,

- Prateado - cor das incertezas - revela o desejo de espiritualidade

- Lilás - a cor dos pensadores, ligada à intelegência, inspiração e estabilidade - se anseia por um ano de grande reflexão e serenidade
 
- Verde - a cor da natureza, representa a sua energia, equilíbrio, dinamismo e renovação - se quiser muita saúde e harmonia

- Azul - é a cor da maturidade, símbolo do Céu e do Mar - confere tranquilidade, saúde e sorte. Para quem quer melhorar a comunicação com os outros.

Agora é só escolher. Se dá resultado ou não, não sei, mas não vale a pena dar sorte ao azar. Por isso, vou ter de arranjar um vestido às cores. E vocês, que cor escolheriam? Isto não é só válido para as senhoras, os senhores também convém irem vestidos!

O que interessa é entrar no novo ano rodeados pela família e/ou amigos, com muita alegria e esperança no novo ano!








Desejo a todos o mesmo que desejo para mim: muita saúde (nunca é demais) , muita paz (um dos ingredientes principais da vida, na minha opinião) e muito amor (em todas as suas formas).


FELIZ 2010!!!









domingo, 27 de dezembro de 2009

Life is like a box of chocolates




"Life is like a box of chocolates. You never know what you're gonna get!"
In Forest Gump

A frase é bonita. Doce. Ingénua. Tal como o Tom Hanks em Forrest Gump. Era o que eu pensava sempre que a ouvia ou lia. Se eu comprar uma caixa de Ferrero ou uma caixa dos meus bombons de perdição, sei exactamente o que vou obter (uns bons momentos em que a tentação vence sempre e os bombons desaparecem), ou seja, sei exactamente que bombons estão lá. Se não for muito dada a mudanças, posso comprar sempre a mesma marca. Assim, não correrei o risco de comprar alguns que poderão ir direitinhos para o lixo porque não gosto, que me poderão fazer mal por não tolerar ou ser alérgica a algum ingrediente. Posso até sentir-me muito confortável assim. Não há dissabores, não há surpresas más. Também não há surpresas boas, mas nesta possibilidade nunca pensamos.   Olho, de vez em quando para os que estão ao lado, na prateleira. Até me atraem o olhar, têm um aspecto delicioso, mas... e se não gostar? E se me fizerem mal? Então, trago os mesmos de sempre. I always know what i'm gonna get.

Mas, de vez em quando, a vida oferece-nos bombons. Uma caixinha de bombons que não conhecemos. Alguns até vêm em caixas em que não se consegue ver o conteúdo. Outros parecem uns bombons normalíssimos, comuns, mas quando os provamos, o seu conteúdo surpreende-nos. Ficamos como uma criança que descobre o chocolate pela primeira vez. Surpreendemo-nos com a nossa descoberta, e, ao contrário do que pensávamos, ficamos com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos perante a surpresa. A nossa habitual relutância em relação ao desconhecido transforma-se numa curiosidade quase infantil. Quase temos medo de lhes tocar, com receio que desapareçam, que não sejam reais. We don´t know what we're gonna get, mas queremos descobrir... e isso surpreende-nos quase tanto como a caixinha de bombons.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Os ingredientes certos...


Uma vez fiz um cheesecake com natas light, queijo light, açúcar light, tudo light. Não ficou mau de todo mas era igual? Não, não era. Cheguei à conclusão que valia mais uma fatia (alargada) do cheesecake normal do que o cheesecake light inteiro. Os ingredientes certos fazem a diferença.

Com o Natal acontece exactamente a mesma coisa. Andava eu a tentar apanhar o espírito natalício aqui e ali, sem sucesso algum. Precisava dos ingredientes certos: a terrinha lá no fim do mundo, a casa onde passei quase todos os Natais, muito frio, a lareira de sempre, as rabanadas da tia A., que todos os anos, nunca estiveram como este ano, e, mais importante que tudo, a minha família. A confusão, quando começam a chegar uns atrás dos outros, as conversas, os risos, os meus sobrinhos a saltar-me para o colo, os abraços, ... , sentir que continuamos a ser uma família. Efeito imediato. Apesar da minha função ser tomar conta das crianças, sinto-me transportada para quando era eu criança. Desse tempo, faltam, fisicamente, duas das pessoas mais importantes da minha vida. Não estão comigo mas estão em mim, e estarão sempre.

Algumas tradições foram-se perdendo, mas outras continuam iguais, como as batatas e as couves cozidas no pote na lareira, o pão doce, a açorda de bacalhau que a minha tia continua a fazer para mim. Não há como convencê-la que não quero. Não sou muito fã de açorda. Durante o ano inteiro, é prato que não se senta à minha mesa, mas a açorda de bacalhau na véspera de Natal era um petisco. A minha tia faz aquilo com tanto carinho, para mim, não dando a receita a mais ninguém, "quando ela vier cá, ela come", que não tenho coragem de dizer que não consigo comer nem mais uma migalha.  Ver a satisfação dela compensa as corridas a mais que vou ter de fazer, em Janeiro, porque agora está muito frio!

Os miúdos são reis e o Pai Natal também passa por aqui. Eu e os meus primos começamos uma tradição nova, em que damos uma prenda na brincadeira a quem nos saiu em sorteio. Tornou-se um dos momentos mais divertidos da noite. A "prenda" acompanhada de um pequeno texto ou verso em que, antes de se dizer o nome do destinatário, temos de tentar adivinhar quem é. A ti, meu querido primo R., só te digo que a vingança vai ser terrível!! Para o ano espero que me saias tu :).

E assim foi o Natal, mais uma fatia deliciosa. Comparar a vida com um bolo será, talvez, pouco poético. Mas a verdade é que me sinto afortunada por ter nascido aqui, por ter a sorte, a IMENSA sorte, de ter tantos ingredientes saborosos, verdadeiros, que os mais amargos e azedos se vão dissipando e perdendo a importância.