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domingo, 19 de setembro de 2010

Boa sorte, Paulo Bento!


Em tempo de guerra não se limpam armas. Em tempo de desespero dispara-se para todos os lados. Haja braços suficientes! Desconfio que Gilberto Madaíl deve ser descendente de alguma espécie de polvo e ter uns oito braços, tamanha é a quantidade de asneiras que faz.

Uma selecção nacional tem quantos jogos por ano? Os campeonatos europeu e mundial realizam-se de quatro em quatro anos. Excepto as fases finais desses campeonatos, passam-se meses em que não há um único jogo. O que faz um seleccionador nacional nesses intervalos? Pensando bem, um part-time seria suficiente. Se calhar, valia mais o Mourinho em part-time do que muitos em full-time, mas isso é outra história. Não deixo de achar uma ideia peregrina. Reconheço a originalidade da ideia. Julgo que não deve haver muitas selecções com treinadores em part-time. Apenas acho que estas soluções de tapa-buracos não resultam muito.

Parece que o próximo seleccionador será o Paulo Bento. Desejo-lhe boa sorte. Acho que vai precisar de muita. Vai pegar numa selecção que está na lama, com resultados nesta fase de apuramento que não a deixam numa situação muito confortável, com tanta porcaria em volta da selecção e da SPF, que apenas com muita tranquilidade poderá levar o barco a bom-porto.  

E, enquanto espero por melhores jogos da selecção, vou pegar no meu lindo cachecol verde e treinar o hino do Sporting para cantar mais logo, quando ganharmos ao Benfica!!


quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa e o País


Todo o rebuliço em volta da vinda do Papa a Portugal está a levantar vozes em qualquer canto do País. Todos temos direito à nossa opinião, é verdade, mas também é verdade que todos têm direito a que a sua opinião seja respeitada. Ter capacidade para rir com os acontecimentos, é saudável e até louvável. Conhecer o limite entre brincadeira e mau gosto também, e ofender o outro, não respeitando as suas crenças, só porque eu acho que é assim e eu sei tudo, não me parece muito correcto.

Cresci no seio de uma família cristã, católica, com direito a tudo: baptismo, primeira comunhão, crisma, comunhão solene. Frequentei a catequese e fui à missa. Transmitiram-me a fé em Deus e incluíram-me na Igraja Católica. Quando comecei a pensar por mim, comecei a ter a minha opinião e a não aceitar tudo que me era apresentado. Comecei a dissociar Deus, em que continuo a acreditar, e a Igreja, em que não acredito. Aliás, sou persona non grata na Igreja, a partir do momento em que quebrei um dos sacramentos que recebi. Por vezes, gostaria de ter a inocência do meu filho que disse à avó que "se Deus e Jesus não existissem não se falava deles". Já tive muitas dúvidas e já perguntei muitas vezes "onde está Deus", quando vejo tanta coisa má, tanta pobreza, tanta catástrofe. Como se Ele fosse o culpado de tudo. Mas, tal como quando damos um brinquedo a uma criança, em que ela o pode estimar e tratar com carinho, assim também nós fazemos com o mundo que nos deram. Se a criança estraga o brinquedo, a culpa não será de quem lho deu. É-lhe dada a opção de conservar ou estragar.

Sendo a Igreja formada por homens, é falível, reinando em muitos sectores a hipocrisia. Há coisas que não são admissíveis, na minha opinião. Muitos horrores e crimes foram perpetuados pela Igreja em nome de Deus. Mas também muitas coisas boas foram feitas por essa mesma Igreja. A fé e a crença nos ensinamentos cristãos foram o suporte de muita gente e, muitas vezes, uma derradeira esperança e factor de união. Imaginem então um mundo sem fé nenhuma. 
Nem todos ingressarão na vida religiosa pelas melhores razões. Há pedofilia na Igreja, assim como em outros sectores em que não deveria haver. Há pediatras pedófilos, há professores pedófilos, e não é por isso que a medicina é irradicada da infância ou as escolas fecham. Há pais que abusam eles próprios dos filhos. Pais não será o nome correcto, mas não quero ofender os animais, por isso fica o nome que a biologia lhes concedeu. Na minha opinião tomar o um pelo todo e reduzir tudo ao mesmo não é correcto. Há padres que efectivamente encaram a sua vida como uma missão de ajuda ao próximo. Conheci alguns assim. 

