Mostrar mensagens com a etiqueta Prozac Things. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prozac Things. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de julho de 2010

Mensagens que ficam


Um tema que dominou grande parte das conversas de hoje foi a morte de António Feio. A sua mensagem no trailler do filme Contraluz "Se há coisa que costumo dizer é: Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer", circulou por mails e redes sociais. De António Feio não posso dizer muito. Como todos, habituei-me a vê-lo na televisão, com o seu ar simpático, o seu jeito simples e as suas conversas da treta. Ri-me com algumas das suas piadas e admirei a forma como enfrentou a doença. Sempre que li ou ouvi entrevistas dele, nunca o vi queixar-se, sempre vi esperança, determinação e vontade de vencer. Mesmo nas últimas entrevistas, era o sorriso que o acompanhava. Esta mensagem que deixa, entre outras, não poderia ser mais verdadeira na sua simplicidade.

Apesar de sermos donos da nossa vida, de termos a liberdade de fazer as nossas escolhas, o primeiro grande momoneto da nossa vida, um dos mais determinantes, uma vez que sem ele não existiríamos, é completamente independente da nossa vontade: o momento em que começamos a existir. Excepto para quem acredita nas teorias da reencarnação, em que a vida não é assim tão aleatória, em que somos nós, cada um de nós, que escolhe o momento em que volta a viver, o quando e onde nascer, o momento em que nos é dada vida não tem qualquer influência nossa. A partir desse momento, sabemos que o caminho não tem volta. Nascemos, vivemos, morremos. Este último momento também não depende da nossa vontade, na grande maioria dos casos. Deste ciclo da vida simplificado, apenas o viver dependerá de nós. 

Um dos momentos mais angustiantes que passei com o meu filho aconteceu há algum tempo, tinha ele 5 anos. Um dia, enquanto eu trabalhava em casa, estava ele a ver desenhos animados no sofá. Lilo e Stich. De repente começa a chorar compulsivamente, chorava e chorava sem parar. Bastante tempo depois, quando o consegui acalmar um pouco, sem perceber nada do que se passava, lá me disse porque chorava "não quero morrer e não quero que tu morras nunca". Só não chorei também porque não podia fazê-lo à sua frente. Tinha de o acalmar. Como se explica a morte a uma criança de 5 anos sem a fazer chorar ainda mais?

Apesar de a frase "era tão novo" fazer sentido, porque aos 20 anos é-se mais novo que aos 40, aos 40 mais novo que aos 60 ou 70 ou 100, parece-me que nunca  será tarde, será sempre cedo. Que a vida é uma passagem, todos sabemos. Que a morte não é um tema agradável, também. O modo como vivemos essa vida, cada um sabe também. Isto é tudo o que temos, estes momentos que passamos aqui, por este mundo.


terça-feira, 22 de junho de 2010

A ti, o melhor do meu mundo...


A ti, que és o melhor do meu mundo, peço:
Ensina-me a sonhar em cada dia da maneira que tu sonhas a cada instante,
A sorrir a cada pessoa da maneira que sorris ao vento,
A acreditar no mundo da forma que acreditas em cada olhar que te lançam com amor,
A rir e a chorar da maneira que o fazes no meu colo, sem fronteiras nem barreiras, com tanto sentir que muitas vezes já nem me lembro como é, 
A pôr o brilho das estrelas no olhar, da mesma maneira que tu fazes, 
A encarar cada novo dia como uma aventura, uma oportunidade para crescer e aprender,
A parar para admirar as pequenas coisas deste nosso mundo, como a joaninha que encontramos no jardim,
A rolar na relva sem medo de sujar a imagem que criei de mim. Ficas tão bonito sujo de terra e com cheiro a erva molhada!
Ensina-me que posso apanhar as nuvens e o sol, que posso dormir na lua sempre que quiser e deslizar no arco-íris sempre que dele me lembrar.
Ajuda-me a recuperar a pureza que tens espalhada no rosto e nos gestos e ajuda-me a ajudar-te a nunca a perderes.
Ajuda-me a não perder a capacidade de sonhar e a ajudar-te a concretizar os teus sonhos.
Logo à noite, quando estiveres a viajar para a tua terra dos sonhos, sereno e aninhado em mim, ensina-me a ser sempre merecedora da total confiança que em mim depositas, a ser sempre merecedora do amor incondicional que me tens e a ser sempre capaz de te saber deixar ser criança, a criança linda que és.
E quando já estiveres naquele mundo que é só teu, só me resta agradecer-te pelo tanto que todos os dias me dás e ensinas, pelo tanto que és na minha vida e por nunca desistires de me ensinares a ser um ser humano melhor.
Obrigada, meu filho lindo!

