Mostrar mensagens com a etiqueta Emotions. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emotions. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ciclo da vida...

O ciclo da vida é incontornável: nascemos, vivemos, morremos. E a vida continua no planeta Terra, pelo menos enquanto não o conseguirmos destruir completamente. De uma ponta à outra deste ciclo, vamos acumulando experiências, vamos dando, recebendo, rindo, chorando, vivenciando momentos mais ou menos bons, enfim, aquilo a que chamamos viver. Como companhia ao longo deste tempo todo, temos aquela pessoa que acorda e adormece connosco todos os dias, que nasce e morre connosco, mesmo quando morremos só um pouco, mesmo quando renascemos - nós próprios. E temos as outras pessoas que fazem parte do nosso mundo, cada uma à sua maneira. No entanto, e apesar de conhecermos sobejamente o ciclo da vida, esquecemo-nos muitas vezes que os anos passam, as pessoas envelhecem e a lei normal da vida é um dia deixarem-nos. E, por vezes, perdemos pessoas que foram importantes para nós, pessoas que se tornaram parte de nós, pessoas que nos transmitiram tantas coisas boas que só a sua recordação nos faz sorrir, mesmo quando o coração está carregado de saudade e os olhos de lágrimas. Na verdade,  penso que nunca estamos preparados para perder quem amamos. Haverá alguma forma de o estar? Penso que, se existe, chama-se AMAR. Amar enquanto é tempo, amar enquanto há vida. Depois... Depois apenas resta a saudade,  sentimento doloroso mas  que encontra conforto no amor que se teve e se deu, ou o arrependimento pelo que não dissemos ou não fizemos, pelo que dissemos ou fizemos. Prefiro a saudade. Como canta Mariza nesta música linda

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades

Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir 


Há gente que fica na história
da história da gente

e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir 


São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder 


Há dias que marcam a alma
e a vida da gente

e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer 

.......................................................

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Pessoas que me fazem confusão...


Por vezes é muito difícil explicar por que as pessoas fazem o que fazem ou são como são. Muitas vezes chego à conclusão que não há explicações, muito menos explicações simples. Talvez a vida  seja mesmo demasiado  complicada. Com tantas, tantas pessoas no mundo, cada uma com a sua maneira de pensar e de agir, pretender saber como funciona a sua mente seria impossível. O nosso mundo é consideravelmente mais pequeno. O meu, pelo menos, é, e há alturas em que  gostava que fosse ainda mais pequeno. Não me importava nada de não ter de lidar com certas pessoas. Não me compete a mim julgar. Cada um é como é. Mas tenho o direito de gostar ou não. Assim como os outros têm o mesmo direito em relação a mim. 

Há pessoas que me fazem muita, muita confusão. Mesmo os meus sentimentos em relação a elas são contraditórios, balançando entre a pena, a incredulidade, e a repugnância. São pessoas más. Pessoas que destilam ódio por cada poro do seu corpo. São incapazes, completamente incapazes, de ver alguém bem, feliz, bonito, bem-disposto. Passeiam o seu ódio por cada corredor, cada sala, cada pequeno espaço que ocupem. Lê-se esse ódio nos olhos, ouve-se nas palavras, sente-se nas suas acções. São pessoas amargas, muito amargas. Pergunto-me se em algum momento se sentirão felizes, e chego à conclusão que não. É impossível sê-lo quando só se pensa em como prejudicar os outros, em como lhes roubar a felicidade, a alegria. Como se se pudessem alimentar com a alegria dos outros. Mas nem é isso que acontece. Não se alimentam com a alegria dos outros, alimentam-se com a sua tristeza, com a sua infelicidade. Parecem abutres, esperando o momento certo para desferir o golpe, para aparar o sorriso, para afogar a auto-estima alheia. 

Pergunto-me se isto será determinado genéticamente, se já nascerão assim, não tendo hipótese de lutar contra os genes. Pergunto-me se a vida as fez assim. A vida nem sempre é fácil, ou melhor, raramente é fácil, mas não é fácil para ninguém. É algo tão intrínseco nelas que se calhar é mesmo genético, como a cor dos olhos e do cabelo. "Sou morena,  tenho olhos castanhos, e só estou bem a pôr os outros em baixo". Isto seria muito injusto. É só pintar o cabelo e fica-se ruiva, umas lentes transformam os olhos na cor que se quiser. E o resto, não se pode mudar?  

Acho que é impossível ser feliz assim. Daí o sentimento de pena. Acho que estas pessoas vivem uma vida de constante frustração. São invejosas, têm inveja da felicidade alheia porque não conseguem ser felizes. As únicas culpadas são elas próprias, mas não conseguem ver isso. O seu único objectivo é fazer mal, ofender, criticar, magoar. Pergunto-me se, quando viram costas, já exibem um sorriso de satisfação ou se esperam até estarem sozinhas, longe de outros olhares, para brindarem. Sim, porque brindam sozinhas. São tão amargas que apenas devem beber limonada, não vão correr o risco de adoçar um bocadinho. Tenho cá para mim que podiam pegar nos limões e, em vez de fazerem limonada, podiam fazer um belo gin tónico. O resultado seria, seguramente, melhor.

sábado, 28 de agosto de 2010

....