A igreja condena o uso de preservativo ou qualquer outro contraceptivo, assim como o casamento homossexual. Está errado (na minha opinião). Mas não é só a igreja que o faz. Muita gente discrimina os homossexuais, chegando ao extremo de dizerem "antes queria um filho drogado do que homossexual". No entanto, essas mesmas pessoas levantam a voz para falar contra este aspecto da igreja. Muitas outras coisas estão erradas na Igreja.

O Papa faz uma visita a Portugal. É recebido com pompa e circunstância. Além de ser um Chefe de Estado, é o líder da Igreja Católica. Goste-se ou não se goste. Portugal é (ou parece ser) um País maioritariamente católico. Alguns exageros? Concordo. Mas em muitas conversas que ouvi fiquei com a impressão que esta visita do Papa funcionou como um bode expiatório para todos os problemas do País. Aproveitamos para expurgar o nosso descontentamento usando a visita papal. O décimo terceiro mês vai voar, pelo menos parte dele, com ou sem Papa. Os impostos vão aumentar, com ou sem Papa. O desemprego, as injustiças sociais vão aumentar, com ou sem Papa. A tolerância de ponto não se justifica. É a minha opinião. Mas não é esta tolerância de ponto que vai levar o País à bancarrota, quanto mais não seja porque já lá estamos. O que não entendo é como se diz tão, tão mal da tolerância, como se está tão preocupado com ela, como é uma estupidez tão grande, como achando que é um ultraje, se faz parte desse ultraje, podendo não a gozar. Se acho assim tão mal, se estou assim tão preocupada, porque não vou trabalhar? 

Não acho que esteja bem gastar tanto dinheiro num país em crise. Muitas outras prioridades deveriam ter a atenção de quem nos (des)governa. Não me acredito que o Papa tenha exigido tudo o que foi feito, não devendo ser ele o alvo das críticas, na minha modesta opinião, repito. Assim como acho que a pessoa ao meu lado, se acredita e quer acreditar na Igreja, no Papa, no que for, merece o meu respeito. Brincar, tudo bem. Ofender, acho que não. 

Muito mais poderia ser dito e discutido. Muita gente discordará do que digo. É legítimo, aceito-o e respeito.

terça-feira, 23 de março de 2010

Gestão ou Desumanização?



Há coisas que me custam a perceber. Não percebo nada de gestão, absolutamente nada. Pergunto-me apenas se as pesssoas que são colocadas em lugares de chefia, com funções de gestão, não deveriam estar vocacionadas também para olhar para o lado humano.

A E. foi uma senhora (na verdade tem só mais cinco anos que eu) que cruzou a minha vida há cerca de dois anos. A E. trabalha no  CRPCP - Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral do Porto há muitos anos. Por ela, tive contacto com esta realidade, que não conhecia.  Celebraram o ano passado o 30º aniversário, com pessoas que trabalham lá desde o primeiro dia. E "miúdos" que estão lá há muitos, muitos anos.  Além do trabalho diário, de reabilitação, era evidente o carinho e a cumplicidade entre profissionais e doentes, desenvolvida ao longo de anos. Fiquei maravilhada com o trabalho por eles desenvolvido e comecei a ir a alguns eventos do Centro, nomeadamente exposições de trabalhos, eventos desportivos, apresentações de música e dança para o público. 

No ano passado tiveram, na minha opinião (desde que os conheço) um dos melhores momentos com a apresentação dum espectáculo extraordinário na Casa da Música, protagonizado por pessoas com paralisia cerebral e outros utentes do Centro, juntamente com músicos e bailarinos profissionais. Um  trabalho fascinante, englobando música, teatro e dança. Tanto empenho, tanta força de vontade, passando o testemunho de pessoas com necessidades especiais dispostas a viver com arte e alegria. Depois do espectáculo fiquei sentada no lugar, à espera da E., e encantada com o brilho nos olhos, o ar de felicidade daqueles "pequenos" grandes artistas. Meses e meses e meses de preparação, de dedicação de parte a parte.

O CRPCP é frequentemente visitado por profissionais estrangeiros para estágios. Um local de referência. Laços e trabalho desenvolvido ao longo de anos. Profissionais que conhecem como ninguém as pessoas que dia após dia fazem daquela a sua casa. Em que estes as conhecem também e esboçam um sorriso ou estendem os braços quando os vêem. Um projecto válido, importante, que funciona.