Estou aqui cheia de saudades do sr. Prozac, que foi passear na sua viagem de finalistas. Sim, agora são finalistas muitas vezes. Um passeio que começou ontem e só acaba hoje. Tive de pôr de lado o receio de o deixar ir. Temos sempre a tendência para os proteger, e nenhum lugar nos parece melhor para isso do que debaixo das nossas asas. Mas não os podemos pôr numa redoma.  Temos de os deixar crescer. Ele queria ir, e merecia ir. A esta hora ainda anda a correr, a saltar, dois dias preenchidos com actividades ao ar livre!  Sei que anda por lá todo contente, mas não vejo a hora dele chegar. Sei que quando sair do autocarro vai correr, saltar para o meu colo e  dar-me aquele abraço. E eu vou aproveitá-lo e saboreá-lo muito bem. Ele está a crescer demasiado depressa, e vou aproveitar todos os abraços, todos os beijinhos, todos os mimos, todos os colos. Não vai tardar muito a alguns deles ficarem para trás. Serão substitídos por outras coisas, acho eu.

ADENDA: O sr. Prozac chegou são, salvo e cheio de novidades. Adorou o passeio, as actividades, adorou tudo. Acho que tive mais saudades eu dele do que ele minhas :).

domingo, 30 de maio de 2010

Dias assim


E há dias assim. Perfeitos. Dias que conseguem, num só dia, trazer-nos de volta a nós. Dias em que, aparentemente, nada de extraordinário acontece: não nos sai o euro-milhões, não vamos a Paris nem à Polinésia, não damos a volta ao mundo,  não ganhamos a maratona. Dias preenchidos com o dia, com as coisas pequenas, aparentemente banais, de (quase) todos os dias. Foi assim o dia de ontem. 

Nem sempre é fácil equilibrar o barco que é a vida. Encontramos o nosso ponto de equilíbrio, vamo-nos equilibrando nas ondas, mas por vezes estas balançam demais. Ancorados ao nosso barquito, que, de forma amadora, tentamos manter à superfície da água, existem outros barcos. Já não é só o nosso barco que temos de governar, mas os outros também, e não é fácil. Por vezes esses outros barcos ancoram-se de tal maneira ao nosso que ficamos ali, presos, sufocados, sem espaço. As últimas semanas foram assim. Más. Demasiadas pressões, demasiadas contrariedades, demasiados problemas a resolver, demasiado cansaço. Há que equilibrar o barco, se não queremos naufragar. 

Tratamento? Um dia inteirinho só com o meu filho lindo! Só eu, ele, e o dia por nossa conta. Fazer coisas como lavar o carro, com direito a banho para os dois, comprar umas sapatilhas em que saio da loja a rir-me com a conversa dele com o vendedor por não ter sapatilhas de rodinhas para mim, comer um gelado sentados no parque, com direito a repetição,  fizeram do dia um dia de paz como não tinha há muito. A sessão de dança foi um dos momentos altos do dia. Ele e os colegas andam encantados com a dança, nomeadamente alguns passos do Michael Jackson, como o moon walk e o circle slide. Aprendido step by step. Não é tão fácil como parece. Experimentem! Ao fim do dia, quando já bocejava um bocadinho, fiquei a saber o que são "sónias". Para quem não sabe "estás com sónias" é o contrário de estar com insónias. 
Este menino conseguiu, num dia só, devolver-me o riso, a descontracção e tanta paz!
 