Há dias em que os pensamentos se perdem e eu me perco neles, ou com eles, não sei bem. Dias em que tudo dentro de mim grita tão alto que não me consigo ouvir. Dias em que as ideias em desalinho me desalinham todos os pensamentos. Dias em que gostava de ter o poder de fazer o tempo andar para trás e mudar um instante apenas. É engraçado o poder de um instante. Um breve instante. Um momento que não volta mais, que perdemos, que passou. Um momento que nos torna prisioneiros de si próprio. Um momento que deixamos ser condicionado pela razão. Entre a razão e o coração, que vença a razão! O coração é um tonto, impulsivo, cego, surdo aos ensinamentos do passado. De cicatriz em cicatriz ele esquece-se de tudo. Memória de elefante para umas coisas, memória de recém-nascido para outras. Quando bate, não se lembra de mais nada, apenas bate. Como gosto de ti, coração! Mas, porque tento ignorar-te tanto, dando a mão à razão? Se ao menos esta me fizesse feliz!! A razão é dona do conhecimento, sábia e racional. Tem mais do que memória de elefante, tem também o seu peso, o peso de cem elefantes. E é assim que consegue enterrar bem fundo o coração. Cem elefantes pesam muito!

Por vezes penso que sou a pessoa menos amiga de mim própria que conheço. Como se me recusasse a ser completamente feliz, a fazer as coisas bem. Deixar de ser "eu", este "eu" que se resguarda de qualquer sentimento que possa fazer despertar o outro eu, aquele que mandei de férias há muito tempo, que guardei bem no fundo do baú e fechei com um código ultra-secreto, tão secreto que logo me esqueci dele. O "eu" que tem como missão deixar o outro eu num sítio perfeito, seguro, num mundo só meu, que guardo como se fosse um reino intocável. A mente é dona de estranhos caminhos e armadilhas. Armadilhas poderosas que nos mantêm ali. Nada aparece do acaso, e elas também não, mas como explicar aquilo que só nós compreendemos? Tornam-se inúteis as palavras. Não há palavras que possam fazer compreender. Nem as escritas. Escrevo porque preciso de escrever, sem saber o rumo das minhas palavras. Simplesmente escrevo. Escrevo porque há dias em que o coração grita tão alto que não me consigo ouvir. Nem a ti, razão. E nesses dias, em que não te consigo ouvir, fico perdida, perdida nos pensamentos. Nesses dias o "eu" fica contigo e não o ouço também. Nesses dias apetece-me deixá-lo aí, contigo, onde não o ouça mais.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sentimentos vs Acções


Muitas vezes vivemos como se não tivessemos o poder da escolha. Pensamos saber o resultado de tudo. Pensamos que não vale a pena porque, porque... e por vezes o resto da frase não surge. Encolhemos os ombros e completamos a frase com um encolher de ombros e a resposta porque não vale. Fossemos crianças e não nos contentaríamos com esta resposta. Mas em adultos podemos, porque podemos tudo e nos dá jeito fazê-lo. Obrigamos as crianças a explicar até à exaustão a razão de algumas das suas acções, mas nós não o fazemos, muitas vezes nem perante nós próprios. 

Diz Mário Quintana que não somos culpados pelos nossos sentimentos mas sim pelos nossos actos *. O engraçado é que muitas vezes os nossos sentimentos, os tais pelos quais não somos responsáveis, são bem mais bonitos do que os nossos actos. O sentimento pode ser livre, mesmo quando condicionado, abafado, sufocado, amarfanhado pelos actos. O sentimento vale por si só e é bonito porque surge dentro de nós. Ele não se importa se gostamos ou não, se queremos ou não, não se importa com nada. É um pouco selvagem, o sentimento. Surge sem ser plantado, e muitas vezes cresce sem uma única gota de alimento, mesmo quando nós, com os nossos actos responsáveis, lhe criamos um ambiente pouco propício ao crescimento. Quase me apetecia dizer-lhe que é um chato, um intrometido, um grande teimoso. Quase... Mas como posso chamar-lhe isso se me faz sentir tão bem? Vem perturbar as certezas, decisões e direcções, mas estas parecem-me mais actos. São pensadas e muitas vezes auto-impostas. Não surgem assim, do nada, de um olhar, de um abraço, de um partilhar. De tão pensados, esses actos por vezes são quase automáticos, tipo reflexo condicionado. Quando damos conta estamos transformados em cãezinhos pavlovianos. A mim, acho que só me faltam as orelhas compridas, um focinho alongado, muito pêlo e um faro apurado. 

Sim, as opções são sempre nossas. Sim, somos responsáveis pelos nossos actos. No entanto, tenho cá para mim que por vezes as opções optam sozinhas, seguindo o mesmo circuito de sempre. O problema... O problema são os curto-circuitos.

* "Somos donos dos nossos actos, mas não dos nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos.
Podemos prometer actos, mas não podemos prometer sentimentos.
Actos são pássaros enjaulados, sentimentos são pássaros em vôo." Mario Quintana

sábado, 24 de julho de 2010

Porque sei que passas aqui de vez em quando...


É fácil pensarmos que sabemos as soluções para os problemas dos outros. Do lado de fora, tudo parece mais fácil, tudo parece lógico e formar uma opinião, dar um conselho, torna-se simples. Por vezes, parece-nos tudo tão fácil que nos apetece quase abanar a pessoa e dizer "como é possível não veres?" Porque há coisas que apenas a pessoa que está a passar por um determinado momento, uma fase, seja o que for, não vê. Não vê porque se encontra embrulhada numa teia que não deixa que os seus olhos vejam o que o seu coração não quer sentir. Pertencentes ao mesmo dono, estes dois orgãos vêem coisas completamente diferentes. É por isso que nós, que estamos de fora, muitas vezes achamos que vemos melhor. Porque vemos com os olhos, e com o coração focado apenas na vontade de ver os nossos amigos bem. Por vezes faço isso, penso em mim como se eu fosse um amigo meu e o que lhe diria naquele momento. Muitas vezes não gosto das respostas. Dar ouvidos ou não a essas respostas será uma decisão a tomar. Mesmo sabendo que são certas , posso teimosamente continuar a enveredar pelo caminho errado. Ou não.  A decisão é minha, as consequências também. 