Por isso é que não entendo PORQUE TEM DE SE ESTRAGAR O QUE FUNCIONA BEM? O esquema administrativo mudou, as chefias mudaram. E pessoas que trabalhavam ali há anos foram transferidas para outros locais, outros serviços, sendo substituídas por novos profissionais. Deixaram projectos a meio, deixaram pessoas a meio. Sem opção. Vão para outros locais trabalhar, sem a mínima motivação, revoltadas por virarem costas a anos de trabalho e sentimentos. E os "miúdos" têm de se adaptar a novas caras, a quem não os conhece, a quem não sabe quem eles são.

Dos profissionais "antigos" restam dois. Um deles é a E., que se sente perdida e ao mesmo tempo com o receio diário de a mandarem para outro local de trabalho.

Gestão? Renovação? Inovação? Inovação era praticada diariamente. Mas será que se trata de gerir super-mercados em que se mudam as prateleiras de sítio? Ou apenas uma total insensibilidade? Fico-me pela última hipótese. E é triste!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"Apenas" uma imagem


Continuo a achar que há imagens que falam por si. Se este gesto por cá não significaria nada, creio que por lá deve ser preciso muita coragem.



sábado, 7 de novembro de 2009

Coliseu, mais uma vez


Como não gosto de falar sem saber, ontem aceitei o convite de um amigo meu para ir ver João Pedro Pais ao Coliseu, encerrando assim uma semana recheadinha de concertos. Na verdade, adoro a rua Passos Manuel em dias de actuações no Coliseu. A rua enche-se de gente, e é certinho que encontro pessoas conhecidas, algumas que não via há imenso tempo. Ontem não foi excepção.

Um lugarzinho priviligiado na plateia, bem bom, ou seria, se ao meu lado não estivesse sentada uma senhora algo espaçosa. Não que fosse avantajada em tamanho, porque isso eu entenderia. Mas, se ela não era, o mesmo não posso dizer da sua antipatia e da sua carteira versão mala de viagem, que decidiu colocar no braço da cadeira. Ora, o dito braço é comum para duas cadeiras, o que quer dizer que metade seria meu. Desde empurrar o meu rico bracinho discretamente até o fazer descaradamente, fez de tudo um pouco. Sugeri-lhe educadamente que colocasse a carteira no chão. Acho que se eu fosse marciana e tivesse tentáculos a sair das orelhas não olharia para mim com menos espanto e maior desprezo. Ai ai a minha vida... Passados dez-quinze minutos, começando o meu pé a bater discretamente no chão (sinal de alerta para vai-me saltar a tampa), decidir entre chatear-me, incomodar-me com aquilo, não aproveitar o concerto, estragar a noite, atirar a carteira e a senhora para bem longe, e não me chatear e resolver a questão doutra maneira, foi fácil. Ganhou o meu estado zen e troquei de lugar com o meu amigo. Digamos que a senhora (deveria ter 50 anos) ficou visivelmente agradada e a carteira arranjou lugar no seu colo, ficando o braço da cadeira livre para o braço dela e do meu amigo. Está bem que ele é uma figura interessante, mas bastava ela pedir que eu teria trocado de lugar, poupando alguns hematomas no meu braço!


Em relação ao que interessa, o concerto, o coliseu encheu. Poucos eram os lugares vazios para ouvir cantar em português, e, independentemente de se gostar ou não do género musical, João Pedro Pais fez um bom espectáculo. Inicialmente sozinho, depois acompanhado pelos elementos da banda, passando depois a contar com o acompanhamento da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, foi um crescendo de animação na sala. Homenageou e agradeceu ao amigo Pedro Abrunhosa (eu acho que o Pedro deve ter umas lanternas minúsculas incorporadas nos óculos escuros; só assim se compreende que consiga ver no escuro), falou da partilha entre cantores, na troca de ideias e na procura da música perfeita. A parceria com Jorge Palma e Zé Pedro dos Xutos e Pontapés foram alguns dos melhores momentos.

Com direito a um encore de cerca de vinte minutos, conseguiu pôr a plateia em pé, com músicas como esta, esta ou esta. Alguém me disse um dia que ele era antipático. Como pessoa, não posso falar, não o conheço. Como artista, ontem, no Coliseu, fez um excelente trabalho.

Ou não tivesse dito uma frase que eu achei uma delícia... "Porto, Porto, és tão nosso..."