À noite, depois de o sr. Prozac estar estafado, tempo para sair e descontrair um bocadinho. Brindar à Amizade, porque ela merece, quando existe, quando é verdadeira. Agradecer por ter pessoas especiais na minha vida. Pessoas que valorizam a verdade, a amizade, a partilha. Que nos aceitam como somos, que não nos julgam, que nos ajudam. Que nos ouvem, não só com os ouvidos. Que nos ouvem mesmo. Que brincam, mas sabem o que é sério. Que nos fazem bem. Obrigada, Invisível, por estares aí!

Há dias assim, em que voltamos a nós. Em que reencontramos a serenidade, a paz, que nos faz tanta falta.

sábado, 22 de maio de 2010

Uma semana de cão!


Esta semana foi aquilo a que se pode chamar uma semana de cão. Trabalho, trabalho e mais trabalho. Nos tempos que correm, queixar-me de trabalho não será politicamente correcto, mas a verdade é que disse algumas (bastantes) vezes mas isto nunca mais acaba? Gosto do que faço, mas quando o descanso começa a ser muito pouco e o cansaço começa a comandar as minhas palavras e actos, aliado ao facto de deixar de ter tempo para fazer as outras coisas que também gosto muito, começo a ficar um bocadinho mais irritável.

Ontem, ao chegar a casa ao fim da tarde, mais propriamente início da noite, fui brindada com o senhor Prozac, muito bem penteadinho, já com o banhinho tomado e o pijama vestido (bendita Avó), que me pergunta "Ó mamã, tu não achas que andas a chegar a casa um bocadinho fora de horas?"  Realmente, esta semana não houve tempo para o ir buscar à escola nenhum dia, não houve tempo para irmos dar os nossos passeios, não houve tempo para nada. Sempre tentei controlar os horários de forma a ter tempo para tudo, mas por vezes esse controlo descontrola-se e não consigo fugir, por mais que me apeteça. Compromisso assumido é para cumprir. Tal como o compromisso do senhor Prozac, embora ele não saiba que o tem, é conseguir fazer-me rir quando tudo o que me apetece é estar de mau-humor, mesmo que motivado pelo cansaço. É que agora estou a pensar instalar em casa um sistema qualquer que registe a hora de entrada :)).

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Que fazer? Há dias assim


Sim, sim...claro...sim...sim...sim...hãhã...claro...sim... Só espero não ter dito sim a algo que não devia. Piloto automático e pensar que o dia tem uma duração limitada e acaba, mesmo que se junte a outro dia igual. Mas este também acaba e de dia em dia está à porta o fim de semana! 

Não dizem que trabalhar dá saúde? Não tarda muito abro uma lojita para vender saúde!

Nada como recuperar forças num excelente fim de semana,  em que o descanso foi pouco ou quase nenhum, mas que me encheu de energia, com boas notícias, com o meu Prozac a fazer uma figuraça num torneio em Espanha :)),  com a minha Mãe a aproveitar o passeio, com um jantar com uma Amiga. Que fim de tarde excelente passamos ontem, Invisível Maria! E desta vez não fiquei doente, apesar do frio que passamos (pelo menos para já). Conversa e mais conversa e mais uma vez o tempo voou. Cada vez mais acredito que realmente as pessoas não se encontram por acaso.

Mais uma semana dura pela frente. Who cares?  Eu não!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Obrigada, Vida!