Por vezes, queremos encontrar nos outros as respostas que apenas nós podemos ter. Procuramos o aconchego das suas palavras, e queremos, queremos tanto que alguém nos diga uma palavra mágica que faça os problemas desaparecerem, levando com eles o peso que sentimos nos ombros e no coração. Mas isso não existe. Por mais amigas que as pessoas sejam, por mais sinceras que sejam as suas palavras, por mais verdadeira que seja a sua amizade, há caminhos que só a própria pessoa pode percorrer. Nem sempre ouvimos o que queremos, mas, principalmente, poucas vezes interiorizamos o que não queremos ouvir. Apenas vemos aquilo que estamos preparados para ver, e muitas vezes essa preparação demora. Ouvimos, sabemos que é certo, mas não sentimos, não queremos sentir, queríamos outra coisa. A não ser que nos liguem à corrente e uma descarga de 1000000 de volts faça uma eliminação selectiva, não vemos, nem conseguimos aceitar o que não sentimos. 

Todo este tempo depois, o que te digo é a mesma coisa. Mas não sou eu que tenho (ou não) de acreditar nisto. És tu.

O amor... Ah! Palavra tão pequena e tão complicada! O amor não se pede, não se mendiga e muito menos se impõe. Existe, ou não existe, e quando existe não é preciso pedir, pois não?  O amor não cobra, o amor dá. O amor não prende, o amor liberta. Liberta para que possas dar o melhor de ti, livremente. O amor não é sempre paixão desenfreada e beijos apaixonados. O amor também é o abraço apertado, a mão no ombro, o estar ali sem ser preciso dizer ou fazer nada, quando a simples presença é tudo. O amor também é paciência. Paciência para quando o outro não está tão bem como devia, para as pequenas falhas, para as pequenas incompreensões. O amor também é preocupação, não só com o próprio umbigo e bem-estar, mas pelo outro. É querer tomar as dores do outro como nossas, ou pelo menos partilhá-las. O amor também é companheirismo, cumplicidade, amizade. É saber ouvir, querer ouvir, e saber falar. O amor não quer uma vida perfeita, o amor quer ser a perfeição quando a imperfeição nos rodeia. O amor é tudo. Como pode o amor fazer-te sentir nada?

É fácil amar quando o caminho que se apresenta pela frente é uma auto-estrada com belas paisagens num dia de sol. Aí, qualquer carro anda. Mas não é aí que se vêem os bons carros. A qualidade de um carro vê-se pela forma como faz as curvas, como enfrenta a chuva e a neve sem derrapar, como ultrapassa os obstáculos mantendo sempre a estabilidade. Não precisa ser um carro último modelo, de pintura imaculada, cheio de extras e acessórios. Precisa ser um carro seguro. Tenho para mim que um belo Ferrari dificilmente se safaria nos Alpes antes de passar o limpa-neves. Sem dúvida, impressionaria alguns aficcionados das máquinas, mas deixaria o seu condutor apeado.

Dizem que é complicado amar. Talvez o complicado seja querer amar, apenas porque se ama aquela pessoa assim, tal como ela é. Mas isto, isto é o que eu penso. Eu, que estou de fora, que apenas vejo com os olhos. O caminho, a vida, é tua. Só tua. E só tu podes decidir que carro queres para percorrer esse caminho. E, sabes, não há mal nenhum em percorrermos parte desse caminho sózinhas.

sábado, 17 de julho de 2010

.........


Às vezes apetece mesmo, mesmo... Apetece tirar os travões,  ignorar os sensores, desligar os sinais de alerta, esquecer as dúvidas, as cautelas, as inseguranças, e arriscar. Até agir contra as probabilidades. Aceitar a probabilidade de cair, descarrilar, esfolar os joelhos, cair de cara no chão.

Os travões são o medo e a sensação de conforto da segurança. A segurança, ou a ideia da mesma, é confortável na sua constância. Mas o preço da segurança pode ser a perda da liberdade, de explorar novos territórios desconhecidos, e a própria vida, com as suas infinitas escolhas. Evitar certos riscos, aceitar as coisas como são, conformarmo-nos, não  sonhar sequer. A segurança, de certa forma, seduz-nos também. Ela anda de mão dada com o equilíbrio. Criamos o nosso espaço, içamos as nossas barreiras, construimos o muro que nos resguarda, e sentimo-nos seguros dentro dele. Não há oscilações, não há altos e baixos, não há desilusões.

O medo... Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar? Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta dos nossos sonhos? Mas afinal o que é esse medo que tantas vezes nos limita? Existe realmente? Existir, existe. Até tem um nome, por isso existe. Existe dentro de nós. Criado por nós, auto-imposto por nós. E é incrível a capacidade que tantas vezes temos de o alimentar. Se por um lado nos queremos livrar dele, por outro, guardamo-lo, estimamo-lo até e usamo-lo quando nos dá jeito. Usamo-lo como desculpa para justificar o posterior arrependimento. Porque nos arrependemos sempre do que não fazemos. Fica sempre o eterno se a zumbir dentro de nós. Temos medo. Muitas vezes somos nós que criamos os nossos maiores obstáculos, estrategicamente colocados no caminho para justificar a nossa incapacidade de arriscar. Arriscar implica não conhecer todas as variáveis, implica não ser dono de todo o conhecimento, não ser uma relação causa-efeito, mas uma relação com demasiadas variáveis que não controlamos. Pode trazer desilusão, frustração, sofrimento até. O melhor é ficar quietinha no meu canto, na minha segurança. Posso até ficar contente com a minha prudência.  Desculpas que por vezes funcionam, e que, juntamente com o medo e a segurança formam um trio que anda sempre de mão dada.

Mas, por vezes, apetece... Apetece mesmo mandar os travões passearem sozinhos, agir contra as probabilidades, agir a meu favor, querer mais. Acreditar mais. Em mim.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Chuva miudinha...



Em qualquer relação há uma dose de encanto. Em qualquer pessoa que  nos seja mais próxima, há algo que nos encanta. Talvez encanto possa parecer uma palavra algo exagerada (a mim não parece), principalmente ao fim de algum tempo. Talvez lhe comecemos a dar outros nomes, talvez nos habituemos tanto a essa(s) característica(s) que nos encantaram que não pensemos nelas sequer.

A mim, há coisas que me encantam nos meus familiares, nos meus amigos. Encanta-me a ingenuidade da minha tia A., encanta-me a determinação da minha Mãe, encanta-me tudo no meu Prozac, encanta-me a maneira se ser linda do J., a postura protectora do R., a sinceridade e a "loucura" da I.,  a alegria da A., e tantas outras coisas. Assim como me encantaram pessoas que deixaram de o fazer. Claro que qualquer relação tem sempre dois lados, não há só um e, tal como aconteceu comigo, também com toda a certeza já sentiram o mesmo em relação a mim.

Nem sempre o desencanto vem de uma vez só. Por vezes, vai-se instalando aos poucos. Mas esse primeiro momento de desencanto é crucial. Como um despertar. Começamos a olhar com outros olhos, e nunca mais nada é como era. É esse o momento que não gosto. Como se algo se quebrasse. Algo que era precioso para nós. Não verga, não dobra, não torce. Quebra-se e não há cola capaz de o emendar. Mesmo que nos esforcemos por tratar essa quebra, a sua marca fica sempre lá. E mesmo vendo a pessoa sem essa cor encantada com que a víamos, quando essa pessoa foi importante para nós, fica um vazio, uma parte da nossa vida que se quebra também. 

Arrisco-me a pensar que prefiro o desencanto que vem de uma vez só, como um banho de água fria em pleno Dezembro, do que a chuva miudinha que acompanha este desencanto que se instala lentamente. Este, deixa um vazio maior, um desalento, uma tristeza misturada com pena,  até com um certo conformismo, à medida que todo o encanto se vai desvanecendo.

PS1 - Maria Invisível, a I és tu! ;)
PS2 - Onde se lê nós, leia-se eu.

domingo, 4 de julho de 2010

Danone, Mimosa, Adágio ou simplesmente Criança? Está difícil!!


Por mais que pense, não me consigo decidir que marca usar. Pensando bem, acho que terei de inventar uma marca nova, e registar a patente. Afigura-se-me complicada esta tarefa, porque terei de incorporar vários prazos de validade... pelos vistos, há um prazo limite para tudo. Que todos nós temos um prazo de validade já eu sabia. Apesar de ter visto os filmes com o Christopher Lambert sobre os Imortais, sei que aquilo é filme e não realidade, logo, um dia, a validade acabará.  Que havia prazos ou sub-prazos para tudo é que eu não sabia, muito menos que esses prazos rondam os 30 anos. Sei que há coisas que, passando determinada idade, não são, de todo, normais, principalmente se feitas com um carácter repetitivo. Brincar aos Pokémons com o meu filho  de vez em quando, porque ele me pede, não é anormal, digo eu, ou andar a jogar futebol no parque. Claro que viver no mundo das crianças não é o mesmo que viver o mundo das crianças, nem ser criança. Mas isso sou eu que digo, e pode muito bem ser uma desculpa que me dá jeito. 

Ouvir dizer "já não tens idade para isso", faz-me um bocadinho de comichão.  Talvez seja o meu medo inconsciente de envelhecer muito (podes ficar descansado, Freud, que não vou psicanalizar!). Por vezes sinto-me como um iogurte fora de prazo. Por mais que tenha procurado, não encontrei tatuados números com datas no meu corpo. Olhando atentamente ao espelho, esperava ver começar a correrem números na testa ou nos olhos, como acontece nos desenhos animados. Mas não vi nada disso. Isto de me compararem a produtos de super-mercado mexe-me um bocado com os nervos! Se me apetece dançar, danço. Se me apetece cantar, canto. Se me apetece fazer uma corrida com o sr Prozac digo "P, vamos ver quem chega primeiro?". Claro que não vou dançar no trabalho ou cantar a altos berros na rua. Apesar de muitas vezes brincar, nem tudo é uma brincadeira para mim. O que é sério, é sério, mas não acho que o facto de a vida ser como é me obrigue a andar sisuda todo o dia,  não acho que ser adulta implique perder toda essa alegria que temos em crianças. Se isto é ser criança, então, prefiro ser assim. Continuar a fazer coisas apenas e só porque me fazem rir. Pelo menos, poupa-me o trabalho de escolher uma só marca de iogurtes... se bem que lembrando-me de alguns anúncios da Adágio, confesso que a tentação de escolher esta marca é grande...


Privar-me das coisas que eu quero, posso e gosto de fazer na vida por  causa da idade, de parecer mal, seria uma forma de me penitenciar por uma coisa que não é um crime, mas um facto natural da vida. 
Ir a correr ao shopping ver se consigo arranjar seriedade suficiente para andar sempre elegantemente de cabeça erguida, sem dar um passo em falso, nem trocar os pés também nãome parece que vá resultar. Ah! E não esquecer também as outras coisas que, com esta idade, também já deveria ter, como relação estável e estabilizada, etc, etc, etc. Lembro que se calhar também já devia ter o meu Audi A5, mas ninguém se chega à frente!!!

Sou criança? Paciência! Vou continuar a querer que a vida tenha alguma cor além do cinzento, que o meu sorriso apareça, que seja verdadeiro e surja por motivos que aparentemente não interessam, mas que são especiais para mim. Vou continuar a ter vontade de dançar, cantar, saltar e correr. Vou continuar a ter vontade de viver como sei viver!

terça-feira, 29 de junho de 2010

.................