Alguns dos melhores momentos do meu dia são proporcionados pelo meu filho. Não me esqueço nunca que sou mãe e de lhe transmitir noções de responsabilidade e estabilidade. No entanto, acho que isso não é incompatível com brincar com o dia a dia, e até fazer algumas coisas menos convencionais. O facto de a mãe, juntamente com uma amiga, serem as únicas a descer uma rampa enorme dum insuflável, sob o olhar algo espantado dos outros adultos, ou de pôr música e dançar em casa, não significa que ele me respeite menos por isso. Mas por vezes coloca-lhe dúvidas quando eu digo uma ou outra brincadeira. Sendo ele uma criança extremamente expressiva, gosto imenso da expressão de dúvida que se espelha naquela carinha enquanto olha para mim a pensar se estou a brincar ou não. 
Há dias, andava um pouco preocupado porque tinha de cortar o cabelo até ao torneio. Habitualmente, as meninas vão muito bem arranjadas, com o cabelo preso e os meninos com gel. A apresentação também conta, nestas coisas. O cabelo dele estava num tamanho que não dava para usar gel.
- Deixa lá, P, fazemos umas trancinhas.
- Ohhh!! Nem penses!
- A sério, fazemos trancinhas pequeninas, com gel, e depois ficam assim todas no ar.
- Oh, Mamã, não achas que para quem tem a tua idade tens umas ideias um bocado malucas? 
- Acho que ias ficar muito giro! :)
- Ohhhh! Estás a brincar, não estás?

Hoje, a caminho da escola, depois de alguma luta para não ouvir pela 351ª vez os Black Eyed Peas, que ele adora, deu esta. Um atraso de dez minutos a sair de casa implica filas e filas de trânsito. Parados há algum tempo sem andar um centímetro, lá íamos cantando a música e fazendo umas coreografias com os braços. 
- Estamos parados há tanto tempo que quase podíamos sair e dançar isto lá fora, filhote.
- Ohhh.... - diz ele, enquanto olha para o espelho retrovisor com aquela expressão de dúvida - estás a brincar, não estás? 

São pequenas coisas, é certo, mas pequenas coisas que me fazem começar o dia a sorrir, a agradecer a minha vida, a agradecer o facto de o ter na minha vida. Obrigada, filho, obrigada por encheres os meus dias de alegria :).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Porque também se perde...



Não é só vir para aqui babar quando o sr. Prozac ganha. Não. É vir para aqui babar também quando ele não ganha.
Foi um fim de semana de competição. Sábado campeonato nacional e domingo outro torneio. Começa a ficar "pesado". Não ganhou o nacional. Foi pena, porque tinha potencial para isso. Apesar de a minha opinião ser parcial, eu sei, não é só a minha opinião. Algumas peripécias que antecederam o início do campeonato e que não vale a pena mencionar aqui, até porque envolve a irresponsabilidade de pessoas que já tinham idade para serem um bocadinho mais responsáveis, principalmente quando se trata do sonho de um menino, contribuíram para ele estar completamente desconcentrado. Perdeu com um menino que tinha facilmente eliminado no regional. Porquê a baba, então? Nós, mães, não precisamos de motivos para babar!! Depois do 1º lugar ter voado, e de o ter visto tão desolado (na bancada, sem poder ir lá baixo dar-lhe um abraço) pensei "pronto, não vai conseguir fazer mais". Mas conseguiu. Conseguiu concentrar-se e bater-se pelo segundo.
Quando finalmente pude chegar ao pé dele, e depois de um mega-abraço e um parabéns, diz ele, não fosse eu estar  distraída "mamã, eu não ganhei, não fiquei em primeiro". Eu sei que não, mas estou orgulhosa dele na mesma. E estarei sempre. Porque além de ser o meu campeão, é um menino de ouro. Porque, no meio da tristeza dele - e aqueles olhinhos estavam mesmo tristes - me pergunta se eu estou triste.

As palavras dele no fim foram "sabes, mamã, quase ganhar é pior que perder por muitos". Não tive muita sorte em demovê-lo desta ideia, mesmo com exemplos de jogadores que falharam penaltis em finais do campeonato do mundo. Não é fácil não ganhar, mas é algo com que tem de se aprender a lidar. 