Quando lhe perguntavam porque gostava dele, não sabia responder. Sorria, encolhia os ombros, e tentava... Tentava definir o porquê do que sentia, mas não conseguia. Conseguia definir um quadrado com facilidade, até um círculo ou uma árvore, mas como se define um sentimento? Nem sabia ao certo que nome lhe dar. Amor? Encanto? Ilusão? Paixão? Mesmo após  anos ainda não sabia. Sabia apenas que existia, o nome não importava.

Talvez enumerar as suas qualidades a ajudasse a definir. Mas não se gosta de outra pessoa apenas pelas qualidades que ela tem, ou as pessoas honestas, alegres, simpáticas, trabalhadoras, teriam uma fila de pretendentes à porta. O amor não obedece à razão nem à lógica.  O amor acontece sem se querer. Ela nunca quisera aquele amor. Ele viera e instalara-se a seu bel prazer, sem pedir licença sequer. Tivesse ele pedido licença e teria ficado na rua. O amor acontece por empatia, por magnetismo, porque os planetas estão desalinhados. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que  nos dá ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pelo olhar, pelo andar. Ama-se pelo sorriso. Ama-se pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Ama-se por tudo e por nada. Ama-se porque se ama. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu + tu = nós, ou, se não fosse assim: eu - tu = esquecimento.  Não funciona assim. Esse amor não nos consulta, não nos pede licença, não nos obedece. Não se define. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O desencanto mora sozinho


As pessoas entram na nossa vida, ocupam um determinado lugar, e, por vezes,  deixam-no desocupado. Por motivos vários. Porque sim. A vida, o destino, une e separa as pessoas. Pessoas que nos fizeram muito felizes também podem sair da nossa vida. Quem, por algum motivo, um dia nos fez feliz, geralmente não é esquecido. Nem a pessoa, nem a a felicidade que nos proporcionou. Há pessoas que guardamos sempre no coração, com um carinho muito especial. São pessoas especiais para nós. São pessoas que sempre foram verdadeiras, que nos encantaram, que nos fizeram querer cantar, querer amar, querer viver. Com quem rimos. Por vezes também nos tiraram a vontade de cantar, também nos fizeram ter momentos menos bons. Mas são pessoas que têm sempre aquele encanto. Que, mesmo tendo seguido caminhos separados, nos despertam sempre sentimentos de carinho, em quem pensamos com um sorriso, um misto de saudade, de nostalgia, de recordações boas. Pessoas cuja passagem na nossa vida trouxe algo de tão bom, tão especial, que queremos mantê-las perto de nós, nem que seja nas recordações. Não significa que fiquemos agarrados a essas recordações, mas são recordações que guardamos porque significaram algo especial.

Nem sempre é assim. Pensava que nada poderia fazer esquecer alguém que um dia nos fez felizes. Muito ou pouco tempo, não interessa. A felicidade não se mede em dias, não se mede só no tempo que dura. Mede-se também no que perdura, no efeito que tem a mais longo prazo, no bem que nos faz e se perpetua, mesmo que a causa acabe. Mas não é verdade. Há algo que pode fazê-lo: o desencanto. O desencanto pode ser recebido também com um sorriso. Um sorriso triste. Um sorriso de tristes constatações que vamos somando, conforme essa pessoa se vai revelando. Oca. Vazia. Cheia de si própria. Tão cheia que não cabe mais nada excepto a própria vaidade, um ego que precisa de ser constantemente alimentado. O desencanto destrona  o carinho, a saudade, a raiva, a tristeza.

Não haverá nada mais triste do que passar pela vida de alguém e não deixar nada. Assim como é triste constatar que, em nós, também nada ficou. O desencanto dá lugar a nada. O desencanto mora sozinho.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Momentos...


Os momentos valem o que valem. São momentos. Momentos de segundos, minutos, horas, dias, meses. Momentos. Momentos que não se medem pelo tempo. Momentos que são imensuráveis. Dias que se resumem a segundos e segundos que duram uma vida inteira. Momentos recheados de palavras, gestos, risos, olhares. Momentos que deixam sabor a pouco, a muito pouco. Momentos que se gravam em qualquer recanto do nosso ser, mas que não adormecem. Momentos que era suposto serem apenas isso e acabarem quando acaba o tempo do momento, quando o momento se despede e nos despedimos do momento. Momentos que, pensamos, não tiveram nada que os tornasse memoráveis. Momentos dentro de um momento aparentemente maior. Momentos que atropelam todos os outros para ficarem ali, enraizados em nós. Momentos que se alimentam a si próprios. Momentos que ganham vida própria e emergem no meio de outros momentos, ofuscando-os. Momentos que pedem mais momentos. Momentos que são apenas isso, momentos, e  que valem o que valem.

sábado, 8 de maio de 2010

Quantas vezes...


Quantas vezes ficamos assim, não sabemos bem como, assim...
Quantas vezes pensamos em desistir, deixar de lado ideais e sonhos.
Quantas vezes sentimos solidão, mesmo rodeados de mil pessoas.
Quantas vezes queremos esquecer, dormir, fugir.
Quantas vezes lutamos por uma causa perdida.
Quantas vezes nos sentimos incompreendidos, injustiçados, destroçados.
Quantas vezes queremos sorrir e não conseguimos.
Quantas vezes sentimos o coração tão apertado que só apetece abrir o peito para ele se soltar um pouco e deixar de doer.
Quantas vezes aquela lágrima irritante teima em cair precisamente na hora em que precisamos parecer fortes.
Quantas vezes a nossa voz treme e trai completamente a nossa postura de indiferença.
Quantas vezes sentimos saudades do que tivemos e do que temos.
Quantas vezes sentimos saudades do que não tivemos, do que quase tivemos, do que sonhamos ter.
Quantas vezes...
Quantas vezes ficamos assim, não sabemos bem como, assim...