Obrigada, Amiga, pela companhia na tarde de sábado, por teres aturado a minha neura, por me teres feito sorrir. 

Fui proibida pelo dono da mesma de colocar aqui a foto da medalha. Nem o facto de no Domingo o torneio lhe ter corrido muito bem o animou. 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sem comentários...



- Viste, Mamã, nem teve a racionalidade de dizer obrigada. (O sr. Prozac adora armar-se com palavras "caras") . 
Isto aconteceu depois de ele ter ficado à espera, a segurar a porta da rua para a minha vizinha simpática, que parece que engoliu um garfo, entrar. Nem obrigada, nem meio obrigada. Nem ao menino, nem a mim, que entretanto segurava a porta do elevador. 

Mas não é caso único. A palavra obrigada(o) está cada vez mais em desuso. Assim como a boa-educação, a delicadeza. Não sei bem porquê, mas a verdade é esta. Quando os próprios adultos dão exemplos destes, não é de estranhar ver crianças a protagonizar situações que, a meu ver, são tristes.

Com este solinho tão bom, nada como ir dar uma volta com o filhote. Passar perto do parque infantil é sinónimo de umas passagens na corda e no escorrega. Ficamos pouco tempo por lá. Estavam lá dois miúdos, um devia ser da idade do Prozac, e outro mais novito. A "conversa" entre eles resumia-se a umas poucas palavras de português, intercaladas com muitas asneiras:

- Anda pá frente com essa m****.
- F***-**, pá, p'éraí!
- Bamos andar naquilo.
- Aonde?
- Anda, ó boi!

As duas senhoras que estavam lá, presumo eu, deviam ser as mães ou pelo menos estavam com os miúdos. Continuaram em amena cavaqueira, como se fosse a coisa mais natural do mundo duas crianças terem esta linguagem e dizerem "anda, ó boi". Fiquei a olhar para aquilo incrédula. Nem tanto pelas crianças, mas por ver os adultos impávidos e serenos sem as chamarem a atenção. Será que sou eu que exagero? Confesso, as palavras este mundo está perdido passaram-me pela cabeça!

domingo, 28 de março de 2010

A caminho do Nacional


Sei que sou uma mãe babada até mais não, e ontem, mais uma vez, fiquei muito orgulhosa do meu filhote. O objectivo era ser apurado para o campeonato nacional de karaté. Ia ser difícil para ele se não fosse apurado, depois de treinar tanto. Mas, não só foi apurado, como ficou em primeiro lugar, sendo o novo campeão regional Norte no escalão Infantil. 

Uma manhã de stress para a mãe. Além de saber que eles estão nervosos, o que muitas vezes faz com que se atrapalhem, basta um pequeno desequilíbrio, uma hesitação, para serem eliminados. Os elementos do júri também têm muitas vezes preferência por este ou aquele estilo de karaté, e entre duas exibições equilibradas, dão preferência a esse estilo. Oito pools. Ganhar a pool dele, depois as eliminatórias com as outras pools.

Mais do que ter ganho, fiquei orgulhosa por ver a evolução dele. Desde que começou a ir aos torneios, há cerca de um ano e meio, "cresceu" imenso. A postura, a atitude, o empenho, a técnica. Não sendo uma criança muito grande, em termos físicos - é quase sempre o mais pequeno - ele cresce em atitude quando entra na pool. Começa a levar aquilo um pouco a sério demais.  Nos intervalos já não brinca, treina. Arrisca katas mais difíceis. A expectativa cresce. Agora sonha em ganhar o Nacional, em Abril.  Não vai ser fácil. Lá vão estar os primeiros classificados dos Regionais, ou seja, os melhores.  Mas, quem sabe?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Mãe SOFRE!! Ou talvez não...