Pedimos um pouco de força, um pouco de luz, um pouco de qualquer coisa. E esse pouco que pedimos aparece: um sorriso, um olhar, um abraço, um gesto de amor... E nós, assim, não sabemos bem como,  insistimos em seguir, em ir em frente, porque temos uma missão: sermos felizes. Para isso, o primeiro passo, como em tudo, é querer. 

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O meu vestido vermelho, ou assim-assim...


Finalmente tenho aquele vestido vermelho, lindo, lindo, que andava a namorar há tanto tempo! Vermelho mesmo, daquele vermelho das rosas e das cerejas! Embrulhado em papel de seda, a sua cor é tão intensa que ultrapassa a espessura do papel e faz o meu coração cantar e os meus lábios sorrirem, enquanto os olhos brilham! Com muito cuidado, desembrulho-o e coloco-o num lugar especial,  visível, mas protegido das intempéries externas. A sua cor reflecte-se em cada pequeno pormenor à sua volta. Lindo, lindo!
Gosto tanto dele que o uso todos os dias. Visto-o, e não o sinto como um tecido exterior, mas como uma segunda pele. Faz parte de mim. Vermelho! Tão vermelho! 
Com o tempo, noto que aquele vermelho-vermelho já não está tão vermelho. Desbotou um pouco. Arranjo os melhores produtos para o tratar, para lhe devolver a cor. Ilusoriamente, por momentos, parece ter regressado à cor original, mas no meu íntimo sei que assim não é. Mas continuo a usá-lo. Afinal, é o meu vestido vermelho, a minha pele.
A palidez do vermelho acentua-se e já há quem lhe chame cor-de-rosa. Corrijo, dizendo que é vermelho. Não sei bem quem tento enganar, se os outros ou a mim. Fechando os olhos com força, com muita força, consigo imaginá-lo vermelho-vermelho, como era, e reviver aquele momento em que o vi e senti pela primeira vez. Mas já não me faz sorrir. As lágrimas caem, mas digo a mim própria que são fruto da força com que fechei os olhos, apesar do seu sabor salgado ser bem real, e trazerem consigo reflexos vermelhos que se dissolvem. 
Cada dia o vermelho abandona mais o vestido. Tem já uma cor indefinida. Insisto em continuar a usá-lo, mas já não o sinto como uma segunda pele. Os meus passos já não são alegres e saltitantes, mas arrastados e pesados. Já não é o meu vestido vermelho. Esse, desapareceu. Fui eu que o gastei ou foi o tempo? Não sei. 
Agora, tenho de decidir o que fazer com ele. Continuo a usá-lo, mesmo não o sentindo como meu, arrumo-o numa caixa envolto em delicado papel de seda e guardo-o no armário das recordações, ou simplesmente me desfaço dele? Aquele vestido alegrou tantos dos meus dias, enchendo-os de cor! Vou guardá-lo, e por fora, na caixa, vou escrever o seu nome, com a letra mais bonita que sei fazer.

Por vezes, é isto que acontece com o que sentimos por outra pessoa. Transforma-se, gasta-se, acaba, seja o que for. O vermelho desbota e desaparece. Podemos tentar ser daltónicos. Podemos enganar-nos. Podemos querer que caia chuva daquela cor para o pintar de novo. Talvez tudo isso seja possível. Talvez não. Muitas vezes as pessoas insistem em querer acreditar que  é possível, quando nem elas acreditam. Fecham os olhos e vivem a ilusão da não-cor. Batem a várias portas, na esperança de encontrar uns olhos que vejam a cor que não está lá. Vermelho, ou assim-assim...

sábado, 17 de abril de 2010

Vazio...


Geralmente a palavra vazio gera uma sensação de desconforto. Não gostamos do vazio. Afinal o que significa o vazio? A não existência, a ausência, o nada. Algo que se perdeu e deixou o seu lugar não preenchido, algo que não foi ainda preenchido, como um puzzle onde falta uma ou mais peças, algo que não sabemos sequer que existe, mas cujo lugar está ali, porque ali pertence.

Poderá o vazio ocupar lugar? Penso que sim. Por vezes ocupa um lugar maior do que ele próprio. Por vezes, ocupa um espaço imenso. Podemos também estar cheios. Cheios de nada, o que nos dá uma falsa ilusão de que o vazio não existe. Mas o vazio é necessário. Por vezes, temos de criar esse vazio, libertar-nos de coisas que nos prendem, que falsamente enchem a nossa vida, para podermos preenchê-lo com novas coisas.

Podemos ver o vazio não como o fim da linha, mas sim como o início, tal como vemos um copo vazio como uma oportunidade para o encher, uma sala vazia como um desafio para a decorar ao nosso gosto, ou uma página em branco como uma amiga que podemos encher com palavras que nunca serão vazias, mas que muitas vezes não conseguem traduzir tudo o que contêm. 

quarta-feira, 31 de março de 2010

Conchas e Caracóis


Não somos muito diferentes dos caracóis*. Não, não estou a falar da lentidão ou do facto de terem antenas, mas sim da sua reacção ao perigo. Os caracóis, quando se sentem ameaçados ou quando se sentem magoados, recolhem-se na sua concha. Tornam-se invisíveis (acham eles). Exibem a sua carapaça e julgam estar muito seguros. Nós, quando nos magoamos, recolhemo-nos em nós e, na ausência de uma carapaça física, construímos a nossa, muitas vezes imperceptível aos outros, mas perfeitamente visível para nós, porque a sentimos. Decidimos colocar-nos à margem, até porque não nos queremos magoar novamente. 

Tal como o caracol, que acha que a sua concha é muito forte, capaz de o proteger de qualquer perigo, também nós temos essa ilusão. Achamos também que, com o tempo, essa concha se vai tornando cada vez mais  dura, mais resistente. Mas afinal, todos sabemos como é frágil a concha do caracol e com que facilidade pode ser esmagada. 

* Ou seja, sou um caracol!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Capítulo encerrado


There comes a point in your life when you realize who matters, who never did, who won't anymore, and who always will. So don't worry about people from your past, there's a reason they didn't make it to your future...

Virar páginas não é fácil, principalmente quando essas páginas foram escritas com amizade e dedicação. Fica a satisfação de terem sido escritas assim. Para mim, páginas que valeram cada letra, cada palavra, cada frase. Que não foram páginas vazias. Aí sim, seria razão para ficar triste. Ter um livro cheio de páginas vazias. As minhas estão cheias de palavras com significado, escritas por mim e escritas por quem cruzou a minha vida. De momentos que valeram a pena, porque todos os momentos valem a pena. Se soubermos como fazê-lo.  Se quisermos. Têm também frases, e páginas inteiras riscadas. Erros. Algumas tiveram direito a adendas, outras não passaram de rascunhos. Mas nenhuma foi arrancada, por vergonha das letras que continha. 

As páginas viram-se, mas não se apagam, e é cada uma dessas páginas que nos define. Não queremos um livro pela capa. Queremos um livro pelo seu conteúdo. De pouco vale uma capa bonita quando o conteúdo é desprovido de sentido. Cada pessoa tem neste livro um lugar especial, um capítulo em aberto, onde vou escrevendo cada dia. Alguns capítulos foram encerrados, por não haver mais nada a acrescentar. Encerro hoje mais um. Provavelmente deveria tê-lo encerrado mais cedo. Haverá quem lhe chame teimosia, quem lhe chame fé, quem lhe chame burrice. Eu chamei-lhe amizade. Não gosto de encerrar capítulos, demoro o meu tempo. Até aquela sensação de que seria possível escrever mais qualquer coisa desaparecer.  

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Apetecia-me...


 
Apetecia-me fechar os olhos e não pensar
Em mim, em ti, em nós.
Apetecia-me fechar os olhos e dormir
Depressa, sem sonhos, sem mim.
Apetecia-me fechar os olhos e não sentir
A saudade que me invade e não tem para onde ir.
Apetecia-me fechar os olhos e não pensar
Se o amanhã vai chegar e se eu vou lá estar.
Apetecia-me fechar os olhos e não querer
Que o tempo fosse outro, que não passasse a correr.
Apetecia-me fechar os olhos e não sentir
O que sinto, o que me levou a sorrir.
Apetecia-me fechar os olhos e ficar
Naquele tempo em que nos conhecemos,
Naquele tempo em que nos queremos,
Naquele tempo que só nós sabemos,
Onde o tempo não existe,
Onde a tristeza não mora,
Onde ficamos assim, nós.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Talvez um dia entenda


Tirei esta fotografia numas férias em Espanha, apenas porque achei piada ao nome, e sem nenhuma intenção particular de a usar. Até hoje. Hoje estou triste. Pergunto-me o que pode levar alguém a liquidar a sua própria existência. O que pode levar alguém com 30 anos de vida a pensar que é melhor não existir. A pôr termo à vida. Durante muito tempo achei que o suicídio era um acto de cobardia. Depois achei que era preciso muita coragem. Ainda não sei bem o que é, excepto um acto de desespero. Pergunto-me o que passa pela cabeça de uma pessoa enquanto prepara este acto. Enquanto escolhe morrer de uma forma horrorosa. Será que chora? Será que ouve música? Será que não pensa sequer? E pergunto o que pode ser tão desesperante para ter uma atitude destas. Quando, aparentemente, se tem tudo. Não tudo o que existe, mas o que é preciso.

A fórmula não é assim tão difícil. O que é preciso? Resumidamente, saúde, amor, dinheiro. Nada mau, pois não? Mas mesmo quando isto existe parece que não chega.

Não basta ser saudável, não ter qualquer doença. Além da saúde temos que ser bonitos, atraentes e magros. O conceito de ter dinheiro também não é assim tão linear. Não chega ter dinheiro para pagar a prestação da casa, comida, roupa bonita e umas escapadelas de vez em quando. Não. Também é preciso um casarão com piscina, roupas in e já agora um Porshe.

E quanto ao amor? Ah, o amor… Não basta ter alguém que nos ama e a quem amamos, alguém a quem dar a mão, alguém com quem partilhar, conversar, dividir uma pizza. Isso é pensar pequeno, queremos AMOR, com as letras todas maiúsculas. Queremos estar apaixonados, ser surpreendidos por declarações inesperadas a cada instante, jantares à luz de velas todos os dias. Queremos um amante fantástico e acordar em Paris de vez em quando. Queremos que todos os dias sejam um passeio por entre as estrelas.

Simplesmente nos esquecemos de tentar ser felizes de uma forma realista, com o que temos. Queremos as estrelas, mas não nos importamos com o céu. Queremos entender o Universo mas não nos entendemos a nós próprios.  Esquecemos que não existe amor em minúsculas, que o amor  será sempre maior, ou não é amor. Esquecemos que o amor maiúsculo não é um estado de eterna euforia. Esquecemos que o amor nos completa, e que isso nos dá calma e serenidade. Esquecemos que o amor também inclui o amor próprio. Esquecemos que quando tudo isso que nos rodeia não nos satisfaz, o problema está em nós. Esquecemos que podemos pedir ajuda. Que podemos tentar. Que nada está perdido. Esquecemo-nos que a felicidade é um sentimento simples. Tão simples que por vezes nos esquecemos de a ver. A felicidade transmite paz e não turbilhões de sentimentos. Esses podem ser alegria, entusiasmo, paixão, imensas coisas mas não felicidade. Esquecemos muitas vezes que basta deixá-la entrar. Mas não. Nós queremos sentimentos fortes. Queremos sentir a adrenalina a correr, bem acelerada, queremos ficar sem fôlego. Queremos tanto tudo que nem vemos o tudo que temos.