Sempre que posso, vou buscá-lo cedo e vamos lanchar. Hoje quis levar a mochila. Estranho!!

- Para que é a mochila P? Só vamos lanchar e vamos embora.
- Tens de assinar os testes, Mamã.
- Tira só os testes, filhote. Carregar com aquela mochila de 3 toneladas é obra!
...........
- Vê, Mamã!!
- Deixa-me só sentar! Ok, então, como correu?
- :D. Vê!! :):):):)
..........
- Parabéns, meu amor!! Tudo MB! Abraço grande, e mais outro e outro e outro...
- Acertei tudo em Estudo do Meio! 
- Tudo certinho! Neste exercício de matemática não leste o problema todo, pois não? Gosta de ser rápido e por vezes lê o início do problema e esquece-se de ler o resto, porque pensa que sabe o que se vai perguntar.
- Não, pensei que era quanto dava tudo e não quanto sobrava. Viste a composição? Escrevi 25 linhas!! Para quem fazia composições com uma linha ou chegava à terceira linha sem personagens é um grande avanço!
- Está muito bem, filho. Muito bem mesmo. Parabéns!

................ Duas dentadas na tosta mista........

- Mamã!
- Diz, filhote.
- Se eu me portar muito bem, levas-me a ver a Hannah Montana?? Levas? :) Aquele sorriso que derrete pedras!

SOCORRO!!!

Bem... nem sempre concordamos sobre o que é portar bem :).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Prozac Kid


O orgulho é pecado, eu sei. Mas que posso fazer? 

Que posso fazer quando olho para o pódio e vejo o meu filhote lindo na posição mais alta a receber a medalha de primeiro classificado, sinto um orgulho imenso e só me apetece dizer "é o meu filho, não é lindo?"

Que posso fazer quando o meu coração se enche de alegria ao ver aqueles olhos a brilhar? Quando ele se vira para o sítio onde eu estou e me manda um beijinho com a mão e o sorriso mais bonito do mundo?

O dia começa sempre cedo, em dias de torneios. Com o tempo, os procedimentos vão-se tornando rotineiros e já sabemos: eliminatórias por pools, e depois entre os vencedores de cada pool até à final. Só há cintos de duas cores, azul e vermelho. Primeiro o atleta de cinto vermelho, depois o do cinto azul. Fazem as suas katas. Em cada pool três árbritos, cada um com uma bandeirinha vermelha e outra azul. Os atletas dão o seu melhor e esperam, em pose, que os árbritos levantem a bandeira do atleta que fez a kata mais correctamente. E vou sofrendo enquanto não o fazem, as unhas pagam o nervoso miudinho! De eliminatória em eliminatória, conforme vão passando, a "qualidade" do adversário e o grau de dificuldade vão aumentando. A final é o pior. Muitas vezes arrisca uma kata mais complicada. Diz que prefere ser o segundo, para fazer uma mais difícil que o primeiro. Hoje foi o primeiro.

Às vezes não chega à final, e quando chega, nem sempre ganha. Aprendeu a lidar com isso, e, por ele, começou a concentrar-se mais nos treinos. Ter jeito é bom mas não chega, é preciso treino e concentração.
O orgulho é muito feio, eu sei, mas que posso fazer? Vou guardar mais uma medalha :))

E assim serão passados muitos dos meus sábados, até Julho, mais ao menos, percorrendo algumas terras de Portugal e Espanha. O único problema é as bancadas serem feitas de cimento. Aquilo é tão desconfortável e tão frio, que certa parte do corpo, fica completamente congelada. Vendo as coisas pelo lado positivo, li algures que alguns tratamentos da celulite passam por tratamento pelo frio, incluindo a permanência, por alguns minutos em temperaturas muito baixas. Quem sabe não é verdade!!! 

Felizmente hoje não houve provas de Kumite. Dessas não gosto mesmo nada, embora ele tenha jeito para se esquivar.