Queremos, ou achamos que queremos, chegar ao topo da carreira. Quando não é isso que nos faz felizes. Queremos, ou achamos que queremos ter umas medidas de manequim, quando não é isso que nos faz felizes. Queremos, ou achamos que queremos um Amor, com maiúsculas, claro, mas não sabemos bem o que isso é. Devíamos olhar para nós. Devíamos pelo menos saber o que não queremos. Devíamos ser capazes de estender a mão e pedir ajuda.

Devíamos pensar que nada poderá ser tão grave ao ponto de ser superior a nós próprios. Eu sei que cada um sabe de si. Eu sei que não sei o que se passa na vida das pessoas. Mas não consigo achar que algo seja tão, tão, tão grave que não haja uma saída.

Não éramos amigas, amigas. Mas conhecíamo-nos. Cruzamo-nos muitas vezes, falamos, rimos, bebemos uns cafés e uns copos de vez em quando. Admirava-te como pessoa correcta que sempre foste e, caramba, tinhas tanta coisa boa na tua vida! Convidaste-me, embora ainda não oficialmente porque ias começar a tratar disso em Março, para o teu casamento. Já não estás cá. Estou triste. Estou zangada contigo também. A zanga vai passar. A saudade vai ficar, sempre. Como dizíamos sempre... fica bem, C. 

sábado, 30 de janeiro de 2010

Silêncio...


"Entra naquele lugar feito de silêncio
Sentirás a vastidão do mundo
E as suas infinitas possibilidades.
Saberás que podes fazer qualquer coisa,
E ter seja o que for.
Verás isso neste momento
És alguém perfeito, tal como és."
In Homens, Dinheiro e Chocolate, de Menna Van Praag*

Assim começa o livro que ia começar a ler hoje. Li duas páginas. Estou sem paciência. Sem vontade. Cansada (que semana de cão!!).

Por norma, não sou uma pessoa muito silenciosa. Gosto de sentir vida à minha volta. Mas hoje apetece-me o silêncio. Com o sr. Prozac ausente, esta casa fica um pouco vazia. Silenciosa. Mas hoje estou a apreciar este silêncio. Desliguei o telefone (não se faz, eu sei, mas já confirmei vinte vezes o jantar de logo!! Não me vou esquecer!), a televisão está a poupar energia e até o Josh está a cantar baixinho hoje.

O silêncio pode ser um amigo por vezes. Há silêncios e silêncios. Há o confortável e o desconfortável, há o que pedimos e o que nos é imposto, há o que advém da cumplicidade de um olhar e há o que nem mil palavras conseguem ultrapassar, há o que procuramos e o que queremos quebrar, há o que encerra em si mil palavras e o que já esgotou as palavras todas. E há o nosso silêncio. Aquele que nos procura como uma necessidade física, como a fome ou a sede. Aquele que queremos adiar. Porque nem sempre queremos escutar a nossa voz. Quando o silêncio se adensa à nossa volta, a nossa voz, aquela que não fala por palavras mas por pensamentos, ganha volume, e aí vai ela em crescendo, qual bola de neve. Irra, que vozinha mais chata!!

Ponho-me a imaginar como a vida podia ser fácil. Podia mesmo. Mas a distância mais pequena entre dois pontos não é uma linha recta. Se Einstein**, que era Einstein dizia isto, quem sou eu para contrariar? A vida também não é uma linha recta. Por vezes gostava que fosse. Sem curvas, sem esquinas, sempre a direito, de preferência com setas a indicar o melhor caminho, sinais brilhantes a dizer perigo, não mexer, com semáforos nas bifurcações. Estas são as piores, as bifurcações. Na minha santa terrinha usam uma expressão engraçada "como o tolo no meio da ponte". Não sabe se vai para a frente, se vai para trás, se salta ou se se deixa ficar ali no meio.

Há os caminhos seguros, que já conhecemos, que não têm altos e baixos, em que não aparece nem uma flor fora do lugar. Conhecemos cada pedra, cada erva, cada árvore. Sabemos sempre o que vem a seguir. Dá-nos uma noção de segurança. Mas, ao fim de algum tempo, de insatisfação também. Até podemos adormecer que seguiremos por esse caminho que tão bem conhecemos de olhos fechados, sem medo de cair. De vez em quando, paramos para analisar o caminho. Muitas vezes até encolhemos os ombros, como quem não tem outra opção. Se é assim, que seja. Mas na verdade, até pedimos, baixinho, para aparecer uma pedrinha fora do lugar.

Depois, há os caminhos que não conhecemos. Que nos atraem. Por um lado há a vontade de conhecer, de descobrir esse outro caminho, até porque já o espreitamos. Gostamos do que vimos e da sensação de sentir aquele caminho debaixo dos nossos pés descalços, de ver e cheirar flores que nunca tinhamos visto,  de apreciar cada momento usado na sua descoberta. Por outro lado, há o receio de não saber contornar as pedras, de magoarmos os pés, de deixarmos o perfume das flores impregnar-se de tal modo em nós que não mais o deixemos de sentir. Mas este medo não faz o caminho desaparecer. Podemos fazer de conta que ele não existe... mas na verdade não conseguimos.

Tenho para mim que o tolo no meio da ponte pode ser tolo, mas é feliz.

* Este livro é um livro muito, muito light. A presonagem principal, Maya, é dona do Cocoa Café, com problemas em pagar as contas e viciada em chocolate. "Um pequeno livro, meigo, comovente e ironicamente sábio, é ele próprio um chocolate - doce e delicioso.", nas palavras de Katie Fforde
** Eu sei, Einstein baseava-se em factos um pouco mais físico-quânticos que os meus :).

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

BY THE WAY XLVI


Só para contrariar...



S. Pedro, se achas que me consegues pôr mal disposta com este tempinho tão bom, estás MUITO ENGANADO! :) :) :) :)